Julian Plenti is... Skyscraper

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21. Jul. 2011, 2:21



Durante muito tempo tive três bandas acima de todas as outras. Minha “Santíssima Trindade” eu dizia. Eram Radiohead, Nine Inch Nails e Muse (sempre nessa ordem). Porém, expectativas mudam, e depois do fraco Black Holes & Revelations e do péssimo The Resistance, retirei o Muse dessa lista – apesar de Absolution permanecer eternizado como obra de arte. Hoje, se me perguntar, direi que meu lado A venera Radiohead, e meu lado B se alimenta de Nine Inch Nails – com o Interpol seguindo de perto os dois.

Por isso minha surpresa ao descobrir que Paul Banks, o faceman do Interpol possuía um álbum solo lançado há quase um ano. Sob o pseudônimo de Julian Plenti, Banks reúne as músicas que compôs ao longo de dez anos em um projeto pessoal – mas que soam muito próximas das composições de sua banda. Algo semelhante ao que fez Thom Yorke, que, solitário, produziu um trabalho mais íntimo. Banks/Plenti faz o mesmo, com composições leves, despretensiosas e experimentais, onde afirma, faixa a faixa, sua própria identidade. Ele aposta em uma voz mais calma e introspectiva do que nos trabalhos do Interpol (algo como A Time to Be So Small ou Not Even Jail). Contido, mas sem furtar-se de criar letras cheias de metáforas e jogos de palavras. É, sem dúvida, um trabalho subcutâneo, desde a primeira (e minha preferida) faixa, Only If You Run até a viagem de H. As cordas que ressoam belas em Skyscraper, Madrid Song e On the Esplanade trazem um saudosismo inesperado, enquanto a guitarra e poesia melancólica de Fly as You Might persistem na mente por um longo tempo, encontrando certo eco na frágil No Chance Survival. São momentos de um desalento maduro, apaixonados, onde Banks expõe seu flerte consigo mesmo sob ocasionais texturas eletrônicas.

Mas Julian Plenti Is... Skyscraper não se resume apenas a baladas intimistas. O álbum também soa visceral como Interpol em diversos momentos. Chega a ser inegável as semelhanças ao longo do projeto. Game For Days e Unwind são tão Interpol que poderia facilmente entrar em Our Love to Admire (2007) sem causar estranheza. Acabam cumprindo o pedido de Banks em “Skyscraper” ao versar “shake me, shake me / Skyscraper”. No fim, o álbum não possui os picos catárticos característicos do Paul Banks que conhecemos, mas funciona como uma prazerosa subida a um aranha-céu, guiada por esse tal Julian Plenti.

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