• A volta de Max Cavalera

    27. Feb. 2012, 22:16

    Por Felipe Branco Cruz

    Com ajuda dos fãs, o Soulfly, liderado pelo ex-vocalista do Sepultura Max Cavalera, volta ao Brasil para divulgar seu novo disco, Enslaved, o oitavo da banda fundada há 15 anos. Ontem, o grupo se apresentou em Goiânia e hoje é a vez de São Paulo, no Via Marquês. No domingo, sobe ao palco do Circo Voador, no Rio. Os fãs, por meio de financiamento coletivo, compraram cotas de patrocínio que bancaram a turnê nacional.

    “Achei super legal o movimento deles, principalmente, porque faz 12 anos desde a última vez que nos apresentamos no Brasil”, diz Max, que conversou com o JT por telefone, de sua casa em Phoenix, nos EUA. “Tocamos em lugares muito ocultos da China e Sibéria, e nada de voltar para o Brasil.” A apresentação na capital paulista terá sabor especial para o vocalista e guitarrista. “O Iggor (seu irmão, ex-baterista do Sepultura) vai participar do show e meu filho Zyon, de 18 anos, também”, contou ele.


    Na última semana, Max foi diagnosticado com paralisia em um nervo facial. A doença, de causa desconhecida, deixou metade do rosto do vocalista sem movimento. A assessoria de imprensa do grupo informou que Max está bem e sendo tratado com antibióticos. O vocalista se recupera bem e o show desta noite está confirmado. A última apresentação que o Soulfly fez aqui no Brasil foi no festival Abril Pro Rock, em 2000. O músico, no entanto, já se apresentou no País com sua outra banda, o Cavalera Conspiracy, junto com Iggor, abrindo o show do Iron Maiden no estádio do Morumbi, no início do ano passado, e também no festival SWU de 2010.

    No repertório da apresentação, estarão sucessos de todos os oito discos do Soulfly, além de músicas do Cavalera Conspiracy e do Sepultura até o disco Roots, de 1996. “Vai ser um show tipo Greatest Hits”, diz Max.

    A participação do filho Zyon não será inédita. Max conta que já chegou a cogitar integrar o garoto à banda. “Ele é um bom baterista, mas o David Kinkade (baterista oficial do grupo) tem uma pegada mais death metal”, explica. A ligação do adolescente com a carreira do pai é longa. Quando ele ainda estava na barriga da mãe, as batidas do coração de Zyon foram usadas na abertura de Chaos A.D., álbum do Sepultura, lançado em 1993.

    Naturalizado americano, Max se atualiza sobre as notícias daqui por meio do irmão Iggor. “Sei que o Palmeiras está uma merda”, diz. Mas a distância parece deixá-lo imune aos fenômenos da música sertaneja pop. Quando questionado sobre o fenômeno Michel Teló, sensação das rádios e dos programas de TV, ele pergunta, curioso: “Que tipo de música ele faz?”.

    Sem previsão de voltar a morar no Brasil, o músico planeja temporadas por aqui no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro – lá nasceu o disco Beneath the Remains, do Sepultura, em 1989. “Esse álbum nos lançou internacionalmente”, lembra. “De dia, uma banda pop gravava. Depois, gravávamos madrugada adentro.” Outra alternativa para passar mais tempo no Brasil, diz Max, é fazer nova turnê, desta vez por cidades como Belo Horizonte, Manaus, Recife, Natal e Porto Alegre. “O show em São Paulo é só o começo do meu reencontro com o Brasil.”

    O vocalista adiantou detalhes da autobiografia A Boy From Brazil, que está preparando. “Vou falar da morte do meu pai, do começo do Sepultura e de tudo que rolou depois”, conta. A obra terá prefácio assinado por Dave Grohl, do Foo Fighters, além de entrevistas com Ozzy Osbourne, Slayer e Sean Lennon (filho de John Lennon), além do próprio Grohl. Andreas Kisser, atual guitarrista do Sepultura, porém, não está nesse rol. Da ex-banda, os únicos entrevistados serão Jairo Guedes (primeiro guitarrista do grupo) e o irmão Iggor. “Não tenho contato com Andreas. Mas não é nada contra a banda. Não existe guerra. Já passou muito tempo”, diz ele. “Ainda tenho a esperança de um retorno da formação original. Mas, por enquanto, não existe nenhuma conversa.”

    A voz gutural que é reconhecida em todo o mundo
    Assim que deixou o Sepultura, em 1997, após desentendimentos com os integrantes da banda, inclusive com seu irmão Iggor, Max fundou o Soulfly nos Estados Unidos. Logo em seguida, a banda recebeu críticas elogiosas ao novo som, uma mescla daquilo que Max vinha desenvolvendo no Sepultura, com elementos que remetiam <QA0>

    a um heavy metal mais tribal, world music e música brasileira, tendo como influência bandas como Nação Zumbi, e as gringas Deftones e Limp Bizkit. O som do Soulfly, no entanto, não tem nada a ver com essas bandas. Ele está muito mais próximo do death metal do que qualquer outra coisa.

    O último álbum da banda, Enslaved, que Max está promovendo no Brasil, foi lançado neste ano e segue a linha tribal, da qual a banda se afastou um pouco nos últimos discos.

    Se no Brasil Max Cavalera é pouco conhecido fora do âmbito dos fãs, no exterior, sua voz gutural ecoa com mais força e ele é considerado um dos grandes nomes do heavy metal mundial.

    Max CavaleraCavalera ConspiracySepulturaSoulfly
  • O novo disco de Paul McCartney - Kisses on the bottom

    7. Feb. 2012, 12:31

    Aos mestres, com carinho

    Paul McCartney reverencia influências musicais em disco que reúne clássicos da canção americana

    Por: Felipe Branco Cruz
    Fonte: Jornal da Tarde

    A cena foi descrita pelo próprio Paul McCartney, de 69 anos, em entrevistas à imprensa internacional. Para ele, seu novo disco Kisses On The Bottom, que chega hoje ao Brasil – após lançamento mundial ontem –, é um daqueles CDs que “escutamos ao voltar do trabalho, com uma taça de vinho, ou uma xícara de chá”. De fato, o novo trabalho do ex-beatle, o 15º de sua carreira solo, é leve, intimista e simples. Para o repertório, ele escolheu gravar clássicos do jazz do início do século 20 e standards da música americana que eram cantados por seus pais nas noites de Ano Novo.

    No álbum, há apenas duas canções inéditas compostas por Paul: My Valentine, escrita, segundo o próprio músico, num Dia dos Namorados chuvoso no Marrocos, com sua mulher Nancy Shevell. Nesta canção, Eric Clapton empresta sua guitarra para um certeiro solo. Sua outra música é Only Our Hearts, que conta com a gaita de Stevie Wonder.

    A cantora e pianista Diana Krall também participa do disco como produtora, ao lado do produtor veterano Tommy LiPuma (que já trabalhou com nomes como Barbra Streisand e Miles Davis). Diana toca piano no álbum e cedeu os músicos de sua banda para gravarem também algumas canções.

    Durante 50 minutos de audição, Paul brinda o ouvinte com emocionadas interpretações para 14 canções como It’s Only a Paper Moon, Always, My Very Good Friend the Milkman e Bye Bye Blackbird. O título do álbum, Kisses On The Bottom, faz referência à letra da música I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter (gravada por Frank Sinatra em 1954, no seu álbum Swing Easy) – e que, se for traduzido ao pé da letra, significa‘Beijos no Traseiro’. Nele, Paul, que não lançava um disco de estúdio desde Memory Almost Full, de 2007, faz um trabalho singelo, despretensioso e que cumpre o que promete: homenagear os mestres do jazz que o influenciaram. De acordo com o músico, o trabalho foi a forma que ele encontrou para conciliar sua vocação musical com a vontade de descansar, conviver mais com a família e resgatar suas memórias. A sensação que se tem é a de estar ouvindo a trilha sonora de um filme de Woody Allen.

    Sir Paul McCartney já é um senhor de quase 70 anos. Portanto, nada mais natural que queira desacelerar um pouco. O problema é que ele não desacelerou. Pelo contrário. Ainda para este ano, ele planeja lançar outro disco, só que desta vez de inéditas. Mas Paul não adiantou como será. Em entrevistas, ele brincou dizendo: “Talvez não seja pop, talvez seja rock, talvez psicodélico... Quem sabe?”.

    Não é cover. É homenagem
    Em Kisses On The Bottom, Paul não toca nenhum instrumento. O trabalho todo foi deixado para os amigos. No álbum, ele atua apenas como intérprete. “Há anos, eu queria tocar algumas velhas canções da geração dos meus pais”, disse o músico, em depoimento a jornalistas no exterior. “Não tive a impressão de ter tido um trabalho duro nesse disco.”

    Não cabe também chamar este de um álbum de covers. Para Paul, é uma homenagem. Segundo o músico, essas canções foram usadas por ele e John Lennon como base de suas próprias canções. “Quando comecei a me interessar por composição, percebi quão estruturadas estas canções eram e aprendi muitas lições.”

    Na próxima quinta, dia 9, ele será homenageado em Los Angeles, com uma estrela na Calçada da Fama. Até hoje, Paul era o único beatle que não tinha sua estrela em Hollywood. A estrela deverá ficar localizada próximo ao edifício da Capitol Records, onde Paul gravou este disco.

    Faixa a Faixa
    1. I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter
    Piano, bateria e baixo. Composição clássica de uma banda de jazz.

    2. Home (When Shadows Fall)
    Nesta faixa, Paul mostra sua faceta crooner. Mas com uma voz quase sussurrada, não dá a potência necessária que a música pede.

    3. It's Only a Paper Moon
    Como se estivesse numa festa, Paul brinca com os vocais fazendo falsetes e até assoviando. Esta é uma das canções mais animadas do disco.

    4. More I Cannot Wish You
    No começo, apenas violão e a voz de Paul dão o tom. Ele canta de forma lenta e compassada. Esta, talvez, exemplificaria bem o que Paul quis dizer com “ouvir enquanto toma um vinho ou chá”.

    5. The Glory of Love
    Feche os olhos e se imagine em um bar esfumaçado, à meia-luz, com um pequeno palco ao fundo. É essa a sensação que esta canção passa. Mas com Paul nos vocais.

    6. We Three
    Esta canção é puro jazz. Se você queria saber como seria se Paul McCartney um dia resolvesse ser cantor de jazz, este seria o exemplo perfeito.

    7. Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive
    Johnny Mercer, Aretha Franklin e Bing Crosby já interpretaram essa canção. Paul decidiu incluí-la no disco por não ser uma escolha óbvia.

    8. My Valentine
    Logo nos primeiros segundos da faixa, já é possível perceber os acordes da guitarra de Eric Clapton, que faz participação especial. A música foi composta por Paul em homenagem à sua mulher Nancy Shevell.

    9. Always
    Mais um exemplo em que Paul McCartney ataca de crooner. Mas como sua voz é mais aguda do que grave, a canção perde um pouco sua força.

    10. My Very Good Friend the Milkman
    Ao lado de It's Only a Paper Moon, esta é uma das mais animadas canções do disco. Nela, Paul também assovia notas.

    11. Bye Bye Blackbird
    Um dos grandes standards americanos, esta canção ficou famosa na voz de Gene Austin, em 1926.

    12. Get Yourself Another Fool
    Eric Clapton também participa desta canção. Sua guitarra certeira dá o tom.

    13. The Inch Worm
    Esta música é quase uma aula de matemática, em que Paul declara seu amor por meio de somas e multiplicações.

    14. Only Our Hearts
    A música é outra declaração de amor de Paul, nesta que é a segunda canção composta por ele para este álbum, com participação de Stevie Wonder.

    Paul McCartney
  • Cinco anos sem Mr. Sex Machine

    30. Dez. 2011, 20:53

    Por: Felipe Branco Cruz

    Há exatos cinco anos, no dia de Natal, morria o rei da soul music, James Brown (1933-2006), aos 73 anos. Em sua vida, o cantor teve vários apelidos surgidos na tentativa de rotular sua forma extravagante de dançar e fazer música. Não à toa, Brown foi chamado de Sex Machine, Mr. Dynamite, o Rei do Funk, The Original Disco Man e o Padrinho do Soul. E o intérprete de I Got You (I Feel Good), à sua maneira, fez jus a todas elas.

    Outro rei, o do pop, Michael Jackson, contava que quando era criança, seu sonho era dançar como Brown. Para isso, ensaiava incessantemente em casa, junto dos irmãos do Jackson 5. Nascido na Carolina do Sul numa época de segregação racial nos Estados Unidos, Brown vendeu em toda sua vida mais de 100 milhões de discos e foi listado pela Rolling Stone como o sétimo maior artista de todos os tempos.

    E se a carreira de Brown foi marcada por números grandiosos, foi também pontuada por vários escândalos. Alguns deles o levaram à prisão. Até sua morte gerou fatos insólitos. Como seus familiares discutiam questões ligadas à herança e não chegavam a um consenso sobre o local do enterro, seu corpo ficou mantido dentro de um caixão por quase três meses - mais especificamente até dia 10 de março de 2007, quando foi finalmente levado a uma cripta na casa de sua filha Deanna Brown Thomas.

    O local, no entanto, não é definitivo. Os parentes pretendem removê-lo e transportá-lo, no futuro, a um mausoléu, que serviria como atração turística. Quando jovem, James Brown começou a ter problemas com a Justiça. Aos 16 anos, foi detido por roubo e ficou preso durante três anos. Já quarentão, o cantor foi preso novamente, após uma perseguição na estrada, em alta velocidade. Enquadrado por porte ilegal de arma, agressão policial e posse de drogas, Brown atravessava uma fase difícil na carreira, que culminou na saída dos músicos de sua banda. Foi condenado a seis anos de prisão e solto após cumprir três.

    Nos anos 90, foi novamente acusado de agressão, contra Adrienne Rodriguez, sua terceira mulher. Em 2000, seu descontrole voltava a ser notícia: Brown foi acusado de atacar um empregado da companhia de energia elétrica estatal com uma faca.

    James Brown
  • As novas baquetas do Sepultura

    5. Dez. 2011, 14:41

    Por Felipe Branco Cruz

    Se o sonho de muitos jovens é montar uma banda e ser reconhecido em todo o mundo, imagine, então, poder fazer parte de uma de suas bandas favoritas, excursionar pelo mundo e, quem sabe, gravar um disco com ela? É o que aconteceu com o baterista Eloy Casagrande, de 20 anos, que, há quase um mês, assumiu as baquetas do Sepultura, uma das mais famosas bandas de thrash metal do mundo. Agradar aos fãs não será tarefa fácil, principalmente, aos mais antigos, que conheceram o grupo quando os irmãos Iggor e Max Cavalera ainda eram os líderes. Aliás, Eloy ocupará o posto que já foi de Iggor. “O Sepultura vai ser sempre o Sepultura. O Iggor tinha uma forma de tocar. O Jean Dolabella tinha outra. Mas a essência da banda é a mesma”, diz Eloy.

    Apesar da pouca idade (quando Eloy nasceu, em 1991, o Sepultura lançava seu quinto álbum, Arise), o baterista já enfrentou várias provas de fogo. Uma delas foi no Rock in Rio deste ano. Enquanto tocava no palco principal com sua antiga banda, o Gloria, o Sepultura se apresentava num palco secundário. “Foi no Rock in Rio que eles me conheceram”, conta Eloy. A recepção do público ao Gloria foi hostil, com xingamentos e vaias. “Fomos preparados para uma guerra”, lembra o baterista. Mas o que era para ser um massacre acabou se transformando na oportunidade da vida de Eloy.

    Durante o show do Gloria, ele fez um solo criativo que conquistou os metaleiros e chamou a atenção dos produtores do Sepultura. “É um negócio meio surreal pensar que, quando nasci, eles já faziam sucesso no mundo todo. Isso só aumenta minha responsabilidade”, afirma.

    Neste momento, Eloy está na Europa, junto com o Sepultura, para uma turnê de 21 shows em 22 dias, passando por França, Alemanha, República Tcheca, Bélgica, Dinamarca, Polônia, Holanda, Suécia, Eslovênia, Eslováquia, Croácia, Áustria e Itália. A turnê inclui os cinco primeiros álbuns do Sepultura, todos lançados antes de Eloy nascer. “Meu álbum favorito é o Chaos A.D. (1993)”, destaca. Mas viajar pelo mundo não é novidade para o jovem. Antes de entrar no Gloria, Eloy tocava na banda solo de André Matos, ex-vocalista do Angra e do Viper. “Excursionei com ele pela Europa, Japão e EUA.”

    Questionamentos dos fãs
    O baterista, nascido em Santo André, em São Paulo, começou a tocar aos 6 anos. Aos 9, ganhou uma bateria profissional que colocou em um quarto vazio da casa de sua avó. Nessa época, começou a ter aulas com Lenilson da Silva, um professor de São Bernardo. Depois, Lauro Lelis (Tom Zé) e Aquiles Priester (Angra) foram seus professores. Em 2005, aos 15 anos, se inscreveu no concurso da revista Modern Drummer, na categoria até 18 anos, nos EUA. Ganhou o concurso e se tornou o primeiro latino-americano a vencer nesta categoria. No ano passado, ele se formou em produção musical na faculdade Anhembi Morumbi.

    “O convite para tocar com o Sepultura foi bem inesperado. Eles me ligaram e me chamaram para fazer um teste. Fui lá e gostaram”, lembra Eloy. “Depois do Rock In Rio, o pessoal da banda me contou que foi no YouTube ver alguns vídeos meus. Nem acreditei quando encontrei com o Kisser, o Xisto e o Derrick Green no dia do ensaio.”

    Mas nem bem ele entrou na banda e os questionamentos dos fãs já começaram. No Facebook do Sepultura, por exemplo, aparecem perguntas para Eloy, como: “Você vai tocar as músicas antigas tão bem quanto Iggor?”, “Como se sente tocando no Sepultura agora?”, “Sepultura tem um novo baterista? Cadê o Iggor?” e “Você vai trazer de volta a alma do Sepultura?”. Se ele conseguirá conquistar esses fãs, só o tempo dirá.

    Sepultura

    Eloy Casagrande
  • Conselhos do Dr. Ozzy

    5. Dez. 2011, 14:37

    Por: Felipe Branco Cruz

    Dependendo do ponto de vista, a justificativa para pedir conselhos médicos e amorosos ao Príncipe das Trevas, Ozzy Osbourne, soa estranhamente válida. Vamos partir do princípio que seu médico “só” estudou Medicina. Ozzy, apesar de nunca ter pisado numa faculdade do gênero, já engoliu uma abelha quando dirigia a 110 km/h e foi declarado morto duas vezes. Sua família foi eleita a mais disfuncional da civilização ocidental e, por ter mordido um morcego – cena que o consagrou, aliás –, ele teve de tomar, durante semanas, várias injeções antirrábicas. Que médico já passou por isso? Talvez nenhum.

    Aos 62 anos, o roqueiro já foi diagnosticado (erroneamente) com mal de Parkinson, quebrou o pescoço ao cair de um quadriciclo e sobreviveu a um acidente de avião. Agora, pense de novo: que seres humanos já passaram por isso? Sem contar que o eterno vocalista do Black Sabbath é uma lenda viva do rock. Sim, lenda viva. O fato de ainda respirar pode ser considerado um milagre. Afinal, durante toda a vida, ele consumiu, sem moderação, praticamente todo tipo de droga e sobreviveu a muitas overdoses.

    Naquele que pode ser considerado quase um livro de autoajuda, Confie em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy – Conselhos do Maior Sobrevivente do Rock (Ed. Benvirá), o Príncipe das Trevas responde a questões como: “Meu filho começou a fumar para impressionar a namorada. Como faço para ele parar?” ou “Achei pornografia no computador do meu filho. O que faço?”. Além da experiência de vida, Ozzy também é pai de família. Dessa forma, supõe-se que ele teve de lidar com muitas dessas questões em casa. Para ele, isso o torna suficientemente qualificado para respondê-las.

    Seu trabalho de conselheiro amoroso começou quando um representante do Sunday Times Magazine o convidou para ser colunista de saúde e relacionamentos há cerca de um ano. Os conselhos fizeram tanto sucesso que Ozzy compilou as melhores respostas e as lançou neste livro.

    Numa pequena introdução, ele justifica por que o escolheram como o homem certo para conselhos. “Provavelmente, há ratos nos laboratórios do Exército dos Estados Unidos que viram menos substâncias químicas na vida do que eu (...). Tenho mais parafusos de metal em mim atualmente do que um móvel da Ikea.”

    A obra é dividida por temas de dicas: médicos, alimentares, familiares, queixas comuns, amizades, sexo, entre outros. O livro é organizado em forma de perguntas e respostas. Apesar de toda a loucura de Ozzy, suas respostas, na maioria das vezes, são até sensatas. E outras hilariantes. Um desses exemplos é quando ele responde a um garoto sobre como fazer uma garota atingir o orgasmo: “Sempre fiquei tão ocupado em me dar um orgasmo que não prestei muita atenção nisso. Mas, se você descobrir, me avise”.

    Numa outra pergunta, Ozzy responde a um jovem como convencer uma mulher a dormir com ele. “Sempre tive uma grande cantada para a mulherada”, escreve Ozzy. “Depois de uma noitada, eu dizia: ‘Posso ir para a sua casa para assistir à televisão?’ Eu achava que era uma tirada brilhante (...), só que ninguém nunca caiu nessa. Na maioria das vezes, elas me diziam: ‘Eu não tenho televisão’.”

    Mesmo dando o que chama de bons conselhos, Ozzy tem bom senso ao afirmar que, em alguns casos, o melhor é deixar a leitura de lado e ir ao médico. No mais, a única solução infalível do livro é boas gargalhadas.

    Ozzy Osbourne

    Black Sabbath
  • No Brasil livro que desvendou Bob Dylan

    11. Jul. 2011, 14:15

    Por: Felipe Branco Cruz

    Antes que qualquer crítico de música desse pela importância do sujeito franzino, arredio, de voz anasalada, poesia correndo nas veias e um talento colossal, chamado Robert Allen Zimmerman – que depois se eternizaria como Bob Dylan –, o jornalista Robert Shelton (1926 -1995) já havia sacado tudo.

    De olho na cena musical de Nova York nos anos 60, foi Shelton o primeiro a reconhecer a força do rapaz vindo de Minneapolis, cheio de ideais e inconformismo. A amizade entre os dois se consolidou e o crítico de música popular do New York Times deu andamento à sua obra maior, No Direction Home – A Vida e a Música de Bob Dylan. O livro, que consumiu 20 anos da vida de Shelton e lançado nos Estados Unidos em 1986, chega finalmente ao Brasil.

    O calhamaço de quase 800 páginas foi atualizado com informações dos últimos 20 anos da vida de Dylan, hoje com 70 anos. A obra foi acrescida da discografia completa do cantor e compositor e de uma análise de suas músicas, além de 16 páginas de fotos. Há, também, alguns manuscritos de Shelton que nunca foram publicados.

    A obra é considerada, com razão, a mais importante e completa sobre Bob Dylan. Robert Shelton foi o único escritor a contar com total colaboração do músico, com passe livre para entrevistar os pais, o irmão, os amigos e ex-namoradas de Dylan. O que se lê, no entanto, não é um livro chapa branca. Trata-se de uma vasta e profunda pesquisa englobando praticamente toda a vida do cantor. “Estou confiando em você. A única razão por eu estar aqui é porque sei que você é o cara”, disse Bob Dylan a Shelton. Dentre os entrevistados, estão, ainda, a musa Suze Rotolo (1943/2011), a loira bonita que aparece de braços dados com o músico na capa do álbum The Freewheelin (1963). Apaixonados, a escritora e o menestrel namoraram de 1961 a 1964. “Eu não conseguia tirar os olhos dela”, declarou Dylan.

    Grande amizade
    A confiança do gênio tímido no repórter se deu em função da primeira crítica que Shelton publicou sobre o músico em 1961, intitulada Bob Dylan: Um Cantor de Folk com Estilo Distinto. A apresentação que deslumbrou Shelton aconteceu no Gerde’s Folk City, um café em Greenwich Village, Nova York. Dylan tinha apenas 20 anos. “O artigo de Robert Shelton, sem a menor dúvida, criou a carreira de Dylan”, decla Suze Rotolo no livro. Mesmo assim, Robert Shelton nunca se considerou o descobridor de Dylan. “Ele descobriu a si mesmo”, escreveu o autor. O fato é que, um mês após a publicação do artigo de Shelton, o produtor John Hammond, da gravadora Columbia, contratou Dylan mesmo sem ouvi-lo. Antes disso, o músico teria sido recusado por três outras gravadoras.

    A vida de Shelton se confunde com a história de Dylan. Os dois foram muito amigos. Em alguns trechos da biografia, por exemplo, Shelton descreve fatos que viveu com o músico. No prefácio há, inclusive, uma pequena biografia de Shelton. Ao misturar sua história com a de Dylan, o autor deixa a biografia ainda mais saborosa. A justificativa dos editores para relançar a obra foi o fato de estarem celebrando o 50º aniversário da crítica de Shelton publicada no Times. A edição também coincide com o aniversário de 70 anos de Dylan, completados em 24 de maio.

    A biografia mostra que Bob Dylan influenciou inclusive os Beatles. Há uma reprodução de uma reportagem publicada na década de 60, em que John Lennon afirma ter se inspirado nas canções de Dylan para compor I’m Loser, lançada no álbum Beatles for Sale (1964). Dentre outras histórias, Dylan teria apresentado a maconha ao quarteto inglês. Até então, os Beatles só tinham experimentado anfetaminas.

    Uma das linhas mestras do livro são as mudanças pelas quais o músico passou. Segundo Shelton, Dylan, como artista, morreu e ressuscitou várias vezes. Como nos momentos em que largou o violão para usar a guitarra e depois voltou para o violão. Ou a fase das drogas, o vício em heroína e o desejo de se suicidar. Por fim, da conturbada relação que Dylan teve com a religião, ora afirmando ser um cristão fervoroso, ora negando a existência de Deus.

    Bob Dylan
  • Extravagância vem antes da música

    22. Jun. 2011, 17:25

    Nem bem foi lançado e o novo disco de Lady Gaga, Born This Way, já atingiu a venda de um milhão de unidades no mundo. A força de sua imagem controversa, aliada à música pop, fez com que ela chegasse a seu segundo trabalho autoral como uma incontestável personalidade mundial. O preço de ser tão polêmica pode ser alto, afinal Gaga se mantém na mídia mais por suas ações do que pela qualidade musical. Só para citar alguns exemplos, a cantora recentemente apareceu com o que seriam pequenos implantes subcutâneos no ombro, que os deixavam pontudos, e outros que simulavam chifrinhos na cabeça. Ela também declarou ser hermafrodita e foi a uma entrega de prêmio usando uma roupa feita com carne. São tantas as histórias que o público nem sabe mais o que é verdade e o que é factoide.

    Mas e a música? Gaga anunciou que o novo álbum seria revolucionário. Não é. Mas também não é ruim. Ele abre com a dançante e eletrônica Marry The Night. Aliás, os elementos eletrônicos estão bem mais presentes do que em seu trabalho anterior, The Fame Monster. Em seguida, vem Born This Way, que dá nome ao disco. Quando lançou o single, a cantora foi acusada de plagiar Madonna nas músicas Express Yourself e Jump. Com o objetivo de continuar chocando as pessoas, Lady Gaga incluiu também a música Judas, cuja letra diz que ela ama o apóstolo que traiu Jesus Cristo.

    Born This Way e Judas são algumas das faixas que já ganharam videoclipe. De forma geral, todo o disco parece ter sido composto como trilha sonora de um grande clipe, o que reforça a importância da imagem no trabalho da cantora.

    Hair, a sexta música do CD, por exemplo, foi apresentada ao vivo pela cantora na última sexta-feira no programa inglês Paul O’Grady Show. Para tocar a canção, Gaga apareceu careca. Sem imagem, portanto, as composições não têm o mesmo apelo. O trabalho da artista é assim. O público tende a lembrar-se da música não tanto por sua força, mas em função de alguma polêmica. Gaga é talentosa e poderia canalizar tudo isso para fazer canções melhores.

    Lady Gaga
  • Uma nova legião. De fãs

    21. Jun. 2011, 13:55

    A divulgação, nesta semana, de um clipe em que os atores Wagner Moura e Alinne Moraes cantam na íntegra Tempo Perdido é mais uma entre tantas provas de que a banda Legião Urbana, que acabou há 15 anos (em 1996), não só continua viva e como parece estar ganhando ainda mais força no cenário musical. O vídeo faz parte do material de divulgação do filme O Homem do Futuro, de Cláudio Torres, com estreia prevista para 2 de setembro. Há uma semana, no dia 12 de junho, Dia dos Namorados, a operadora de telefonia Vivo divulgou um clipe da música Eduardo e Mônica, realizado especialmente para a ocasião. O vídeo teve produção da O2 Filmes, de Fernando Meirelles. Esta, no entanto, foi uma entre tantas canções do Legião que nunca tiveram um clipe oficial.

    Os exemplos dessa recente invasão da banda são inúmeros. Até o fim do ano, será lançado em circuito comercial o longa Faroeste Caboclo, com direção de René Sampaio, que conta a história da música homônima. A trajetória de Renato Russo e a história de sua banda também ganharão as telonas. Somos Tão Jovens, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, está sendo rodado e será lançado em 2012. Além disso, a música Que País é Esse entrou na trilha sonora da novela das 9 da Globo, Insensato Coração, colocando a banda ainda mais em evidência.

    No fim do ano passado, toda a discografia do Legião foi relançada, remasterizada e em vinil. Para completar, os filmes Vips (2010), de Toniko Melo, e Meu Nome Não é Johnny (2008), de Mauro Lima, também tiveram músicas da banda incluídas na trilha sonora. Numa busca rápida no YouTube, o internauta também encontra vários vídeos de pessoas que incluíram o som do Legião em produções caseiras.

    Segundo a gravadora EMI, a banda originária de Brasília já vendeu 17 milhões de discos até hoje. Todos os anos, uma média de 250 mil cópias de seus álbuns são consumidas, isso apesar de a última produção do Legião, Como é que se Diz Eu Te Amo, ter sido lançada há dez anos, em 2001, a partir do show ao vivo realizado em 1994. “Esse movimento é espontâneo. Não planejamos isso”, diz Dado Villa-Lobos, ex-guitarrista da banda. “Uma história como a do Faroeste Caboclo, mostrando as mazelas desse Brasilzão, ou uma história de amor tão forte quanto a de Eduardo e Mônica, são atemporais. Por isso sobrevivem até hoje”, analisa.

    O guitarrista conta que, no Dia dos Namorados, recebeu em casa um misterioso DVD. Era o videoclipe da música feito pela Vivo. “Eu me emocionei, de verdade. Voltou tudo que fizemos naquela época, principalmente porque essa foi uma música para a qual não produzimos um clipe oficial.” O filho de Dado, Nicolau Villa-Lobos, de 23 anos, estudante de cinema na PUC do Rio, fará ponta no longa Somos Tão Jovens, interpretando o próprio pai. O filme vai focar a produção musical das bandas do Planalto Central, com especial destaque para Renato Russo.

    Marcelo Torres, produtor executivo de Somos Tão Jovens, acredita que o interesse pelas bandas da década 80 permanece porque não apareceu nada melhor. “Cite uma boa banda de rock surgida nos últimos anos. Não tem”, afirma. O longa tem orçamento de R$ 6 milhões e as filmagens terminarão em julho.

    O gerente de web e mídia social da Vivo, João Bell, de 40 anos, viveu o auge do Legião. Quando o recente clipe de Eduardo e Mônica foi divulgado, ele teve uma surpresa. Sua sobrinha de 16 anos o procurou dizendo que tinha descoberto a banda depois de ver o comercial. “O Eduardo da música tem 16 anos. Pensamos se a canção não estaria datada, já que foi lançada há 25 anos. Como os jovens a receberiam? O Legião ainda fala com todas as idades porque as letras tratam de amor de uma forma sincera”, avalia Bell.

    Legião UrbanaDado Villa-LobosMarcelo BonfáRenato Russo
  • O resgate de Wilson Baptista

    21. Jun. 2011, 13:54

    FELIPE BRANCO CRUZ

    As músicas de Wilson Baptista (1913-1968) foram tão importantes para o samba brasileiro quanto as de seus contemporâneos, como Noel Rosa, Ari Barroso ou Herivelto Martins. Mas o sambista nunca recebeu a mesma atenção que os outros. Agora, pelas mãos do pesquisador Rodrigo Alzuguir, de 38 anos, o compositor teve sua obra resgatada por meio de uma peça teatral e do CD O Samba Carioca de Wilson Baptista, no qual suas músicas são interpretadas por grandes cantores da música brasileira. Alguns, inclusive, tiveram contato com o próprio Baptista. “Elza Soares e Wilson das Neves foram alguns dos que conheceram o sambista”, diz Alzuguir.

    A peça foi exibida no Rio de Janeiro e em breve será encenada em São Paulo. O disco já está nas lojas, lançado pelo selo Biscoito Fino. Nele, Elza Soares interpreta Artigo Nacional e Wilson das Neves, Essa Mulher tem Qualquer Coisa na Cabeça. Marcos Sacramento, Céu, Zélia Duncan, Nina Becker, Mart’nália e Teresa Cristina são outros participantes do disco, que no total tem 20 músicas. “A Zélia Duncan gravou o samba inédito Que Malandro Você é!. Eu encontrei somente a letra dessa música numa revista antiga da década de 60. Depois, num acervo de uma viúva de um parceiro de Wilson, achei as notas musicais. Essas notas se encaixavam perfeitamente na letra”, revela o pesquisador. O álbum é acompanhado de um disco extra com a trilha sonora do espetáculo de teatro.

    Polêmicas
    Para o pesquisador, há pelo menos dois motivos que fizeram com que a obra de Baptista caísse no esquecimento. O primeiro por culpa do próprio sambista. “Ele foi o pior inimigo dele mesmo. Nunca organizou sua obra e gastou todo o dinheiro com viagens e mulheres. Ele foi o oposto de Ataulfo Alves, por exemplo, que deixou sua obra toda catalogada”, diz. Segundo, porque ele criou uma polêmica com Noel Rosa. “Na época, foi apenas uma brincadeira entre amigos. Anos mais tarde, um radialista fez um especial sobre Noel e resgatou a polêmica, só que de maneira aumentada. O que era uma brincadeira foi interpretado como algo sério”.

    A história envolvia composições deles. Lenço no Pescoço, de Wilson, falava dos malandros da época. Noel teria respondido com uma outra música acusando Wilson de ser folgado. “A partir daí, passaram a se atacar por meio de sambas”, explica o pesquisador. “Na época, não teve a menor importância, mas foi no programa do radialista Almirante, nos anos 50, que a polêmica retornou, 20 anos depois”. Segundo Alzuguir, o sambista também era acusado de não trabalhar. “É uma incoerência dizer que uma pessoa que dedicou a vida à música nunca trabalhou. Ele foi um dos que mais compôs nesse período, foram quase 700 músicas. Mas na época, ser compositor não era um trabalho e sim um hobby.”

    O pesquisador conta que decidiu pesquisar Batista porque sempre foi um apaixonado pela música brasileira do início do século 20. “A minha ideia era escrever uma biografia. Já tenho bastante material para isso. Mas o projeto musical acabou vindo antes”, diz.

    Wilson Baptista
  • Um show que vai deixar saudades

    25. Mai. 2011, 20:13

    Por: Felipe Branco Cruz
    Rio de Janeiro

    O público carioca encantou Paul McCartney nos dois shows que o ex-beatle fez no Rio de Janeiro anteontem e domingo. Tanto é que ele escreveu uma carta aberta agradecendo à plateia pelo carinho (leia ao lado). “De repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho”, escreveu. Ele se referia à apresentação de domingo, quando a plateia, depois de ter combinado pela internet, levantou vários cartazes com os dizeres “na na”, do refrão de Hey Jude.

    No segundo dia, Paul trocou cinco das 22 canções exibidas em cada show. Ele abriu a apresentação com Magical Mistery Tour, diferente de domingo, quando começou com Hello, Goodbye. Depois tocou Coming Up, do álbum McCartney II, além de I Saw Her Standing Here, dos Beatles, que também não estavam no set de domingo. Ao contrário do atraso de 15 minutos do show de domingo, na segunda a apresentação começou exatamente às 21h30 e acabou à 0h de terça-feira. O público foi o mesmo da noite anterior, de 45 mil pessoas.

    Aos cariocas, Paul ensaiou frases em português que agradaram em cheio. “Já falo português carioca”, disse. Depois ele apontou para si mesmo, bateu no peito e afirmou: “Carioca, carioca!”.

    O repertório contou ainda com uma série de tirar o fôlego, que in cluía sucessos dos Beatles e da carreira, como All my Loving, Got to Get Into my Life, Long and Winding Road, Blackbird, Something, Eleanor Rigby, Paperback Writer, A Day in the life e Live and Let Die.

    Abraços e autógrafos
    No final do show, as jovens Laura, Carolina, Julia e Mariana subiram ao palco para abraçar o ídolo e ganharem autógrafos. “Elas precisavam de um abraço”, disse Paul quando elas desceram. Mais cedo, durante a passagem de som, por volta das 15h, três fãs também tiveram contato com Paul. Para a fluminense Raphaela Giffoni, de 28 anos, o ex-beatle cantou Happy Birthday, em homenagem ao aniversário da jovem. “Foi emocionante. Não tenho nem palavras”, disse. “Muita gente queria estar no meu lugar. Eu estava com um cartaz escrito em inglês pedindo um abraço de aniversário”, disse. Raphaela também assistiu aos shows de Porto Alegre e São Paulo, no ano passado. A argentina Micaella recebeu um autógrafo na barriga, e a ex-editora executiva do JT, Lúcia Camargo Nunes ganhou um autógrafo no braço. As duas disseram que irão tatuar a assinatura do ídolo. Mais cedo, o ex-beatle tinha velejado pela baía de Guanabara, num dia de muito sol. Logo depois do show, ele foi direto para o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Uma passagem pelo Brasil para deixar o público e também Paul McCartney com saudades.

    Leia abaixo na íntegra o texto escrito por Paul McCartney sobre os shows no Rio de Janeiro

    "Estar no Rio foi fantástico desde o minuto que pousamos. A multidão em volta do hotel era "bananas" (maluca). Eles eram loucos e a atmosfera foi crescendo até fazermos os shows. Eu amo o Brasil. Eu amo o fato que eles amam música, é uma nação muito musical. Eu se eu amo música e eles amam música, então é uma conexão natural. Fãs de todas as idades estavam nos shows. Tinha um enorme grupo de fãs jovens, que eu amo, e também tinha seus pais e até seus avós. Então era uma enorme variação de idade. O entusiasmo pela minha música era simplesmente sensacional. Todos nós da banda curtimos esse momento maravilhoso e nós agradecemos aos fãs por tornarem tudo tão excitante.

    Quando tocamos "Hey Jude" e pedi a plateia para cantar "na na na na's", de repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Ele poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento tão especial. Ele se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco e com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito excitante e emocionante ver que as pessoas se importam tanto."

    Paul McCartney

    Confira o setlist do show de segunda-feira:

    1) Magical Mistery Tour
    2) Jet
    3) All my Loving
    4) Coming Up
    5) Got to Get You Into my Life
    6) Sing the Changes
    7) Let me Roll It
    8) Long and Winding Road
    9) 1985
    10) Let me In
    12) And I Love Her
    13) Blackbird
    14) Here Today
    15) Dance Tonight
    16) Mrs Vandebilt
    17) Eleanor Rigby
    18) Something
    19) Band on the run
    20) Ob-la-di, Ob-la-da
    21) Back in the USSR
    22) I've Got a Feeling
    23) Paperback Writer
    24) A Day in Life/ Give Peace a Chance
    25) Let It Be
    26) Live and Let Die
    27) Hey Jude

    Bis 1
    28) Day Tripper
    29) Lady Madonna
    30) I Saw Her Standing There

    Bis 2
    31) Yesterday
    32) Helter Skelter
    33) Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
    34) The End

    Paul McCartneyBeatles