• METALLICA!NDO

    20. Jan. 2011, 21:28

    UMA CRÔNICA RETARDADA, MAS QUEM SABE ISENTA DE FALHAS, NO ESPAÇO-TEMPO: MEU SONHO REALIZADO EM SÃO PAULO



    [Rafael de Araújo Aguiar, de Brasília, madrugadas de 18 e 19 de janeiro de 2011, praticamente um ano depois do ocorrido]



    A) ANTECEDENTES



    Não escondo de ninguém que há algum tempo minha banda favorita é o Metallica (ironicamente, roubou o cetro, em minha preferência pessoal, do grupo que muitos consideram seu principal concorrente, o Megadeth). E se torna desnecessário expressar o quanto é significativo e elevado quando se tem a oportunidade de presenciar uma exibição dos seus artistas prediletos. Muitas vezes isso acontece quando eles excursionam pela América do Sul, pelo Brasil, e passam, conseqüentemente, pela sua cidade. Mas com o Metallica seria diferente: exigentes, fariam seus maiores fãs atravessarem o Brasil de Norte a Sul para que pudessem ser vistos e ouvidos. Essa frase não é uma simples alegoria: com shows agendados apenas para o Rio Grande do Sul e São Paulo (nem respeitaram o famoso Eixo Rio-SP de atrações culturais de renome!), aqueles das partes centrais e setentrionais do país que quisessem prestigiar um bom e velho thrash metal ou hard rock (a depender da fase da banda) precisariam desembolsar uma boa grana e energia. Isso, confesso, só aumentava minha vontade de estar lá, para depois narrar o quanto fora difícil e recompensador viver o momento! Só não esperava que depois de tudo não sentiria a necessidade de compartilhar os eventos, pelo menos não de forma imediata. Deixei o tempo correr e, 12 meses depois, o que era música em minha cabeça finalmente merece ser convertido em palavras – estou sereno o bastante para isso! Porque com as palavras, sabe-se, é preciso lidar com cuidado.



    Soube da vinda do Metallica aproximadamente em setembro ou outubro de 2009, e comecei a mexer meus pauzinhos. Na realidade havia uma grande expectativa pela inclusão de uma data para Brasília na turnê brasileira do Death Magnetic (nome do último álbum da banda). Após a decepção gerada pelo anúncio oficial de apenas dois shows em território nacional, ambos longe daqui, soube que teria de pedir ajuda a meus pais por não estar trabalhando e não ter como obter o dinheiro para essa aventura. E o pior de tudo não seria o deslocamento, pois quando metaleiros se reúnem para fretar ônibus o custo baixa bastante. Mas as empresas que organizam essa variedade de mega-espetáculos são realmente exploradoras num sentido, eu diria, de capitalismo arcaico, com exceção da alta burocracia e dos lucros envolvidos. Porque tratar o consumidor como gado não é próprio, ou não deveria ser próprio, de um serviço de luxo contemporâneo. De luxo, sim, pois é uma ocasião especial, e nem todos têm as condições de pagar para usufruí-la. É claro que só vai quem quer, e não se pode reclamar de uma viagem até um estádio apinhado numa megalópole onde seria possível conhecer, nem que um pouquinho de longe e mais pelo telão, os lendários três sobreviventes da formação original (ou quase isso) do maior grupo de metal da História: James Hetfield, Kirk Hammett e Lars Ulrich. Os preços não seriam camaradas sequer para o padrão classe média alta, com ingressos premium passando dos 500 reais, sem o valor da meia-entrada. Muito já se discutiu sobre a legalidade da questão das meias-entradas em atrações de música ou semelhantes, e juro que não entrarei nesse mérito, pois isso seria repetir literatura. Só o que preciso informar é que desisti, a princípio, sabendo que não havia mais a meia-entrada para pista premium ou mesmo para a pista comum, e que talvez não valesse a pena vir de Brasília para acompanhar o show das cadeiras do estádio. Agora não me recordo se elas também estavam preenchidas em seus valores de meia-entrada para estudantes. É bem possível. Foi duro ter de abdicar, depois de todas as expectativas geradas, mas ir ao Metallica parecia ter sido mesmo um devaneio temporário, sorte demais para ser realidade.



    Semanas depois, entretanto, foi confirmado um segundo show paulista, um dia depois do primeiro, em atendimento à demanda gigantesca inesperada (fala a verdade, inesperada? Eu não duvidaria nunca do apelo exagerado de fãs e até de não-fãs por entradas para a volta do Metallica ao Brasil, depois de 11 anos – com direito a um “bolo” no meio do caminho, devido a uma desistência e cancelamento de apresentação em 2003, já depois de iniciada a venda de ingressos!). E a informação era de que as coisas seriam mais calmas dessa vez, pois dificilmente o estádio do Morumbi receberia lotação máxima uma segunda vez. Esperei ansiosamente pela abertura das vendas no portal da Internet e novamente foi impossível a compra de uma meia-entrada para o setor mais badalado (entradas premium com desconto esgotadas na pré-venda!). Me contentei com a meia da pista comum. Não haveria excursões rodoviárias rumo a São Paulo, porque o sujeito que mais cuidava dessa parte se encarregou da fretagem de veículo apenas para o primeiro dia, antes que se soubesse de uma segunda data, e não manifestou interesse nem houve muita movimentação relativa ao segundo show. Ficou decidido, portanto, que eu iria de avião, porém como não pertenço a nenhum grupo sólido ou fechado, mesmo no meio do metal brasiliense, não combinei com ninguém em específico, e, quando pude contatar as pessoas mais próximas e que poderiam estar no mesmo hotel que eu quando chegasse a São Paulo – os músicos da banda cover de Metallica de Brasília, Fierce Fire –, soube que elas pegariam vôos que seriam uma opção questionável para mim, restando-me apenas o subterfúgio de encontrá-los já em São Paulo; ou seja, ir e vir por minha própria conta e risco (isso se verificaria uma boa idéia, pois fiz uma nova amizade já no vôo de ida, como veremos). Os integrantes da Fierce Fire eram três: Arthur Silva, vocais e guitarra-base; Hara Dessano, o guitarrista principal; e Renato Mendes, baterista, aquele com quem tinha a amizade mais antiga, desde os tempos em que iniciei meu inacabado curso de Jornalismo. A banda se encontrava sem baixista no momento.



    A compra foi por volta do dia 20 de dezembro e eu passei o mês de janeiro inteiro dormindo mal, pensando em todos os preparativos para o show, além, claro, de tentar projetar em minha mente cada emoção que invadiria meu corpo durante aquelas 2, somente 2, porém mágicas, horas de som ininterrupto. O último dia do primeiro mês do ano é que abrigaria esse marco. No meio do caminho, dia 16 de janeiro, ainda encarei um aperitivo, Deicide em Brasília! Confesso que uma das minhas maiores preocupações era com relação ao consumo de álcool: deveria aproveitar bastante a viagem e não me poupar de nenhum prazer, mas que isso não significasse perder a linha, prejudicar-me e ter muitas dores de cabeça depois, tendo em vista estar sozinho em uma cidade até então por mim desconhecida, com fama de violenta e caótica, com dinheiro e documentos importantes a resguardar. E seria lamentável se eu por algum motivo me encontrasse fora do ar, me perdesse ou não conservasse na memória algum dos minutos da experiência única que é ver a banda (“a” banda!) entrando no palco e percorrer todo o set list até a saideira (que apesar de perfeitamente previsível não seria nem um pouco monótona)! Então, tomei a precaução de conversar bastante com uma amiga de Internet residente em Sampa, Natália “Bowie”; também cansei de analisar mapas da Grande SP no Google Maps, e mesmo do restante do estado (uma vez que eu desembarcaria num aeroporto periférico, o de Guarulhos, em Cumbica, praticamente fora da cidade, e precisaria bolar uma forma de me deslocar para não pagar uma onerosa corrida de táxi, o que incluía aprender de cara a usar o intrincado sistema de metrô sincronizado com bilhetes para ônibus naquela capital). Para um pacato candango que mal sabe direito o que é um metrô, quem dirá um metrô superlotado, isso exigiria um bocado de atenção! Havia também o lado de “curtir as músicas”, na verdade estudá-las, memorizar as que eu conhecia menos, enfim, deliciar-me com a banda para chegar com as melodias na ponta dos cascos, porque a goela não seria perdoada na hora fatal! Obviamente, a etapa de convencimento dos pais já havia sido superada, de forma que entenderam o quanto isso seria relevante para mim e que, ao contrário de muitos filhos da minha idade ou até mais novos, eu nunca tinha feito uma viagem-solo, e seria ótimo para sair um pouco debaixo desse mesmo teto e da rotina e previsibilidade. É, depois de tantos anos eu merecia um “presentinho de aniversário fora de época”... Eu voaria pela Webjet, chegando um dia antes, o suficiente para conhecer algo em São Paulo além da sede do evento, o Morumbi, e voltaria na manhã consecutiva ao show. Me hospedaria num famoso hotel para universitários e/ou aventureiros econômicos num lugar bem acessível, o Formule One, onde racharia um quarto com mais dois da Fierce Fire. A última coisa que faltava dizer nesse item “A” é que a sede do evento, o Estádio Roberto Pompeu de Toledo, era também o do meu clube de coração e – se não era para ver um jogo da minha equipe – meu grande anseio era que conhecer o “templo” fosse acompanhado de uma emoção e sobressalto pelo menos comparáveis aos de uma final de campeonato: bingo!


    B) EM TERRAS “ESTRANGEIRAS” [Duplo sentido: O METAL É SEMPRE UMA NO MAN’S LAND!]


    A princípio pensei que a velha máxima, de que tudo de errado acontece consigo no dia em que o azar menos poderia atacar, estava se concretizando: meu irmão, que combinara de me levar ao aeroporto, não aparecia de jeito nenhum em casa. Minha mala tão aprumada e eu, devidamente trajado, estávamos à espera de notícias do “motorista” da tarde. Não quis usar o telefone até que o relógio marcasse realmente uma hora que me parecesse desesperadora; e foi o que fiz. Diogo atendeu e disse que inesperadamente um amigo seu começou a prendê-lo em determinado local com papos intermináveis e solicitações fúteis, típicas de quem bebeu umas a mais e parece retirar prazer de empatar a vida de alguém que está atrasado para um sério compromisso! Meu irmão me garantiu que iria livrar-se desse estorvo e dispensar o amigo bebum nesse exato momento em que falava, deixando-o em casa ou algum ponto próximo a ela (segundo o que entendi, esse amigo queria uma carona para um lugar mais distante que, se fosse realmente acontecer, atrasaria completamente meu check-in!). Para o bem desse relato, o Diogo cumpriu com o acordado e me deixou não muito cedo no Aeroporto Internacional de Brasília, mas também não muito tarde: embora eu não tenha sido dos mais exemplares no cumprimento daquela velha cartilha de estar com tudo em ordem para o vôo, na sala de espera, já 1h antes da decolagem, posso dizer que ainda curti o frio na barriga de estar olhando para todos os passageiros do mesmo avião e não vê-lo aparecer até 5 minutos além do horário previsto. Lembro que até trotei, engoli em seco, bufei e tremi, na fila do bilhete eletrônico. Isso é fácil de explicar: nunca havia deixado Brasília sem outras pessoas ao meu lado, e se eu perdesse alguma coisa agora, se deixasse qualquer coisa, como a identidade ou os ingressos, cair do meu bolso, me sentiria frustrado até a morte! Reconheço que eu e a paranóia, exceto por alguns rompimentos esporádicos, convivemos muito bem um ao lado da outra.



    Dentro do avião, foi fácil perceber o quanto o show do Metallica mexia com a vida de pessoas do país inteiro: vários ali estavam indo para fazer o mesmo que eu, e logo entabulamos conversa. Em especial, eu e um trio de pessoas aparentemente da minha idade ou um pouco mais novas. Eram da Ceilândia. A única pessoa com quem falei depois desse dia e de cujo nome me lembro é o Philippe “DRI” como gostava de ser chamado, que comentou que ainda pretendia voltar a SP para ver o NOFX, dali a um ou dois meses (nada que eu saiba apreciar, nem que vá tentar aprender). Como seu amigo estava com uma camisa do Palmeiras, e eu com a do meu clube, o papo logo recaiu para esse lado, e a garota que estava com eles não participou muito. O Philippe era flamenguista. Ambos iriam nas duas datas do Metallica e se hospedariam com um tio. Separamo-nos meia hora depois do desembarque, mas trocamos telefones. Nem precisei despachar mala, aliás (tudo bem que disse acima que tinha arrumado uma quando esperava meu irmão para me levar, mas foi apenas força de expressão, porque coube tudo em uma mochila, seria uma viagem-relâmpago, pingue-pongue!). Soube que não iria precisar levar a efeito meu complicado cálculo de horários e estações a fim de chegar ao hotel com menos de 10 reais gastos (por causa do sistema de bilhete único!), mas que seria muito mais conveniente pagar 30 reais para pegar um ônibus que me deixaria virtualmente na frente do referido hotel, que passava de 2 em 2h, e dali a 40 minutos reapareceria na frente de Guarulhos. O engraçado é que soube depois que se eu rachasse o táxi com alguém poderia ter gastado ainda menos, o que não correspondia à absurda estimativa da Natália de uma corrida de 100 reais entre Cumbica e o Centro! Telefonei para ela e combinei de ligar outra vez quando me assentasse no hotel: Nanee Bowie seria minha guia turística por uma noite nos bares da Rua Augusta e nos points de relevo da Paulista, me apresentando ao maior número de loucuras possíveis. Ou iríamos desfrutar bem pouco, até o horário dos últimos ônibus do dia, ou viraríamos a noite inteira, e a segunda opção foi afinal de contas a eleita. Preferia perigar me sentir cansado no maior show da minha vida e ter esse convívio com ela e com a vida noturna da cidade esticados do que simplesmente achar depois que perdi grandes oportunidades e que não voltaria a São Paulo tão cedo. Eu sabia que mesmo que não me restasse mais energia eu a tiraria de algum lugar quando as músicas do Metallica começassem, assim mesmo, sem nenhum argumento científico ao qual me remeter, apenas com uma convicção sobrenatural no êxito do meu plano ébrio mirabolante, convicção que, como veremos, não era lá muito infundada...



    A primeira pessoa, as primeiras pessoas, que encontrei já no saguão do Formule One foram o guitarrista (e namorada) do Fierce Fire e um amigo da banda que o Renato disse que eu conheceria, e que precisava mesmo conhecer, pois era uma peça super-engraçada, o Kleuber. Subi para meu quarto no segundo andar, e nenhum dos dois que dividiam as diárias comigo estavam. O Arthur já tinha se deslocado para o Morumbi, pois veria o Metallica nos dois dias. O Renato logo estaria de volta, havia saído com o pai para comer ou passear em outros lugares. Arrumei as coisas no quarto, liguei para minha mãe e para a Natália, desci, fumei um pouco no pórtico do hotel e vi a gremista radicada em São Paulo que gosta de David Bowie aparecer e gentilmente servir de bengala a este cego que mal podia imaginar o que iria encontrar nas esquinas e botecos desse centro amalucado... Infelizmente não serei muito preciso nessa narrativa, mas garanto que isso não guarda a menor relação com o consumo de álcool: foi uma noite até agora jamais repetida em minha vida em que bebi cerveja por 17 horas consecutivas sem me sentir alcoolizado, embora bastante eufórico, naturalmente, a cada minuto, me sentindo mais como uma criança, por causa das conversas sobre o Metallica e as diferenças da vida urbana paulista e da (ausência de) vida urbana brasiliense. Foram muitos os bares em que abrimos conta, e eu retribuí esse grande favor da Natália de me “amparar” naquele ninho de pessoas e poluição interminável (embora eu não tenha presenciado engarrafamentos, chatices e grosserias dos transeuntes – do que eu sinceramente não esperava me esquivar, quando pensei nos costumes de uma cidade tão grande). O fato é que as pessoas podiam ser relativamente indiferentes a você, pois estavam acostumadas com todo tipo de cidadão, turista ou aberração possível, enfim, a um circo diante de suas caras todo santo dia, cosmopolitas que eram, mas uma vez solicitadas se mostravam polidas e de uma elegância que eu imaginaria ser viável apenas em Buenos Aires ou coisa do tipo (que eu aliás só conheço via relatos de amigos). Não recordarei tantos nomes (acho que Augusta e Paulista são, em si, suficientes). Só sei que nada ali podia ser posto no mesmo patamar do sossego (eufemismo para tédio!) candango, onde o medo de ser assaltado por ser o único alvo na rua à noite é o oposto desse lugar que, às quatro da manhã, parecia a muvuca de um recreio de escola, com pessoas indo e vindo num fluxo incessante. Eu só não achei esse continuum mais assustador durante aquele dia porque não tive tempo de raciocinar que era simplesmente uma situação perpétua! Em nenhum dos 365 dias haveria calmaria naquelas ruas. Se eu viesse a morar em Sampa, viraria refém da impossibilidade de caminhar por uma área deserta, fumando, sem olhar para nenhum lado nem trombar em ninguém, a fim tão-somente de filosofar, hábito que cultivo em Brasília. E aí talvez morresse aos pouquinhos, porque caminhadas para pensar sem barulho, em São Paulo, era decididamente um cenário utópico! Para o espírito sedento por observar e ser observado ou sempre entretido de alguma maneira, no entanto, as estreitas calçadas cheias de skatistas, emos, homens de terno, putas, comerciantes, hippies, chicletes e bitucas de cigarro eram sensacionais, convidativas, eu diria, a todo instante. Que pena que o ser humano é bipolar, e que as cidades onde moram sejam um pouco menos (ou 8 ou 80, o tempo inteiro!). Pode parecer irritante para alguns essa aparente tentativa, por minha parte, de engrandecer uma ligeira visita por um lugar tão prosaico e, para muitos, estúpido, velho, ultrapassado. Mas eu senti como se não tivessem sido 3 dias, ou 1 e meio, a se considerar que cheguei no fim de uma tarde e me despedi no transcurso de outra manhã, mas vários deles! A própria adaptação à lei que me proibia de fumar em qualquer lugar coberto, em São Paulo, me fez respeitá-la onde nem era preciso (pois ainda não existe!), aqui em Brasília, vários meses a fio, inconscientemente. Após essa maratona de cervejada e os mais variados papos, com pessoas se retirando e voltando, partindo e não mais vindo ou simplesmente aparecendo tarde demais na história, ali estava um Rafael um tanto mais maravilhado com a vida e uns 80 reais mais miserável, de volta ao pórtico do hotel, não bêbado-bêbado, porque de alguma forma o ritmo lento e comedido dos goles e a espécie de ar úmido de São Paulo o impediram de sair de si. Ou talvez fosse o juízo, o intenso zelo com que me propus a atravessar essa viagem sem perrengues e com sensação de dever cumprido ao máximo. A medicina ou meu discurso não explicariam, deixa pra lá! Devo estar incorrendo em mil distorções da realidade, por tentar defender aqui que o ar de Sampa era puro! Enquanto o taxista (da minha ida ao aeroporto, dia 1 de fevereiro, pós-show) espirrava, só para citar, reclamando das partículas de poeira, eu sentia minhas narinas desentupidas como nunca antes, como se só então eu me desse conta de que vivendo no cerrado eu estava sempre puxando menos ar do que a capacidade natural dos meus pulmões permitia. Estranho, deveras!



    Natália se foi (depois de ter ficado um tanto íntima do senhor Kleuber!) – tendo chegado a cogitar comprar a entrada para o show, pois seu primo de 11 anos começava a gostar da banda por causa do Guitar Hero; mas ter de comprar outro ingresso pra ele lhe quebraria as pernas, então ela mudou de idéia, se despediu, desejou um bom show e disse um dia nos víamos em Brasília – e então todos pareceram perder o ânimo. Simplesmente todo o pessoal do hotel foi dormir (os que ainda não tinham ido, mas o Renato e outros mais comportados já se encontravam no oitavo sono) e repor as energias. Os últimos a sair foram uns caras de outros quartos que vieram de Manaus (!) para ver o Metallica, que já estavam se dirigindo ao aeroporto, não sem antes descreverem tudo de mais espetacular que viram na noite de sábado (meu show era no domingo). Tão felizes estavam que um deles parecia pouco se importar com o bico desse tamanho que a namorada amuada fazia na hora de entrar no táxi, gabando-se de que ela não sabia o que estava perdendo, se trancava no quarto do hotel e deixava de conhecer as pessoas, não suspeitava de que nós vivíamos uma coisa única, pois o mais provável é que nunca voltaríamos a nos ver de novo, mas que esse diálogo estaria registrado na história do mundo e que não poderia ser deletado. Esse “nós”, claro, era o jeito do amazonense se referir a todo e qualquer fã fervoroso do Metallica que estava vindo de praias distantes (ou mangues distantes!) para aproveitar ao máximo cada minuto, sem recusar encontros e contingências divertidas, mesmo que isso lhe custasse um namoro. Ou seja: que se fodessem os casadinhos bitolados! Esses dias singulares eram dos solteiros ou simplesmente dos homens e mulheres compromissados que soubessem relevar e esquecer que tinham que dar satisfações a alguém, mimar alguma princesinha ou principezinho, que o importante era cair na gandaia e todo o resto podia esperar. E que todo o décimo terceiro de um emprego, por mais modesto, seria orgulhosamente dissipado, de modo que se tivesse o poder da escolha, a pessoa reprisaria cada atitude desde que veio a São Paulo, tintim por tintim, e ainda voltaria sorrindo, mesmo que aos olhos dos outros estivesse cometendo uma boçalidade!



    Pois bem! Depois dessa rica apreensão (que eu realmente demorei para mastigar – na hora fiquei pensando se tudo aquilo não ia entrar por um ouvido e sair pelo outro!), eu de repente me vi sozinho empunhando uma latinha na frente do Formule One, numa cidade grande que não pára, apesar de as pessoas dormirem (só mudam os rostos)! Finalmente percebi que também eu não era nenhum Highlander e precisava me recolher, por pouco tempo que fosse, me desligar daquela simbiose entre mim e todo aquele concreto – me pareceu que se dependesse exclusivamente de mim, nunca iríamos parar de circular (eu e São Paulo éramos um só)... E como o tédio até a hora do show iria grassar (principalmente porque um dos lugares que mais gostaria de conhecer, a Galeria do Rock, pelo menos foi o que me disseram, fecha aos domingos), era a hora apropriada para uma sesta. Novamente, ninguém na área ou, antes um Renato bastante abatido, quase sumindo debaixo das cobertas, com inflamação na garganta, que já não sabia se estaria no show de logo mais. Foi ao hospital tomar injeção para ver se melhorava imediatamente (sim, de fato isso ocorreu e ele não se desgraçou), e enquanto isso eu cometi a atrocidade de baixar a temperatura do ar condicionado do nosso quarto para 12 graus, sem perceber, apagando em seguida. Fui despertado pelo Hara e pelo Kleuber quase dentro de um esquife de gelo! Duas ou três horas, no máximo, foi o que eu dormi, mas encontrei um ambiente diferente. Voltei a me sentir apenas uma pessoa que mal e mal se adaptava ao ambiente, fusão desfeita com aquele circo louco de carros e barrigas esfomeadas. Porque antes parecia que eu poderia rir e beber cervejas até o mundo acabar, e todos do hotel me cumprimentariam com um sorriso, nem de puxa-saco nem de reprovação velada, sem julgar se o que eu estava fazendo era certo ou errado, porque parecia o único estado. Mas toda farra chega ao fim – claro que a principal sequer havia começado, mas voltei a me centrar na sobriedade da missão (uma farra séria!): o Metallica exigiria um dia menos hedonista, de certo, porque eu vim para testemunhar cada segundo de uma obra artística na qual eu não devia interferir, muito menos “arruinar” com algum entorpecente. É, eu achei que deveria estar de cara limpa no estádio! E percebi que a cerveja em Sampa (até a Brahma, que lá é gostosa!) era tão cara que se eu realmente consumisse cervejas no mesmo ritmo das horas anteriores, corria até o risco de ficar sem a gordura monetária que planejei manter, para contornar qualquer emergência que aparecesse (na volta, no dia 1, estava tão cansado que, como vimos na descrição do “ar puro paulista”, acabei me locomovendo de táxi, então essa decisão de poupar – não como um sovina, mas como alguém que sabe que haverá um amanhã! – se mostrou inteligente).



    Fui com o Arthur primeiro ao Banco do Brasil e depois a um shopping qualquer da cidade, a pé mesmo, para almoçarmos. Depois todos da banda estavam reunidos num táxi que ficou bem barato. A única ressalva é que todos iriam assistir o Metallica na pista premium menos eu. Uma garoa chata resolveu aparecer antes de sairmos do carro, mas eu achei que não era tão incômoda a ponto de comprar aquelas capinhas descartáveis. Quando me vi do lado de fora do Morumbi exclamei para mim mesmo que estava no meio-termo mais perigoso daquela viagem: entre o tudo e o nada, pois se de repente sumisse meu ingresso seria um desapontamento inigualável, um “quase” bem acre de se engolir! Também imaginava, nas minhas melhores perspectivas, que encontraria uma aglomeração de cabeludos malucos do lado de fora e conversaria bastante antes de entrar, só que o Morumbi era tão gigantesco e a chuva parecia afugentar tanto os outros que eu não encontrei aglomerações e decidi passar de uma vez. A cerveja lá dentro custaria 6 reais e seria de uma marca pouco confiável, que nem vale a pena citar. Tomei 2 apenas a título de “brinde”. Lacrimejei quando olhei para o entorno de dentro, pela primeira vez. Não quis bancar o são-paulino emotivo diante de um público numeroso, contudo, para não dar margens a piadinhas... E eu não cansei de ir e vir de um lado a outro daquela imensa pista ou tablado, lona, colocada em cima do gramado, para me locupletar, esbaforido, com a sensação de ser um jogador cobrindo várias funções na mesma partida, marcando e depois atacando, reconhecendo cada montículo de grama do campo. Ah, sim, a grama! Pude arrancar um tufo quando me aproximei do escudo do São Paulo Futebol Clube, onde terminava a lona (e, se querem que faça mais uma dessas observações rápidas entre parênteses, não levei câmera fotográfica, não registrei nada disso, mas agora vocês vêem que 1 ano não foi suficiente para avariar meu HD, que era o que realmente importava: gravar tudo na retina e depois estocar essas informações no meu precioso disco rígido, que nem milhões de cervejas seriam capazes de formatar!). Eis que, justo quando admirava aquele ícone (o escudo do meu time, de aproximadamente 15 metros quadrados, rente ao solo, próximo a um dos setores de arquibancadas), centenas de vezes visto apenas pela TV, foi que encontrei por pura casualidade um fã de Metallica que foi quem me apresentou à banda, em 2001! Outrora melhor amigo, não mais meu vizinho, não deixa de ser inusitado e ao mesmo tempo justo, perfeito, que o destino nos quisesse fazer esbarrar tão longe de nossas casas. Um cumprimento entre mim e o Aloísio foi sucedido por saudações a seus amigos, todos de capas de chuva e que diziam querer “pular o show do Sepultura”, pois não vieram para isso. Aparentemente, tinha um grupo com quem curtir o show. Mas não queria estar com aquela galera, com quem pouco me identificava, que não parecia curtir o Metallica exatamente do jeito que eu curtia e ainda curto, do modo sujo e agressivo que eu escolhi para apreciá-lo, da maneira deferente e old school com que eu insisto em me referir ao grupo. É, a música preferida do Aloísio é The Outlaw Torn, algo impensável para quem sabe, como os próprios membros da banda, o posto secundário ou mesmo terciário que ocupam os álbuns Load na indústria fonográfica, ou diante do grande público (no fim das contas, essas coisas são a mesma coisa, porque não há populacho sem os barões das gravadoras e eles precisam entusiasmar alguns banguelas meio surdos para vender seu peixe!). Então eu me dirigi ao banheiro, prometendo voltar, mas preferi ir me posicionar no canto oposto ao que eles escolheram para acompanhar o show. E cada vez mais pessoas que vinham chegando impediriam qualquer tentativa de procurar quem quer que fosse, mesmo se eu quisesse! Era quase verdade que para se situar ali o jeito era driblar para um lado e para o outro, como um jogador que encontra todos os companheiros sob cerrada marcação. A parte de não tomar uma cervejinha para ver os shows (pois eu queria muito ver o Sepultura, também!) não se devia exclusivamente à possibilidade de ficar “bobo demais” de forma indevida, mas a um problema que tenho, e que penso ser mais acentuado em mim do que em qualquer outra pessoa: o de me dirigir ao banheiro a intervalos cada vez mais curtos conforme vou virando a bebida, sem poder mesmo reter a urina, porque isso me deixa quase paralisado de dor, sem poder andar ou pular. Não queria estar desconfortável e pedindo para que o show passasse depressa, isso seria contraditório demais depois de toda a luta para estar ali! Estipulei 1h30 antes da hora marcada para o Metallica, ou um pouco menos que isso (porque não sou inglês) como uma boa margem de segurança, e de resto me limitei a fumar um ou outro cigarro. O Sepultura começava agora a se apresentar, a chuva diminuía até a intermitência de pingos esquizofrênicos, e eu tinha a certeza de aproveitar uma boa banda, ótima banda, brasileira e de respeito, para me elevar em êxtase, ainda de forma tímida, é verdade, sem pressa, ciente de que o ápice viria em hora melhor. Não podia mesmo agitar demais, primeiro porque só agora sentia mais que antes o cansaço por tudo aquilo que havia feito, virando a noite daquele jeito, comendo pouco, tendo deixado de repousar (como se eu fosse conseguir dormir a madrugada inteira trancado no hotel, com a cabeça a mil!), e certo princípio de cãibra nos braços, dores nas juntas, nas pernas, e sabia que ficaria em pé sem ter onde escorar por várias horas. Não sei se o que me bateu foi desespero ou algo mais brando, mas quase pensei que todos os esforços para fazer dessa a noite mais brilhante das minhas contemplações musicais poderiam ir a pique.



    E se o leitor realmente está se perguntando se eu fiz uma boa escolha ao me desfiliar da turma do Aloísio (e como já estava separado do pessoal da Fierce e de qualquer outro, se foi apropriado passar o show sozinho), afirmo que fiz exatamente o que quase sempre faço (no show do Megadeth foi a mesma coisa!), e não poderia imaginar nada melhor do que não parar para conversar com ninguém ou simular algum tipo de reação, positiva ou negativa, em relação a qualquer coisa, que não fosse exatamente aquilo que eu estava sentido, só para agradar os outros, como tantas vezes acontece! Apesar de ter puxado papo com inúmeros grupos e apurado que um grosso contingente provinha de regiões do interior como Campinas, e que o Morumbi àquela altura tinha mais corintianos do que eu podia aceitar sem desconfiança, eu sabia que aquele momento era de mim para mim mesmo e que não cabiam interferências externas. E após o show do Sepultura, com o atraso do Metallica e o escurecimento do céu, esse cansaço crescente foi apertando, de forma que quase me arrependi de todo esse auto-isolamento e achei que não seria uma boa noite. Mas essa ligeira apatia seria pulverizada e convertida em cinzas quando as luzes do local foram totalmente apagadas (e senti muito medo, então, de eventualmente desmaiar e ser pisoteado!) prenunciando a entrada triunfal do quarteto mais importante. Os primeiros acordes não deixavam dúvidas: eu extrairia energias de onde fosse preciso, uma certa anestesia estava já sendo inoculada pelo meu próprio sistema de defesa; e se eu tivesse de pagar alguma coisa por isso, que fosse depois, bem depois de sair dali! Aí sim eu enfrentaria 10 dias seguidos de ressaca de bom grado, quando já estivesse em Brasília e esse momento fosse parte do passado gostoso de lembrar! Não sei mesmo como eu me sentia tão detonado ao fim da primeira música, Creeping Death, que achei que não conseguiria mais erguer o braço direito, e como eu estava incorporado por uma entidade na décima primeira música, de forma que poder-se-ia pensar que descansei a semana toda esperando apenas a hora de “One”! Ou seja, a cada música que passava eu me sentia mais revigorado, uma espécie de Benjamin Button do Metal! A bateria de batidas de cabeça para o violento trecho final de One excedeu todo o “treino” a que me submeti em casa, foi insano! Retirei meus óculos e não parei de me contorcer para todos os lados ao ritmo do thrash mais encardido do “...And Justice for All”, e talvez do universo!, sabendo que aquela era a apoteose. E que havia esse tempo todo um tanque energético em standby aguardando o gatilho, que foi disparado junto com os sons de metralhadoras e morteiros da introdução da faixa (ainda estou falando da One!). Parece-me que o veterano Lars Ulrich não tem o mesmo ímpeto para gastar, mas isso já nem tinha tanta importância... Confesso que me constrangi, tendo de me impedir de me entusiasmar, por uma questão de honra, sendo ainda assim trabalhoso fazê-lo, nas canções mais marqueteiras do Metallica, que agradavam sobretudo os casaizinhos que eu sentia serem muito mais fãs estilo Aloísio do que headbangers, penetras no espetáculo (se bem que ultimamente os verdadeiros metaleiros andam tão escassos que eu devia ser o penetra ali!). Mas que se dane. Fuel e Nothing Else quase se desmancham como episódios inofensivos do que no geral era um impecável massacre, que, afinal, precisava ser intercalado com essas baladinhas. That Was Just your Life felizmente mostrou que o Metallica ainda sabe ressuscitar o ímpeto dos anos 80, se os músicos entrarem em acordo, se é isso realmente que eles querem. Sad But True e Welcome Home apresentam a sintonia perfeita entre a velha guarda e os que estavam ali por causa da influência assombrosa do Metallica no mundo pop que se deu desde o lançamento do Black Álbum. Porque Welcome Home, apesar de ser de uma fase pregressa, apresenta já a característica de olhar para os dois lados, vista no álbum homônimo da banda: o peso, sim, mas o verniz também! Não faltaram os clássicos que seria imperdoável ver de fora, como Ride The Lightning, Fight Fire With Fire, Master of Puppets (que eu homenageava através da minha camisa, sem perceber na hora, porque nada mais me importava além do som e do rosto do James no telão – e dos punhos do Hammett, eventualmente, cabendo ao Trujillo uma leve figuração, ideal para ele, que nem fede nem cheira)... E até o tradicional cover de Diamond Head, embora fosse com a inesperada Helples! Esse encontro assimétrico, em que eu venero os que estão lá, mas no qual eles gritam o nome da cidade, e nunca o meu (se bem que eu era São Paulo naquele momento!), só podia mesmo terminar com dois petardos primitivos, Hit The Lights e Seek & Destroy (que me fizeram prometer que, se um segundo encontro acontecesse, seriam objeto do meu tributo, com uma camisa do “Kill ‘em All”, cheio de hinos-síntese, recipientes da quintessência do Metallica). E eu já nem sabia como saía do chão com essa história de fazer um escaneamento na cena daquela cidade àquela noite, procurando alguém pra começar uma briga, porque achei que o gás final fora dado em “One”, lá atrás! Só que a loucura é contagiosa, e eu só via gente energizada ao meu redor, então achei que não seria falta de nobreza roubar um pouquinho da deles. É verdade, também, que, depois, já mergulhado no silêncio (pois ainda estava em êxtase e sequer ouvia os bochichos das pessoas ao meu redor), eu demorava 10 segundos para dar dois passos e precisei remar na contra-mão das pessoas que saíam do estádio, rumo aos banheiros. E que depois não sabia se cantava ou não, junto com os são-paulinos, no túnel, que o Corinthians não tinha nenhuma Libertadores e que por isso não precisava ser levado a sério. Porque, francamente, ninguém no Olimpo precisa se preocupar com peixes fora d’água (ou, eu diria, vermes), ainda mais em noite de gala, quando se é anfitrião de uma festa onde ninguém é de partido, ou pelo menos onde, se eu tenho que ouvir Enter Sandman, eles têm de tolerar meu escarcéu quando é a vez do verdadeiro heavy, estilo Harvester of Sorrow (que desafortunadamente só tocou dia 30), ou estilo Battery (que esteve presente apenas no show nos Pampas). Sim, isso significava que ali a distinção entre são-paulinos, corintianos, amantes de músicas que tocam habitualmente numa FM, casaizinhos apaixonados e thrashers porra-louca de plantão era quase nula, se desbotava! O Metallica não agrada tanta gente assim à toa!



    Estranhamente, me senti em casa. Sim, porque não parava de pensar o quanto eu era uma ilha ali, o quanto era absurdo penar tanto para ver apenas 2h, ou quiçá 1h40, de 4 excêntricos empunhando instrumentos pouco ortodoxos, que não emitiam nada, porque o que emitia alguma coisa eram caixas monstruosas bem longe da banda; os responsáveis por todos os transes eram muito menos místicos do que quereríamos, eram computadores, fios, máquinas, engenharia fina, cálculo frio... Agora se pergunte se o fã não se sente vingado de toda essa impessoalidade quando se vê nas letras...



    Dormi pouco, reencontrei o Philippe no aeroporto, também voamos de volta juntos embora não tivéssemos combinado nada disso, e até apertamos a mão do Rodolfo, ex-Raimundos e Rodox, que quase passa despercebido em meio àquela gente, sem fãs nem moscas rondando sua cabeça, andando com sua esposa entre as lojas, prestes a embarcar sei lá para onde (outra grande ironia, chegar a conhecê-lo longe da capital de Brasília, onde nós dois crescemos, embora ele seja de uma ou duas gerações anteriores à minha). Até voltei mais rápido do que imaginava à morosidade candanga, a ouvir outras bandas que destoam do padrão Metallica (ao meu ver, isso iria demorar, depois da magnitude do concerto!). Mas ficou algo pendente e entalado. Não quis descrever tão pormenorizadamente por muito tempo tudo que vivi. Acho que fiquei com medo de que tudo isso se diluísse com comentários dos outros, que não poderiam imaginar com fidedignidade meus percalços até lá e a forma como eu os suplantei ao vivo, como pude, como se tudo se encaixasse, como se eu realmente fosse uma espécie de escolhido... Não, pra que chamar a atenção da cobiça, da invejinha alheia, dos vodus... Eu até esqueci de dizer que a garoa fina cessou completamente logo após o “até a próxima!” do Sepultura... É claro que esses detalhes só parecem poesia na visão dos presentes ao espetáculo. Todo o resto aponta o dedo e ri da cafonice. Só o tempo é que romantiza de uma forma menos pitoresca essas facetas, e nos permite quebrar o silêncio! Agora já não importa o que digam a respeito, esse momento não pode mais ser banalizado! I’m not, anymore, trapped under ice!
  • Incendiando o Morumbi

    4. Feb. 2010, 0:38

    Domingo 31 Jan – Metallica: World Magnetic Tour 2010

    "Tantas coisas pra dizer" -- com essa frase nada metaleira é que eu abriria um relato para qualquer chegado!

    Acabo de aterrissar em Brasília para voltar a respirar esse ar seco, ainda com as pernas arrebentadas de ontem à noite...

    lynnsparrow escreveu: ontem à noite "show mais foda de toda a história (30/01)." :P Mudo a data e não sou tão pretensioso, apenas DA MINHA HISTÓRIA já tá bom... E realmente as duas bandas (Sepultura, uma das bandas mais injustiçadas na sua atual fase, bem como o Metallica é super-odiado, tanto quanto é amado, pelos fãs mais fundamentalistas que não entendem os conceitos dos novos álbuns) foram equilibradas, tocando músicas velhas e novas num compasso perfeito...

    Para alguém como eu, mais "old school", apesar de não ter tantos anos na estrada thrasher, o dia 30 teria sido ainda melhor (será possível?!), com mais músicas do ...AJF; senti que no dia 31 priorizaram o Death Magnetic, o que é estranho, pois essas músicas devem cansá-los muito mais, se eles queriam pegar mais leve! :D

    Fiquei preocupado achando que desprezariam o Kill 'Em All, mas 3 faixas apareceram no fim da set list... Até me rendi à Nothing Else Matters (birra besta); só não embalei com a Fuel, porque aí já seriam revoluções demais para um dia só! Mesmo sem ter ouvido Blackened e Battery (obviamente é inviável agradar gregos E troianos e todos os espectadores dos dias 30 e 31 ao mesmo tempo), One e Fight Fire with Fire valeriam sozinhas o (salgado) preço do ingresso...

    PS1: Não sou paulista, então não sei se podem vender cervejas convencionais em estádios por aí... Aquela Antarctica Sub Zero (Mortal Kombat?) era sem álcool? Porque só fui pensar nisso hoje, acho que fiquei bêbado de um jeito ou de outro! Hahahaha...

    PS2: James, puta cara carismático!!
  • Minhas impressões - METALLICA SÃO PAULO PARTE II

    1. Feb. 2010, 18:30

    Domingo 31 Jan – Metallica: World Magnetic Tour 2010

    "Tantas coisas pra dizer" -- com essa frase nada metaleira é que eu abriria um relato para qualquer chegado!

    Acabo de aterrissar em Brasília para voltar a respirar esse ar seco, ainda com as pernas arrebentadas de ontem à noite...

    lynnsparrow escreveu: ontem à noite "show mais foda de toda a história (30/01)." :P Mudo a data e não sou tão pretensioso, apenas DA MINHA HISTÓRIA já tá bom... E realmente as duas bandas (Sepultura, uma das bandas mais injustiçadas na sua atual fase, bem como o Metallica é super-odiado, tanto quanto é amado, pelos fãs mais fundamentalistas que não entendem os conceitos dos novos álbuns) foram equilibradas, tocando músicas velhas e novas num compasso perfeito...

    Para alguém como eu, mais "old school", apesar de não ter tantos anos na estrada thrasher, o dia 30 teria sido ainda melhor (será possível?!), com mais músicas do ...AJF; senti que no dia 31 priorizaram o Death Magnetic, o que é estranho, pois essas músicas devem cansá-los muito mais, se eles queriam pegar mais leve! :D

    Fiquei preocupado achando que desprezariam o Kill 'Em All, mas 3 faixas apareceram no fim da set list... Até me rendi à Nothing Else Matters (birra besta); só não embalei com a Fuel, porque aí já seriam revoluções demais para um dia só! Mesmo sem ter ouvido Blackened e Battery (obviamente é inviável agradar gregos E troianos e todos os espectadores dos dias 30 e 31 ao mesmo tempo), One e Fight Fire with Fire valeriam sozinhas o (salgado) preço do ingresso...

    PS1: Não sou paulista, então não sei se podem vender cervejas convencionais em estádios por aí... Aquela Antarctica Sub Zero (Mortal Kombat?) era sem álcool? Porque só fui pensar nisso hoje, acho que fiquei bêbado de um jeito ou de outro! Hahahaha...

    PS2: James, puta cara carismático!!





    (Esse vídeo não é meu, foi apenas o 1o que achei numa busca preliminar...)
  • these boots

    2. Jan. 2010, 19:54

    [SOLO: POLAND]

    YOU KEEP SAYING YOU GOT SOMETHING FOR ME
    SOME THINGS YOU CALL LOVE, BUT I CALL SEX
    YOU'VE BEEN KISSING WHEN YOU OUGHT-A-BE-A SCREWING
    AND NOW SOMEONE ELSE CAN KISS YOUR ASS
    THESE BOOTS ARE MADE FOR WALKING
    THATS JUST WHAT THEY'LL DO
    AND ONE OF THESE DAYS THESE BOOTS
    ARE GONNA WALK ALL OVER YOU
    [SOLO: POLAND]

    YOU KEEP LYING AND THERE AIN'T NO BELIEVING
    AND YOU KEEP SAME'N WHEN YOU OUGHT-A-BE-A LEAVING
    NOW WHAT'S RIGHT IS RIGHT BUT YOU AIN'T BEEN RIGHT YET
    THESE BOOTS ARE MADE FOR WALKING
    THATS JUST WHAT THEY'LL DO
    AND ONE OF THESE DAYS THESE BOOTS
    ARE GONNA WALK ALL OVER YOU
    [SOLO: POLAND]

    YOU'VE KEEP DRESSING WAYS YOU SHOULDN'T BE DRESSING
    AND YOU KEEP THINGING THAT YOU'LL NEVER GET BURNED HA!
    I JUST FOUND ME A BRAND NEW BOX SPRING MATTRESS
    WHAT YOU KNOW BITCH YOU GOT A LOT TO LEARN
    THESE BOOTS ARE MADE FOR WALKING
    THATS JUST WHAT THEY'LL DO
    AND ONE OF THESE DAYS THESE BOOTS
    ARE GONNA WALK ALL OVER YOU
    YEAH

    ARE YOU READY BOOTS
    ARE YOU READY BOOTS
    ARE YOU READY BOOTS?
    [SOLO: POLAND]

    AND YOU THINK I'M KIDDING, DONT' YA?!
  • Bands I'll never see live (based in different reasons) in my top 100

    1. Jan. 2010, 14:52

    Black Sabbath w/ Ozzy (though I consider that I've watched Dio's Sabbath, down the name of Havean & Hell due to a justice disclaimer about the rights to use the name, moved by ozzy)

    The Doors (for the obvious reason, but I wait that The Doors of 21st Century arrive at my city again, the last time I lost it)

    Pantera (RIP)

    Pink Floyd - great band

    Led Zeppelin

    Michael Jackson (RIP)

    Death (RIP - lol, that name was perfect)

    Nightwish - think I'd not be motivated - two times in my city and I did not move a finger for them, even with Janet Olzon (don't know how to spell it exactly), who I think is much better than Tarja.

    dream theater - too expensive, too boring sometimes.

    ramones - joey ramone arrived here, but this is not Ramones.

    MD.45 - the band doesnt exist, it was just a break for Dave in 1996

    Dead Kennedys - Kennedys always die...

    Motorhead - lack of motivation

    Stratovarius - imo they suck

    AC/DC - same as Motorhead's

    Raul - Descanse em paz, e "toca Raul!" sempre...

    RPM - Paulo Ricardo viadinho

    Sex Pistols - I'm reaching 23 too, Sid...

    Radiohead - yearch!

    Jun Chiki Chikuma - think it's not even possible

    Tim Paia - D.E.P.

    Frank Zappa RIP

    Loser manos - haha
  • for personal use

    17. Dez. 2009, 2:30

    D - download

    michael jackson
    deep purple D
    diamond
    FRANZ D
    h&h
    the doors
    judas
    iron primeiros
    sepultura a-lex D
    titãs
    dt
    mercyful fate / KIND DIAMOND
    led
    PF
    OZZY
    o rappa
    gloria
    soad
    overkill

    kreator ?
    pantera
    SUICIDAL D
    mega
    bs



    pennywise faith no more D
    raul seixas D
    tim maia d

    testament d
    anthrax exodus d
    sodom D
    iced D


    meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
  • MEU TIME É MICHAEL JACKSON MAIS 10

    9. Dez. 2009, 23:14

    Algumas considerações sobre atualidades, coisa que tenho me preservado de fazer nesse blog...

    ...sem esquecer do meu projeto filosófico


    A década 2000 (estranho nome para uma década), todo mundo sabe, é a mais fraca em termos musicais, desde que ouvir e fazer (quem não tem ou teve uma bandinha ou quem não experimentou aqueles softwares que não exigem o menor conhecimento da escala musical por parte do operador?) Música se tornou natural, popular, descaracterizando, aliás, esse “M” maiúsculo de Música, provavelmente uma herança das Musas gregas, privilégio de poucas almas nobres...

    “Geração banda-larga” é como apelido essa safra de adolescentes (de até 30 anos!) orkuteiros e usuários do Last.fm, a nova usina sonora do mundo. Obviamente, eu tenho conhecimento de causa porque possuo contas nos dois universos: estas redes são mais do que simples voyeurismo. Agora são sites os melhores termômetros para medir o alcance e o impacto de um artista consagrado ou de uma revelação.

    Nos charts do Last, que não devem ter mais do que seis anos de rodagem – o que permite algumas distorções, como pensar que Green Day (64 milhões de execuções) e U2 (56 milhões de faixas até este momento) são melhores, mais influentes e mais importantes do que foram Ray Charles (8 milhões) ou Jimi Hendrix (25 milhões) –, os líderes incontestáveis são Radiohead e Beatles (173 e 171 milhões de captações, respectivamente). Completando o pódio, um sonolento Coldplay – o que salva um pouco é que o Metallica vem logo a seguir. Os Beatles, o único desses grupos que não está mais na ativa, é um caso à parte, já que o Last.fm adora entronizar os fogos-de-palha. E não tem outra pretensão, pois não passa da ponta de um iceberg de alguns séculos de História.

    Esses números, lembrando, só crescem, pois vão da inauguração do serviço até aqui. Um golpe do acaso, semana passada, deixou bem claro o quanto esse tipo de ranking por contagem absoluta é falho: a morte de Michael Jackson, aos 50 anos. Ele pulou do sexagésimo sexto lugar para o primeiro, no recorte semanal. Imagine as estatísticas do “dançarino da Lua” se existisse o Last nos anos 80! Se ele vendeu quase 1 bilhão de discos, do que seria capaz no domínio virtual das coisas grátis?

    Bastaria um pouco de senso crítico para notar o quanto o “soma” (narcótico pacificador, “anestésico mental”, do Admirável Mundo Novo do escritor britânico Aldous Huxley) radiofônico (falo do rádio na era da Internet) é o grande responsável por um certo cheiro de tecido podre no ar. O que estou dizendo é que a decadência da Música nasce da surdez dos ouvintes! Esse movimento de inércia – navegar nas estações e se deparar com os mesmos padrões (ou o mesmo padrão, sem espaço para nada diferente), abrir o perfil do colega e ver as desgraças culturais habituais –, essa falta de ponderação com respeito ao que se vai meter goela abaixo, fazem com que a esquizofrenia eletrônica martirizante de um Rádio-Cabeça qualquer esteja no topo de alguma lista que não “as principais causas da sua cefaléia crônica”! Me faz lembrar inclusive de uma passagem d’A Ideologia Alemã de Marx, que ataca seus conterrâneos afirmando que eles nada mais produziam que uma ansiedade verborrágica cortante pelo Apocalipse, cristãos que eram, prontos a marcar o compasso desse clímax chamado Juízo Final com as guilhotinas da Revolução Francesa. É bem essa a idéia da automação radioheadiana – um intuito fracassado apesar de qualquer número que deponha em contrário, deveriam admitir os membros da banda. Um som desprovido de humanidade.

    Quando ocorre uma pequena fissura neste mecanismo “pastoral”, a nostalgia entra em campo: mas se foram feitas músicas sublimes e excepcionais nos anos 70 e 80, o que as impede de voltarem? “A tecnologia”; “a falta de inspiração”; “sorte”... Tudo balela. A despeito do caráter prometéico e irrepetível do Rei do Pop, o destino da música deveria depender estritamente de talento, discernimento (para não jogar todo o dom na privada – reparar que a noção que se tem de um artista é a de um gênio louco, alguém que vive perdendo as estribeiras e age sem coerência, engodo que precisa ser descartado) e CORAGEM, o que vem minguando de uns aninhos pra cá. Como o homem tem sempre a possibilidade da escolha, mas se tornou medroso demais para admitir, contenta-se com o “menos pior”, o pastiche cultural contemporâneo. “Inventar dói, vamos apenas testemunhar as infindáveis oscilações do pêndulo do relógio desse moto perpétuo chamado mundo.”

    A década de 90 é intermediária entre essa fraqueza que reina hoje e a pujança que já se viu no Pop, no R&B, na Música Popular Brasileira, no Heavy Metal e nas demais searas da indústria fonográfica. Não faz três dias que vi um episódio dos Simpsons que é uma aula de História da cultura: Homer e Marge contam aos seus filhos, à lareira, as circunstâncias em que Bart veio ao mundo, os atribulados anos 90 (curiosamente, o desenho data deste período, mas a cada ano os personagens são apresentados com a mesma idade, repaginados para o contexto, como é o caso agora, dos anos 2000). Nessa “realidade alternativa”, enquanto Marge começava a faculdade, Homer dava um duro danado na loja de paintball do pai e ainda arranjava tempo para ser o líder carismático de uma banda, o Sadgasm (Tristorgasmo, na melhor tradução), paródia do niilista Nirvana. Uma época em que ainda havia um gênio criador, mas que, por não encontrar destinatários à altura para seu grunge, acaba se auto-destruindo. É um marco divisório: a negação da arte. O preferir-morrer anunciado pelo próprio Dioniso. A estética ocidental na sua agonia entrópica.

    Está certo que não é “culpa” da Música: esta bomba de efeito retardado (sim, primeiro o relâmpago, depois o trovão!) só aterrissou na década de 90. O próprio Espírito da Música está fatigado, quer colapsar. Antes a moral burguesa já havia detonado muitas outras belezas. Arruinaram a Política, transformaram a vida num cardápio e tornaram onipresente a promessa de um Além. É sintomático que o próprio Kurt Cobain tenha batizado seu projeto de Nirvana: porque aqui é o insuportável reino da imperfeição. Mas querer a paz é justamente o motivo da decomposição do tecido. O que restaria para ser contado? Sempre que ouço uma boa canção penso em Homero: façanhas e proezas quase impossíveis, o desafio complicado e aterrorizante, a condição humana. Somos músculos e sangue, e, portanto, devemos usá-los e arriscá-los.

    O que minha bola-de-cristal diz? Que viveremos as décadas de 10 e 20 na mesma missa cibernética, cheia de espasmos e espirros. Como ouvintes estamos doentes e não suportamos um olhar no espelho. Mas episodicamente um Dante ou Colosso nos visitará, como aconteceu em 2008 com o Death Magnetic, o literal re-despertar de um gigante.

    ***

    MICRO-SABEDORIA

    Antipatia por pessoas é algo que faz bem! Não transfira ao mundo inteiro – não amaldiçoe tudo, procurando causas primordiais imaginárias – o ódio por conta de uma babaquice que só pode ser explicada pela própria vontade do autor de cometer a babaquice!

    Alguém sempre transborda. Outros, sorvem.
  • 15 MINUTOS DE FAMA (DOS NINFOMANÍACOS DA UNB)

    18. Nov. 2009, 17:31

    Abaixei as calças, deixei-me fotografar, tornei-me uma celebridade. A vida andava meio... entediante. Mas salvei o dia! Amanhã eu penso em outra traquinagem boa o suficiente para interessar a um jornalista. Tarefa essa cada vez mais capciosa, uma vez que os jovens estão “botando pra quebrar”. E há jovens de todas as idades...



    Terei eu logrado a eternidade, com um pequeno espaço no pior papel do mundo (aquele que desmancha quando chove)? Me impressiona as pessoas ainda terem olhos para penetrar nesse preto borrado depois de três séculos! Borrado por borrado, prefiro pagar para lerem meu destino no fundo da xícara de café.



    E não somos uns carolas reacionários puritanos? Até aqueles à flor da pele acham histriônica a idéia da nudez. Uns ridículos de reitoria desfazendo os anos 60...



    Pergunta: por que só tem mulher horrorosa nesses “atos”? (Sobre o ATO – como vulgarizar peças de teatro: chamando o burburinho dos rebeldes sem-causa de AÇÃO. Muito fácil ser ator!)



    Unindo o útil ao agradável: quem luta pensa que “sofre pelos outros”. Sofrendo estou eu, nesse calor, com vontade de tirar a roupa mas guardando lá minha dignidade e inocência – quando fico pelado, não é para causar sensação, mas para lembrar que ainda sou gente.
  • MAIS CHATICES INSTANTÂNEAS...

    28. Sep. 2009, 19:07

    FAÇA O SEU!

    me entristece:
    Nelson Gonçalves & Raphael Rabello - Naquela Mesa

    me alegra:
    Ultraje a Rigor - qualquer uma...

    diz muito sobre mim:
    Black Sabbath - After Forever / Under The Sun

    me faz lembrar de um lugar:
    Caetano Veloso - A Luz de Tieta

    me faz ponderar a vida:
    Black Sabbath - Wheels of Confusion

    estou viciado no momento:
    Sepultura - álbum A-Lex (Sadistic Values, por exemplo) / Metallica - Leper Messiah, One... / Michael Jackson - Billie Jean, Beat It... / Pink Floyd - algumas... e poraí vai!

    tocaria no meu casamento:
    Megadeth - 1000 Times Goodbye / Promises (não vou casar)

    tocaria no meu funeral:
    Metallica - To Live is to Die, qualquer uma da fase final do Death ou Control Denied... Sepultura seria irônico além da conta, hehe...

    faz meus amigos lembrarem de mim:
    Megadeth - Symphony of Destruction

    gostava, mas agora não mais:
    Slipknot - Wait & Bleed

    admito que eu gosto:
    Reginaldo Rossi, mas tá no top50, haha! Ivete Sangalo - Berimbau Metalizado (hm, acho que ela se inspirou em alguma coisa...)

    faria tudo para ouví-la num show:
    Metallica - Fight Fire with Fire

    me faz lembrar minha infância:
    Trem da Alegria - He-Man

    parece com a minha adolescência:
    Nirvana - Smells Like... / Papa Roach - Broken Home

    me faz sentir bem:
    Hein?! Bebo pra ficar mal, mas ouvir música... Que tal um Panterinha pra aquecer pra noitada?

    muitas pessoas gostam, mas eu não:
    U2, Matanza...

    ninguém liga, mas eu amo:
    Suicidal Tendencies, sem dúvida! Algumas faixas B do ...And Justice for All... O último CD do Black Sabbath...

    gosto da letra:
    Alice Cooper - Lost in America (veja no menu à direita do meu perfil, mais embaixo)

    é melhor quando tocada no carro:
    Quase todas, hahaha... Ok, eu gosto de uma bossinha, coisa mais erudita pra qual não tenho paciência no PC... Um dia ainda experimento levar Miles Davis pro carango de alguém, já que não tenho um...

    gosto, e meus pais também:
    Por incrível que pareça esse denominador comum existe: Raul Seixas... Agora imagina ir de carro de Brasília a Fortaleza com um CD Best of tocando o tempo todo, hahaha...

    gosto, mas meus pais odeiam:
    Todo o "rock pauleira" do universo...

    tocaria na minha festa:
    Vamos ver algo light e democrático... Orishas!

    tema de um dos meus filmes favoritos:
    Essa é fácil... Twist and Shout dos Beatles, em Ferris Bueller's... E a Quinta de Beethoven em Elefante... Radiohead em Clube da Luta (embora dê sono)... Sobre Beethoven: esse é um senhor clássico de longas, também marca presença em Clockwork Orange!

    me faz querer estar sozinho:
    Judas Priest - Prisoner of Your Eyes

    me faz sorrir:
    Raimundos - Me Lambe

    me marcou:
    Tihuana - Por Que Será? / O Rappa - Honey baby / Planet Hemp - Mantenha o Respeito

    me toca:
    Amy Winehouse - Back to Black

    me anima:
    Metallica - Motorbreath / Megadeth - Rattlehead

    me lembra alguém especial:
    Roberto Carlos - Ciúme de Você (putz...)

    não é do meu "tipo" mas eu gosto:
    Black Eyed Peas - o cd de 2005 / O Surto - A Cera / Richard Clayderman

    posso cantar bem:
    Tá zoando, né? Tim Maia - Me Dê Motivo?! Hahahaha... King Diamond, Overkill, sei lá...

    gosto, mas é só instrumental:
    Banda? Ah, vai a trilha sonora de Dragon Ball e alguns jogos...

    não foi lançada agora, mas adoro:
    Não sou de ouvir modinha - que tal What's Up do 4 Non Blondes? Inesgotável...

    para se cantar bêbado:
    Zezé di Camargo e Luciano

    para se dançar bêbado:
    Michael Jackson - irríí!

    queria ter a voz de:
    Dio, Tony Martin, Robert Plant, Jim Morrison?

    queria ter o talento de:
    Qualquer grande baterista/letrista...

    primeiro amor:
    Não riam: uma da Angélica ae...

    primeira vez?
    Uhuhuhaha... Maroon 5 - This Love. Tava ligado na MTV hahaha...

    ¤ ¤ ¤

    Uma música para cara dia da semana.

    Domingo: Ultraje a Rigor - Domingo eu vou pra praia
    Segunda: Iron Maiden - The Ides of March
    Terça: Black Sabbath - Dirty Women
    Quarta: Ozzy Osbourne - Mr. Crowley / podia ser aquela do Juanes: "miércoles por la tarde y tu que..."
    Quinta: Mercyful Fate - Room of Golden Air
    Sexta: Pink Floyd - Hey You
    Sábado: Pantera - Cemetery Gates
  • Intermináveis perguntas - para passar o tempo!

    13. Sep. 2009, 3:00

    (escrevi com certa pressa e despreocupação... Se houver erros de que não me dei conta, um dia eu conserto.)

    1, What's your favorite song by 15? Pink Floyd
    Creio que a atmosfera de 'Hey You' seja inigualável, afora as histórias e pessoas a que ela remete...

    2, How did you get into 19? Slayer
    Nem mesmo sei porque esta banda ocupa tal posição privilegiada. Talvez porque eu tenha realmente me comprometido a conhecer o início da carreira dos "diabólicos do Big Four" do thrash metal americano... Para mim, que ainda não conheço Anthrax com suficiência, esta é a banda mais fraca do trio que completa com Megadeth-Metallica. As letras ocultistas não me envolvem, e sinto falta de muitos elementos nas composições. Quase todos os meus amigos de gosto parecido com o meu têm uma opinião diametralmente oposta à minha. Não enxergo uma mudança nesse quadro, mas não significa que evitarei escutá-la doravante... Meu álbum favorito - em mais um arroubo alternativo! - não é Reign in Blood, mas Seasons in The Abyss! South of Heaven também é brilhante (na proporção do talento da banda). Ainda distante das gravações épicas do movimento thrash.

    3, Who is your favorite member in 1? (Megadeth)
    Pergunta muito fácil de responder: Dave Mustaine, o único homem que participou e participará de qualquer das formações da banda...

    4, Whats your favorite lyric bit by 29? (Adriana Calcanhotto e Strokes)
    Temos um empate aqui! Como não me interesso tão avidamente por Str., responderei apenas pela musa brasileira... Devolva-me é tocante.

    5, Have you ever seen 22 live? (Rammstein)
    Quem dera! Seria um showzaço, mas só iria se fosse aqui em Brasília ou em cidades mais próximas como BH ou Goiânia.

    6, What's your favorite album from 10? (Orishas)
    O fino desta banda cubana é "Emigrante".

    7, Do you own any merchandise from 3? (Metallica)
    Dois álbuns (S&M e Death Magnetic). Estou loucamente atrás do ...And Justice For All e de sua camisa branca, pouco convencional para bandas de metal.

    8, What is a good memory you have of 7? (Sepultura)
    Durante uma das noites em que estava conhecendo os quatro primeiros álbuns desta que foi o maior marco metaleiro em termos de Brasil, conversava com uma amiga chamada Raquel; as letras das faixas do CD Schizophrenia e meus próprios pensamentos estavam em tal simbiose que este dia ficou gravado. Fase niilista em que preferiria sumir do mapa, não enxergava um sentido para a existência. Neste exato momento estou ouvindo Sepultura (CD A-Lex), e em exatos 7 dias os assistirei ao vivo pela primeira vez na vida! Quando a enxergar finalidades para o devir, hoje não sou tão amargo e oprimido quanto antes...

    9, Is there a member of the same age as you in 2? (Black Sabbath)
    Haha, nunca! Para se ter idéia, quando nasci a banda já estava no estúdio para gravar seu décimo quarto álbum!

    10, When did you first get into 8? (Judas Priest)
    Não me lembro ao certo. Painkiller deve ter-me sido apresentada entre 2002 e 2004. Posteriormente, minha amiga Isabela me apresentou Diamonds and Rust, o que me fez me interessar bem mais por Halford & cia. Foi ano passado, no entanto, que vim a conhecer todos os (históricos) discos! E este ano comprei meu primeiro original, o inesquecível trabalho de 1990. Puro peso!

    11, Who likes 4 along with you? (Iron Maiden)
    Talvez o mundo todo! Quando eles vieram tocar aqui, todo chicleteiro se sentiu impelido a ir, quem dirá a legião de headbangers! Brasil e Iron Maiden é um caso sério de amor, e não são poucos os ouvintes que classificam esta banda como a maior da História. Não seria tão incisivo, mas merece o meu quarto lugar...

    12, Which song did you first hear from 16? (Pantera)
    Cowboys From Hell, é claro.

    13, What song made you fall in love with 5? (Ultraje a Rigor)
    Nós Vamos Invadir Sua Praia, Eu Me Amo, Mary Lou, Inútil, Rebelde Sem Causa, Pelado, Nada a Declarar... Essa banda tem uma discografia repleta de clássicos, todos no mesmo nível!

    14, Which song do you not like by 18? (Ozzy Osbourne)
    Acho que não morro de amores por I Don't Wanna Stop...

    15, Why do you like 14's songs? (The Offspring)
    Caso clássico de banda que gera confusão ao citá-la como uma de minhas preferências... O TO que eu aprecio já morreu há muito tempo; quando eles faziam jus à raiz punk estes músicos compunham um grupo bem bacana; hoje são apenas mais um dos radiofônicos de qualidade duvidosa... Mas o curioso é que comecei por ouvi-los já nesta fase comercial, ainda moleque. No CD Americana eu gostava dos refrões grudentos. Mais maduro, diria que o que os torna respeitáveis para mim são a pegada veloz da bateria e a agressividade e simplicidade das letras... Fúria sem firula!

    16, Where did you first hear 6? (The Doors)
    Em casa, provavelmente "roubando" o Box Set Live Edition do meu irmão mais velho, que sempre foi louco por eles! Eis um dos raros pontos de convergência entre nossos gostos musicais...

    17, How long was 20 a singer before you liked them? (Titãs)
    Bom, os Titãs já tiveram muitos vocalistas, e as deserções dos membros foram tantas que nem sei quem desempenha a função hoje. De qualquer modo, esta é outra banda "Offspring" da minha lista - gosto apenas dos seus primórdios! E seus primórdios datam de 1980 ou proximidades. Portanto, só mais de 20 anos depois eu os descobriria como um bom som...

    18, Does 13 have a song that gives you a bad memory? (Suicidal Tendencies)
    Não!

    19, When did you get into 17? (Nightwish)
    Nunca fui fanático por Nightwish, mas ouço com certa regularidade desde 2003 ou 2004...

    20, How long have you been into 9? (Kittie)
    Sete anos (o tempo passa - ainda assim achei que seria mais tempo)!

    21, If 11 had a concert 300 miles away, would you drive there to see them? (O Rappa)
    Não, só iria se o show fosse em Brasília, barato e bem localizado...

    22, How many CDs do you own of 12? (System of A Down)
    Os do vizinho contam? Hehe, brincadeira... Mas lembro que minha mãe certa feita o presenteou com o Steal This Album!, então é como se fosse meu, porque proveio da renda que sustém minha casa! Enfim... Eu não tenho um que posso chamar realmente de meu, apenas downloads ilegais...

    23, Does 21 have a song that makes you cry? (Michael Jackson)
    Putz, 21! Acertou em cheio se queria perguntar sobre um artista emotivo! MJ faz parte da minha infância, e da infância de todos que nasceram na era da música pop... E como não se sentir no mínimo baqueado ao ouvir Billie Jean após sua morte, cujas lyrics são bastante afins com minha vida?

    24, Does 27 have a song that makes you happy? (Ramones)
    Ramones foi feito pra agitar em galera!

    25, Does 23 have a song that makes you smile? (Caetano Veloso)
    Sim, muitas desse baiano produzem tal efeito!

    26, What's the last song you've listened to from 28? (Adriana Calcanhotto e The Strokes)
    De novo esta dupla tão heterogênea! Simplesmente não sei responder, nem mesmo qual dos dois artistas eu escutei por último!

    27, Is there a song by 32 that you've listened to more than 30 times? (Charlie Brown Jr. e Dream Theater)
    Impossível, primeiro porque DT é chato na maioria das vezes; segundo porque a carreira do Chorão decaiu muito e Rubão (minha preferida do CBJr.) não deve ter tocado sequer 20x...); terceiro porque apenas algunas canções têm esse privilégio no meu Last.FM: Countdown to Extinction, Never Walk Alone (Megadeth), You Know I'm No Good (Amy Winehouse), Ride The Lightning e Lepper Messiah (Metallica).

    28, What is a song from 50 that you've only listened to once? (Raimundos)
    Raimundos é marcante. Não conheço todas as músicas, porém as que guardo no PC foram experimentadas várias vezes...

    29, Is there a song you are sick of hearing by 24? (Gabriel, O Pensador)
    Sim, seu dueto com Lulu Santos em Astronauta e algumas das faixas menos qualificadas do CD Quebra-Cabeça...

    30, What song got you into 40? (Crematory)
    Procedência da "Greed": um VCD maligno de bandas de Black Metal aleatórias de um drogado da minha última escola do ensino médio... Imagine ver clips macabros sob o efeito de haxixe! Nunca repeti(ita) a experiência... Sobre a faixa, ela realmente é a melhor da banda que já escutei, e me levou a fazer o download do álbum...

    31, What is your favorite single by 25? (Led Zeppelin)
    Por total ignorância da relação de singles desta que é uma das mais invocadas bandas do universo, vou citar apenas uma música: Achilles Last Stand.

    32, If 49 hated you, what would you do? (Franz Ferdinand)
    Diria que apesar de detestar bandas do estilo indie rock, até comprei um CD deles! Na era da internet e downloads fáceis, isso é de se admirar, e eles teriam sempre de se dirigir a mim com algum respeito!

    33, What would you say if 42 or one of the members from 42 asked you out? (Mamonas Assassinas)
    Curiosa pergunta! Certamente eu não viajaria de avião com eles!

    34, Would you care if 34 had a boyfriend/girlfriend? (King Diamond)
    Haha, eu me espantaria se soubesse que o anticristão KD é um cara casado!

    35, Who has the best voice in 46? (Deep Purple)
    Gillan!

    36, Do you think 26 is/are good looking? (Red Hot Chili Peppers)
    Essa pergunta só podia se referir a esses caras! O vocalista é um doidão que vive sem camisa nos clipes e shows. Dizem que é gay. A banda deve ser toda composta de "tolerantes sexualmente". Não é para meu bico, certo? O rapaz faz certo sucesso com as moças e moços, vou me limitar a dizer isso.

    37, How many times have you listened to your favorite song by 36? (Kreator)
    Não tenho uma favorita, porque ouvi a banda muito pouco. Endorama deve ter perto de 10 execuções, no entanto, e esta é a primeira faixa que conheci.

    38, How many CDs do you own of 30? (Queens of The Stone Age)
    Zero, embora é como se eu realmente tivesse o Songs for The Deaf, já que na época (ainda o ano de 2002, primórdios das minhas internetagens) usei uma mídia virgem e meu recém-adquirido gravador de CD para me auto-presentear com esse incrível lançamento (à época). Nutro bastante carinho por esta fase do grupo de hard rock!

    39, Is there a song from 38 that makes you mad? (Ratos de Porão)
    Quase todas, olha só de quem você está falando! Crucificados pelo Sistema!!

    40, Which member from 31 do you want to see go solo? If 31 is only one artist, what would you do if they joined a group? (Death)
    De fato, o Schuldiner já se aventurou num projeto paralelo. Digamos que ele sempre foi o faz-tudo de suas bandas, sem ele os trabalhos não teriam alma...

    41, What does your favorite song from 48 remind you of? (Stratovarius)
    Minha pré-adolescência.

    42, Did you hate 43 at first? (Rogério Skylab)
    Diria que foi difícil conceber seu som, porque ele é bem diferente do resto!

    43, Does your best friend also listen to 33? (Charlie Brown e Dream Theater)
    Meu melhor amigo não ouve nada, até onde sei. Um clássico caso de esquizofrenia. Mas peguemos, para não deixar esse exercício mal-feito, meu "melhor amigo de Internet e de last.fm", o Túlio. Também acho que ele detestaria parar para escutá-los!

    44, Do you think your parents would like 37? (Mercyful Fate)
    Eles prefeririam morrer a escutar esse "rock pauleira" difícil de engolir para cinqüentões!

    45, Does 47 have a song that makes you want to dance? (Mötorhead)
    Depende do que significa dançar... Danço apenas com a cabeça, convencionalmente!

    46, Have you ever seen 41 in person? (MD.45)
    Sim! Estive a dois metros do Mustaine, embora fosse um concerto por outra banda!

    47, Do you like 44's name? (Reginaldo Rossi)
    Sim. E o apelido é ainda melhor: o Rei do Brega!

    48, Is there someone in 45 that you want to go out with? (Korn)
    Não.

    49, Do you know anyone that hates 39? (Amy Winehouse)
    Conheço pessoas que detratam sua vida pessoal (não é muito difícil de imaginar isso); mas inegavelmente ela é talentosa.

    50, Have you ever danced to a song from 35? (Slug)
    Já pulei bastante, inclusive testemunhei um grande show deles em que tiraram de letra o Ride The Lightning, do início ao fim!