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  • Top Álbuns - 2011

    30. Dez. 2011, 20:10

    http://sagacidadedeescadas.wordpress.com/2011/12/30/top-albuns-2011/

    Fim de ano é sempre uma época especial. Hora de rever pessoas, de relembrar encontros e de buscar na memória aquilo que de bom ficou no ano que passou. Em termos de música, tivemos 12 meses para lá de bacanas. No meio de 90 álbuns escutados, foi difícil escolher 10 para montar esse top.

    E um top nunca é capaz de demonstrar o que de fato foi representativo nos tempos que passaram. Esse top não é capaz de mostrar a beleza reflexiva que foi o lançamento de álbuns de bandas icônicas da década passada. De quem menos esperávamos, veio o excelente Angles, fazendo nos lembrar que podemos ainda esperar coisas boas de um dos pilares fundamentais do indie. Quem não chorou quando a inesgotável Last Nite, ainda que por uma única noite, foi substituída por Under Cover Of Darkness naquela sua balada de rotina das sextas à noite?

    Infelizmente, quem nós mais aguardávamos não correspondeu às expectativas. The King Of Limbs fica longe de empolgar e criar empatia. Seu maior mérito é ser mais um álbum do Radiohead. Mais nada. Poucas faixas que se enrolam em um enfadonho momento interminável. Ficamos com o clipe de Lotus Flower e ponto nessa história.

    Tivemos também um ano excepcional para aqueles que gostam de música de baixa fidelidade e com cara de fita cassete caseira. Os lo-fis do mundo estão em êxtase. Ty Segall, WU LYF, The People’s Temple, IceAge, Milk Maid e Pure X são amostras de que a bola esteve lá em cima para os apreciadores de um bom ruído na gravação. A grandeza desse estilo é refletida no top 10, em que temos quatro álbuns do clássico lo-fi para nos deleitarmos. Todos débuts e um deles sendo brazuca. Yuck, Twerps, Youth Lagoon e Lê Almeida dão a coloração especial dessa lista.

    No lo-fi ou quase lo-fi, ainda tivemos o fodaço Die It Blonde, dos Smith Westerns, que por detalhes e aos quarenta e cinco do segundo tempo saiu da lista. Uma pena, mas são somente dez. Porém, com certeza vale a pena ser ouvido. Noise pop, mais pop do que noise, de primeira qualidade em um dos álbuns sensações de 2011.

    E nas pistas de dança, o que rolou? Com certeza o ano foi dominado por Cults e Foster The People. Torches com certeza foi o álbum mais tocado nos eventos descolados desse mundão de deus. O trio californiano levou seu pop dançante para o mainstream musical unindo a descolagem do indie com aquilo que você quer ouvir naquela tarde ensolarada em uma festa de verão. Coloque Pumped Up Kicks para tocar e curta a dona da batida mais sexy do ano.

    Cabe espaço para mais duas considerações. Tivemos mais um épico absoluto shoegazeano com vibradas oitentistas do M83, que não entrou nesse top por pura miséria musical desse que vos escreve, e que demonstra a potência de um ano emblemático para o nosso querido estilo contemplativo dos sapatos (The Horrors (!), Widowspeak, Pure X e Pains estão aí para não me deixar mentir).

    Além disso, tivemos mais um ano com coisas excelentes surgindo aqui na nossa terrinha, como os tão aguardados segundos álbuns de Los Porongas e de Tiê. Não foram superiores aos primeiros? Sim, mas ainda são dois excelentes registros. Mas inegavelmente o maior fato relevante, ainda que ninguém saiba, do Brasil, nos últimos 500 anos, foi a aparição da Transfusão Noise Records e seu estilinho que nós amamos.

    Ainda poderíamos falar de muitas coisas que me aparecem na memória e, principalmente, de outras que não lembro nesse momento, mas chega de delongas e vamos ao motivo dessa verborragia, o nosso querido top 10 do ano!

    10) Arctic Monkeys – Suck It And See



    Falei de Radiohead e de The Strokes. Mas com certeza o grande reencontro desse ano foi com nossos queridos macacos do ártico. Suck It And See é mais do que um excelente álbum, é o peso das emoções dos últimos cinco anos. É a vontade de chorar quando aquele filme passa na nossa cabeça, filme que vai desde as noites dançando ao som de I Bet You Look God on The Dancefloor, passando pelo hino juvenil de Flourescent Adolescent e pelo ano ruim em que praticamente só Cornerstone salvou, e chegando ao momento que colocou tudo novamente nos trilhos e que tem como passagem musical o início de She’s Thunderstorms. Nem a impressão ruim deixada pela divulgação preliminar de Brick My Brick, que acabou virando uma excelente faixa no contexto do álbum, foi capaz de tirar esse álbum do top 10. Menos vibrante que os dois primeiros, mais acertado nas mudanças que Humbug, Suck It And See é o nosso novo Arctic, mas com o gostinho e as sensações do antigo. Deixar esse álbum crescer dentro de mim foi um dos grandes prazeres desse ano.

    Destaques: That’s Where You’re Wrong (minha faixa preferida do disco e que sempre me faz querer ouvir tudo de novo), Suck It and See e Reckless Serenade

    09) Yuck – Yuck




    Viciante. Uma bomba viciante. Uma droga alucinante correndo no seu corpo. Uma tarde quente em uma garagem perdida, no meio de pneus, caixas de ferramentas, bicicletas velhas, maços de cigarro e algumas cervejas geladas. Um pôster do Crooked Rain, Crooked Rain colado logo ali. O som comum rola no meio de risadas. Esse é Yuck, banda anormalmente simples como o próprio nome. Simples como uma faceta que o rock nunca deveria esquecer. Como resgate daquilo que está virando senso comum nessa virada de década: o rememorar do rock lo-fi garageado dos anos 90. Um verdadeiro neopavementianismo. As guitarras distorcidas levadas por melodias descomplicadas e refrãos grudentos em uma sonzeira digna de uma rádio universitária que está prestes a descobrir Pixies. Um verdadeiro convite para você tirar o pó daquela sua guitarra velha, chamar seus velhos amigos e remontar a banda da rua que se perdeu nessa vida corrida.

    Destaques: Get Away, Shook Down e Sunday.

    8) Cults – Cults



    Cults é de longe a banda mais descolada de 2011. O vídeo deles falando o tanto que eram nerds anti-sociais que resmungavam pelos cantos e que somente a vocal Madeline Follin, uma celebridade instantânea no meio alternativo, sempre teve todos aos seus pés já é algo para conquistar todos os corações de indies chorosos pelo mundão a fora. Cults é essa mistura de sentimentalismo artificial tão autoidentificável que é impossível não se apaixonar à primeira vista. Com uma sonoridade única e dona de uma radiofonia incrível, esse début pairou nas rádios e festas mais bacanas desse ano. Indie pop noiseado com misturebas eletrônica, possuindo uma tendência retrô no cantar e na disposição musical que deixa qualquer pé louco para sair dançando e qualquer boca louca para beijar e cantar. Sexy, downtempoquasedançante e estiloso. Esses apelos, junto com o fato de não terem virado tão mainstream como Foster, são os fatores que fizeram de Cults a banda que você deveria ter escutado esse ano, caso não quisesse ficar em dívida com a dona moda.

    Destaques: Walk At Night, Most Wanted e Oh My God


    7) Ivory Sky – Heartbeats



    Beleza. Vamos falar de sentimentos. Vamos rimar amor com dor. Vamos chorar as feridas e declarar a paixão. Heartbeats é o álbum mais lindo desse ano. Um turbilhão de emoções de sofá despejados por um folk simples e de uma pureza única. Um Death Cab dos interiorões da América do Norte que tem como baluarte a voz de Jett Pace, com seu sotaque que não deixa negar suas origens. Às vezes apenas um piano e um cajon, em outras somente o violão. E a voz de Jett, que às vezes se torna até difícil de identificar o sexo de quem canta. Um álbum que escorre lágrimas, um álbum que sangra como os pulsos de uma América sincera, latente e dona de uma robustez de cores, texturas e passagens. Ao longo das 12 faixas, podemos sentir o calor do sol daquela manhã de primavera batendo nas costas quando olhamos de cima de um desfiladeiro rochoso para o torvelinho de um rio que corre lá embaixo, o gosto da cerveja de um bar esfumaçado em alguma cidade perdida do meio-oeste estadunidense e o clima das fronteiras úmidas entre Canadá e Estados Unidos. Em Run Free, faixa do álbum e quiçá do ano, podemos sentir tudo isso em uma amálgama sentimental com todo o peso de uma liberdade aprisionada ao amor mais incondicional.

    Destaques: Run Free, More Than We Burn e This Whole World

    6) Lê Almeida – Mono Maçã



    “Vai, Lê! Seu safado”. Bêbado ao escutar Por Favor Não Morra após uma noite regada ao pior dos conhaques. Caras, sinceramente, não tem nada melhor que aquele chiado básico antes das faixas. Aquele zumbido de que “caralho, que gravação fuderosa da porra”. Solinhos memoráveis como aquele sexo embaçante com roupa no banco de traz do carro de teu pai dão o tom do álbum que mais honrou os culhões do lo-fi querido. Mono Maçã, como diria os sábios, é a melhor coisa que aconteceu na música brasileira desde Transa, de Caetano. “Bicho, mas essa porra é em português?” “Mas é claro, caralho. Lê Almeida, o nome desse sacana!”. Sim, taca esse album no teu som estourado que você não vai entender uma letra sequer do que está sendo cantado. Mas foda-se, Mono Maçã é a sinceridade mais escrota da festa mais escrota e mais suja e fodida que você poderia ter ido esse ano. E ainda vem um texto plastificado com palavrões para tentar passar o nível de undergroundísse que soa desse álbum. São guitarras monstruosamente criativas que farão você pirar o cabeção e fazer rodinha punk no teu quarto sozinho enquanto tua mãe te observa pela fresta da porta. Tão true como gravar Rocket to Russia em uma cassete e se declarar falso punk. 23 faixas da maior ressaca musical de 2011. “Porra, mas esse bicho é escroto demais, se liga nessa porra ae, caralho!!.”

    Destaques: Eles Estão Na Minha Rua, Transpopirações e Vamos Ver o Sol

    5) Twerps – Twerps



    Um álbum de rock. Poderíamos assim definir o genial début desse quarteto australiano. Indie básico moldado nas bases do senso comum lo-finiano e que remete aos grandes momentos da sujeira rockeira. Sem grandes pretensões, o álbum vai se desenrolando em faixas grudentas como chiclete e que te convidam para uma viagem com poucos mangos no bolso, em que a liberdade e a imprevisibilidade do futuro são seus melhores companheiros. Riffs e letras simples dão a tônica do cd que soa como um sopro de tendências juvenis. Bobagens, amores de novela e promessas de morte por um sentimento tacanha. Em faixas que parecem trabalhar em looping de instrumentos, o vocal de Marty Frawley nos embala com sua voz hipnótica que lembra uma trip de drogas por Nova Orleans. Com tudo isso, Twerps conseguiu o feito de manter a Oceania no top anual, honrando os louros deixados por The Phoenix Foundation. Além disso, bateu Real Estate como o melhor álbum de alt-country simplificado. Uma pena que permaneça tão desconhecida. Mas não é isso que é o bom?

    Destaques: Dreamin, Who Are You e Coast to Coast

    4) The Pains of Being Pure At Heart - Belong



    Se Twerps merece o mérito por ser o álbum da Oceania em 2011, The Pains merece méritos maiores por ter feito o melhor álbum de shoegaze do ano. Em um ano com os excelentes lançamentos de Widowspeak, Pure X, The Horrors (que puta álbum e em que fase inspiradíssima eles estão!) e M83 (o épico), Belong, mesmo assim, se destacou sobre os demais e aqui está em quarto nessa lista. Talvez esse destaque seja gerado pela perfeição com que seu dream pop é executado. Executado de forma refrescante e sensual. Longe das lentidões que caracterizam esse gênero (visto facilmente no ótimo Covered In Dust, Kindest Lines), The Pains continuou na esteira que deu certo no seu primeiro disco. Guitarras distorcidas, caídas com baterias marcadas, elementos eletrônicos impostos de forma perfeitamente premeditados, vocais sussurrados no melhor estilo shoegaze e refrãos popsônicos que saem direto da orelha para a boca. As três primeiras músicas são um soco na cara. Rápidas e de pegadas alucinantes, nos fazem aumentar o volume na primeira ouvida. Três flechas certeiras no coração. Nos cativam e nos preparam para a descida que o álbum sofrerá nas próximas faixas. De forma mais lenta, o álbum é conduzido de forma ímpar, de músicas de ambientes etéreos – Ane With Na E – a um verão californiano na década de 80 – Even In Dreams. Depois das faceiras My Terrible Friend e Girl Of 1000 Dreams, o álbum fecha com mais duas faixas hipnóticas. Mais um puta álbum de uma puta banda que cada vez se destaca mais no cenário alternativo.

    Destaques: Heart In Your Heartbreak, Heavens Gonna Happen Now e My Terrible Friend

    3) Youth Lagoon – The Year of Hibernation



    Difícil falar sobre o que é simples. Difícil falar sobre aquilo que se perde em um abstratismo praticamente indescritível. A genialidade de The Year of Hibernation é trazer à tona sentimentos perdidos em memórias de um passado não renovável através de uma simplicidade de produção única. Simplicidade que não reduz sua música, a qual é feita de camadas densas e minimalismos de toques que a tornam um trabalho impressionante. A voz de Trevor Powers é cantada como um choro de criança que tenta compreender o mundo. De uma criança prendida em um túnel escuro que faz ecoar o pranto de forma distorcida, distante e tenebrosa. Com cara de que foi feito com a mesma habilidade que se zera um jogo no seu Super Nintendo encardido, esse álbum tem o jeito, a textura, o sabor e o cheiro de um quarto escuro, com fios cortando o ambiente, em alguma cidade calorenta do leste desértico e interiorano da Califórnia. Um transbordamento de emoções de nossos bons anos. Emoção genuína e difícil de levar a termo. Emoção que até hoje molda o que somos. Escutar a subida final de Montana é ter a certeza de que Trevor Powers conseguiu juntar toda essa emoção juvenil em músicas de um ambiente desolador, único e nostálgico. E que com isso acabou fazendo um trabalho icônico no cenário indie. É saber que em The Year of Hibernation é onde você encontrará os sentimentos mais puros no meio musical desse ano. Um clássico estadunidense.

    Destaques: Montana, Seventeen e July.

    2) Fleet Foxes – Helplessness Blues



    Para finalizar a lista, duas bandas que conseguiram o que parecia impossível: fazer com que seus segundos álbuns não ficassem devendo aos primeiros, esses já clássicos absolutos. A primeira delas é Fleet Foxes, que mais uma vez nos presenteou com um folk impecável. Soando como uma viagem pelo interior dos Estados Unidos, da gelada costa leste ao selvagem oeste, passando por cânions, pequenas cidades, ranchos, plantações, pântanos, festivais lotados de vaqueiros, paixões deixadas na beira de estrada e encontros com a América do Norte natural e pulsante. Helplessness Blues é uma ode ao sentimento de liberdade que se renova em gerações de descontentes com a sociedade em que vivem e que, com isso, buscam sua verdadeira experiência transcendental em uma viagem pelo coração dos Estados Unidos. É a alma do homem do campo exposto em músicas perfeitamente construídas que nos fazem ser transportados para uma viagem em um trem de carga atravessando as Rochosas. Robin Pecknold traz a essência desse viver desbravador tão difundido e explorado de forma massante pela mídia tacanha. Robin é fruto da contradição de um país que transforma todos em engrenagens e no qual o conclamado ideal de liberdade só pode ser encontrado nas margens dessa mesma sociedade que trata de negá-lo. Liberdade que só pode ser encontrada na fusão do homem com a natureza. Do homem com a terra; com a vastidão a ser explorada. Do homem com as relações cruas que só podem ser germinadas quando as toxidades da vida moderna são purificadas pelo selvagem da liberdade.

    Destaques: Helplessness Blues, Montezuma e Grown Ocean

    1) Girls – Father, Son, Holy Ghost



    De Kanye West a Christopher Owens. De um turbilhão expansivo de apelos midiáticos indecentes guiados por um showman absolutamente genial e megalomaníaco a uma singeleza inocente instrumentalizada em um tímido jeito adolescente sustentado por histórias de romances faceiros e infantis. Esse contraponto entre as duas personalidades musicais de anos que se sucederam serve para contrastar o que Girls e seu líder têm de mais peculiar e melhor. Father, Son, Holy Ghost é o nome do sucessor do clássico début dessa banda, sucessor que cumpriu a missão de não deixar a peteca cair. De forma mais robusta que no primeiro, Chris e Chet exploram uma infinidade de referências da cultura pop e do rock para montarem um álbum coeso que serve como uma lição do que de melhor já foi feito na música popular ocidental de língua inglesa nos últimos 60 anos. Como ponto de giro essencial entre Album e Father, Son, Holy Ghost, encontramos a aproximação perfeita com o rock clássico e pesado dos anos 70, dosada com gotas de progressivo e com um pé no R&B norte-americano, o qual é posto para fora através dos excelentes vocais de apoio que estão presentes durante o álbum inteiro e que ganham destaque nos pontos altos do cd – como a épica subida final de Vomit. Mas apenas juntar referências de tempos passados e produzir um grande álbum é tarefa comum. O salto de mestre do Girls é conseguir montar essa colagem dando um ar de novo para a velha roupa colorida. Através de melodias inovadoras, simples e criativas, reinventam elementos clássicos e os colocam à venda para uma geração que não tem mais saco para ouvir repetições do passado. Tornam acessível e com aparência descolada uma linguagem musical que parecia longe do meio alternativo. Christopher Owens é o místico que encontrou o elo perdido. Father, Son, Holy Ghost é a transcendência de Chris para um patamar além daquele que se encontram seus contemporâneos.

    Destaques: Vomit, My Ma e Jamie Marie


    É isso, que o ano que vem seja tão bom quanto esse! Boas festas e muita música para todxs!!


    Lista completa:

    1) GirlsFather, Son, Holy Ghost
    2) Fleet FoxesHelplessness Blues
    3) Youth LagoonThe Year of Hibernation
    4) The Pains of Being Pure At HeartBelong
    5) TwerpsTwerps
    6) Lê AlmeidaMono Maçã
    7) Ivory SkyHeartbeats
    8) CultsCults
    9) YuckYuck
    10) Arctic MonkeysSuck It and See
    11) Smith WesternsDie It Blonde
    12) Los Campesinos!Hello Sadness
    13) M83Hurry Up, We’re Dreaming
    14) The AntlersBurst Apart
    15) The HorrorsSkying
    16) Ty SegallGoodbye Bread
    17) Atlas SoundParallax
    18) Foster the PeopleTorches
    19) Real EstateDays
    20) LowC’mon
    21) IdahoYou Were a Dick
    22) Portugal. The ManIn the Mountain in the Cloud
    23) Wild PalmsWild Palms
    24) St. VincentStrange Mercy
    25) DestroyerKaputt
    26) The DecemberistsThe King Is Dead
    27) Connan MockasinForever Dolphin Love
    28) Kindest LinesCovered in Dust
    29) Toro y MoiUnderneath the Pine
    30) The VaccinesWhat Did You Expect from The Vaccines?
    31) Telekinesis12 Desperate Straight Lines
    32) Death Cab for CutieCodes and Keys
    33) Rise AgainstEndgame
    34) GenerationalsActor-Caster
    35) Wild BeastsSmother
    36) Los PorongasO Segundo Depois do Silêncio
    37) The StrokesAngles
    38) Lykke LiWounded Rhymes
    39) Julianna BarwickThe Magic Place
    40) Gil Scott-HeronWe’re New Here
    41) Bon IverBon Iver
    42) Adele - 21
    43) The DodosNo Color
    44) WidowspeakWidowspeak
    45) Buffalo Death BeamSalvation for Ordinary People
    46) Apanhador SóAcústico-Sucateiro
    47) Cut CopyZonoscope
    48) Peter Bjorn & JohnGimme Some
    49) The Rural Alberta AdvantageDeparting
    50) The People’s TempleSons of Stone
    51) TiêA Coruja e o Coração
    52) Joseph ArthurThe Graduation Ceremony
    53) Holy Ghost!Holy Ghost!
    54) RadioheadThe King of Limbs
    55) KasabianVelociraptor!
    56) Adriana CalcanhottoO Micróbio do Samba
    57) Pure XPleasure
    58) CrioloNó Na Orelha
    59) Milk MaidYucca
    60) Marissa NadlerMarissa Nadler
    61) Eleanor FriedbergerLast Summer
    62) Cut Off Your HandsHollow
    63) Panda BearTomboy
    64) Fucked UpDavid Comes To Life
    65) Explosions in the SkyTake Care, Take Care, Take Care
    66) PictureplaneTHEE PHYSICAL
    67) The RaptureIn the Grace of Your Love
    68) PJ HarveyLet England Shake
    69) Okkervil RiverI Am Very Far
    70) TennisCape Dory
    71) The BatsFree All The Monsters
    72) DucktailsDucktails III: Arcade Dynamics
    73) Copacabana ClubTropical Splash
    74) John MausWe Must Become the Pitiless Censors of Ourselves
    75) Luke RobertsBig Bells & Dime Songs
    76) James BlakeJames Blake
    77) Hierofante PúrpuraTranse Só
    78) LifeguardsWaving at the Astronauts
    79) tUnE-yArDsw h o k i l l
    80) Butcher The BarFor Each A Future Tethered
    81) MetronomyEnglish Riviera
    82) ViolinsDireito de Ser Nada
    83) WU LYFGo Tell Fire to the Mountain
    84) Jack CartyOne Thousand Origami Birds
    85) Dirty BeachesBadlands
    86) IceageNew Brigade
    87) Ford & LopatinChannel Pressure
    88) North HighlandsWild One
    89) Timber TimbreCreep On Creepin’On
    90) Foo FightersWasting Light
  • Top 2010

    22. Dez. 2010, 20:48

    Wow, que ano, que ano! É difícil escrever algo sobre um ano tão intenso e marcante como este 2010. Um ano que começou em uma fissura louca e absurda de tentar não deixar passar nada, em que acabei escutando do mais esdrúxulo ao mais sublime nesta ânsia musical patológica. Doença que foi inflada por uma hipergreve na minha universidade, em que o ócio e a vagabundagem me fizeram escutar quase um álbum novo por dia. Ainda bem que voltaram as aulas e essa alucinação passou, levando-me a reduzir drasticamente o ritmo nas novidades. Amém.

    Sim, o primeiro parágrafo tinha que ser assim, tinha que ser sobre como esta lista surgiu, porque ela é injusta, muito injusta, não só do ponto de vista objetivo, pois quem vos escreve não entende absolutamente nada de música, mas também do ponto de vista tempo/álbum. Muitos dos que estão rankeados foram mal escutados. Foram pisoteados e afastados para o limbo do meu hd, sem sequer uma segunda chancezinha. Neste exercício de honestidade, cabe um certo migué, pois por mais que minha lista surja como a supra-sumo das injustiças, a rabeira da merda pretensiosa, ela, ao meu ver (lol), não está muito pior que listas descoladas ou conceitudas por aí, até porque, em certa medida, elas não se diferem muito. É mais um ranking embasado em modismos, hypes, deshypes, pessoalismos e na falibilidade de não poder conhecer tudo.

    Depois dessa verborragia no sense, volto a falar um pouco desse nosso querido 2010. Pra mim, foi um ano mais do que especial, começando pelo fato de que muitas das minhas bandas preferidas e de cabeceiras lançaram algo novo nestes 12 meses, entre elas The National, Band of Horses, Kings of Leon, Midlake, Menomena, Shearwater e outras mais. Destas, umas me decepcionaram profundamente, como o enfadonho e "não, não acredito" The Courage of Others do Midlake, que, graças ao bom deus, foi recompensado pelo Queen of Denmark - John Grant -, que de certa forma fez o que eu esperava do sucessor do The Trials of the Van Occuphanter.

    Um breve parênteses, não que The Courage of Others tenha sido essa merda toda, pelo contrário, eu até gostei bastante nas primeiras vezes que escutei. Cheguei até ao absurdo de dizer, no reveillon passado, que as críticas que ele estava recebendo eram apenas por não conseguir manter o nível do seu antecessor, que era uma obra prima. Engano meu, mero engano. O álbum é fraco por ser repetitivo, por não ter diversificação e não engrenar nunca. É comida boa, mas sem sal. O tombo já era grande, mas por Midlake ser minha banda preferida dos últimos 5 anos, todos esses defeitos fizeram com que a queda tenha sido maior do que o que realmente foi.

    Mas tem coisa pior, como o álbum de covers CHATO PRA CARALHO do Peter Gabriel (amém), ou então a porcaria do Pigeons, Here We Go Magic, que conseguiu piorar a cagada que já tinha feito no primeiro álbum. Coisas como Hadouken! (pra que eu escutei isso?) e seu new rave terrível sempre entrarão como hors concours na lista de piores do ano, bastam lançar algo.

    E na música brasileira, o que tivemos? muita coisa boa, muita coisa boa de verdade. Confesso, com vergonha na cara, que acabei não dando a devida atenção ao que acontecia na nossa terra brasilis. Mais um erro meu. Ainda bem que de novembro pra cá, tentei desfazer a besteira que tinha feito e acabei escutando algumas coisas. Não foi o suficiente, infelizmente. Mas deu pra resgatar coisas como , Tulipa Ruiz, Karina Buhr e Thiago Pethit. Excelente é um adjetivo que pouco faz jus a eles. Alguns deles figurariam fácil no top 20 do ano, mas que por motivos estéticos (haha) será somente internacional.

    Outras coisas nacionais me surpreenderam, como o incrível álbum do Marcelo Jeneci, que me fez esquecer uma fraca apresentação aqui em Brasília no ano passado com seu soberbo Feito Pra Acabar, o qual sempre me faz sorrir com seus toques de Brian Wilson, ou então o debút do Watson, banda aqui da minha terrinha, com seus riffs grudentos e criativos que não saem da cabeça, tendo como único ponto baixo algumas letras fracas e forçadas.

    O meu nacional preferido? uhm, fico com o álbum homônimo do Apanhador Só. Fazia tempo que não decorava todas as letras de um álbum, até porque a maioria delas são bem simples hahaha. Empolgante e cativante, este é o típico cd que quando acaba, já dá vontade de colocar a primeira faixa pra tocar novamente. Entraria no meu top10 do ano. Sério. Músicas de destaque? Um Rei e o Zé, que abre o álbum mostrando ao que ele veio; Bem-me-Leve, apaixonante e linda, com seu ritmo que vai do reggeado às guitarras soladas; e a querida Maria Augusta, com a sequência de frase mais pop do cenário alternativo brasileiro hahaha.

    Alors, vamos ao que interessa, a lista desse ano. Decidi fazer um top 20, pois um top 10 não seria suficiente para abarcar os cds que me marcaram de fato neste ano (nem o 20 foi!). Segue o numerário.

    obs: não reparem na linguagem muitas vezes estúpida usada, boa parte da lista foi feita regada a Ypioca de Guaraná, sem contar o fato de que para cada crítica, eu meio que tentei fazer algo com a cara do álbum. Ficou horrível, i know. =(



    20) Gorillaz - Plastic Beach



    Como eu odiei esse álbum na primeira ouvida. Como eu continuei odiando na segunda, na terceira e na quarta. Daí desisti. Mas até que veio um sábado qualquer e eu liguei a tv. Estava passando um show deles. O céu abriu e clareou. Não consegui mudar de canal. Hipnotizante. Enérgico. Adrenalina pura. A orquestração e subida de Sweepstakes foi o estopim para eu dar uma décima chance para Plastic Beach. Talvez depois de ver ao vivo, minha mentezinha conseguiu se abrir para a genialidade de Damon. Cada ponto musical construído estrategicamente, uma variação de sons impressionantes, a sagacidade única do hip-hop e o empréstimo bem tomado do rock. Este é o caldeirão de Plastic Beach, este é o prato-feito de um dos grandes mestres da música atual.

    Destaques: On Melacholy Hill, Some Kind of Nature e Rhinestone Eyes.

    19) Deerhunter - Halcyon Digest



    Tá aí a banda mais produzida tintin-por-tintin do mundo indie e que mais tem a crítica aos seus pés. Deerhunter parece que foi fábricado perfeitamente para pairar eternamente no mainstream desconhecido do cult e alternativo. Bradford Cox é o ídolo que todo pseudopseudo sempre quis ter, alguém absurdamente genial, ou forjadamente genial, e não muito manjado (dependendo dos teus padrões haha). É o rei da mídia underground, um John Lennon dos desconhecidos desse novo século. Mas isso não invalida, talvez só reforce, o excelente trabalho que o Deerhunter vem fazendo na última década, e que mais uma vez foi posto a prova, agora com Halcyon Digest. Beirando o nosso batido e sempre foda (quando bem-feito) dream-pop, com músicas imersivas e pró-reflexivas, este álbum é o que melhor pode te acontecer em um dia em que o café é o teu melhor companheiro e a cama o teu habitat. Talvez a minha maior experiência musical individual este ano foi entrar em uma biblioteca com os fones no talo escutando He Would Have Laughed. É pra pirar ou abandonar tudo. Só não te recomendo, porque a todos que recomendei, ninguém gostou. Very sad.

    Destaques: Memory Boy, Helicopter e Coronado.

    18) Kings of Leon - Come Around Sundown



    “Quê? Kings of Leon em um top 20? ah, vão se foderem”. Não meu caro, não pare de ler aqui, eu te peço lol. Se achou tão estúpido esta boy band por aqui, pule esta posição e continue sua agradável leitura, mas infelizmente (?) eu tenho que colocá-los por aqui, é um exercício de honestidade e de acerto de contas com o passado. Enfim, pulando as pessoalidades idiossincráticas e indo ao que interessa, Come Around Sundown mostra mais uma vez que a família Followill não se prende a mesmice, por bem ou por mal. Saindo do pop piegas de Only By The Night, para um som um pouco menos estadiano e mais parado, a banda flerta com ritmos praianos, voltando também a bater o pé no southern rock dos dois primeiros álbuns, assim como arrisca algo alternativaço como o terceiro álbum. Para muitos, este álbum demonstra uma falta de força de vontade, um desleixo de uma banda que já chegou ao topo de sua carreira em termos de mídia. Para mim, mais um recomeço, assim como foram os outros quatro álbuns. Bom ou ruim, definitivamente não é a mesma banda de Youth and Young Manhood. Bom ou ruim, Come Around Sundown é mais um álbum do KoL que se tornou importantíssmo na minha vida, talvez seja porque somente o fato de escutar a voz do Caleb já me traga excelente lembranças. Só de álbum conseguir me causar esse tipo de sensação é o bastante para ele estar neste ranking.

    Destaques: Pickup Truck (uma das 5 melhores faixas do ano), Mary e Back Down South.

    17) Two Door Cinema Club - Tourist History



    Se você foi pra uma BALADA rs esse ano, e não escutou nenhuma música de Tourist History, mate-se, cara. Você está fazendo isso errado ou está frequentando lugares com péssimos djs. Mas relaxe meu parceiro, quem vos escreve só foi escutar músicas do Wolfgang Amadeus Phoenix em festas uns 4 meses depois que ele saiu. Pasmem. Onde vai parar a cultura indie frufru mainstream neste país? bah, falando do álbum em si, sim, ele é mais um dos muitos álbuns electro(?)indies que você escutou ou vai escutar na sua #vdm, mais do mesmo, mas mais daquilo que incendeia uma pista de dança como ninguém. O cd pega fogo do início ao fim, com poucos altos e baixos, podendo ser colocado no seu radiofone sem se preocupar com uma possível música chata que irá morgar sua festa. É uma televisão apenas com o áudio. Desligue o cérebro e curta a vida, dance e espere o dia raiar, porque amanhã tem outra festa. A citação do último álbum do Phoenix vem a calhar, pois assim como WAP, Tourist History se tornou indispensável nas pistas de danças modernuxas desse Brasil varonil. Se você vai se lembrar desse álbum daqui há 20 anos, pouco importa, o que vale são os pés dançantes de agora.

    Destaques: Come Back Home, This is the Life e I Can Talk


    16) Band of Horses - Infinite Arms



    Mais uma vez fazendo o que deve ser feito quando se trata de alt-country, o Band of Horses nos brinda com outro excelente álbum, que só fica atrás do seu insuperável debut. Com três pauladas de face, o álbum é aberto com uma sonoridade bastante diferente de seus antecessores, talvez com uma criatividade experimental menor, mas com uma consistência sonora maior que lhes aproxima de sons mais radiofônicos, possibilitando, talvez, vôos maiores para uma banda ainda com um nicho de fãs restritos (mesmo com todo sucesso gerado por The Funeral). Mais forte, mais rápido, com mais cara de moto do que de caminhonete (boa comparação, pqp hahaha), o álbum ainda nos reserva momentos calmos e de bucolismo extremos, como nas faixas que compõem o meio do disco. Mesmo com o desmembramento da banda, o Band of Horses mostra que continua sendo uma aposta certeira quando se trata da música interiorana americana no cenário indie, e que ainda é uma das melhores pedidas para te acompanhar naquela viagem ou naquele cair de tarde regado a cerveja e papos casuais. Por fim, como é de praxe, cabe um comentário sobre a excelente arte da capa, pois assim como nos álbuns anteriores, é linda e demonstra, de certa forma, o capricho que será encontrado em cada faixa do cd. Apaixonante, é o adjetivo mais apropriado para este álbum e para esta banda.

    Destaques: Laredo, Blue Beard e Evening Kitchen

    15) Yeasayer - Odd Blood



    Talvez o primeiro grande álbum do ano, o Yeasayer voltou com força nesse segundo trabalho, mostrando uma banda, ao meu ver, menos insegura e mais decidida sobre o que quer da vida. Um verdadeiro chute na porta, um verdadeiro cartão de visitas atrasado e uma concretização de algo que apenas ficou latente no enfadonho All Hour Cymbals (heresia aqui?). Para muitos, uma traição, um flerte mal feito com o pop. Pedras voaram quando o álbum saiu, muitas aliás. Mas ele resistiu, sobreviveu e agora no fim do ano apareceu em muitas listas de melhores do ano, e cá está em mais uma. O Yeasayer chegou onde muitos queriam estar, tem aos seus pés os dois reconhecimentos que qualquer artista almeja, o de crítica e de público. Odd Blood justifca o nome, esquisito, mas com um apelo aos ouvidos extremamente forte, som original e diferente, mas tendo como destinatário todos os gostos. Pega o melhor do que a música indie fez na sua imersão no mundo eletrônico, e rebobina num turbilhão pop de cores e texturas, em que o denso é leve, o difícil é tranquilo e o trabalhoso aparece como suave. Passeia entre um Animal Collective e a ralé das paradas de sucesso (haha) na maior facilidade. Memorável e marcante. Grudento e delicioso. Odd Blood fez meu fevereiro mais feliz.

    Destaques: Ambling Alp, O.N.E e I Remember

    14) The Phoenix Foundation - Buffalo



    Cacete, talvez o álbum mais lindo, fofo e apaixonante do álbum. Uma verdadeira flecha no coração. Uma declaração de amor. Não sei, nem sei. Talvez nem seja isso. Músicas hipnotizantes, em que a construção segue praticamente a mesma idéia do início ao fim, instrumentos caprichadamente repetidos em acordes que te fazem só querer deitar e não querer saber mais de nada. Enquanto isso, uma trabalho de sons menores é impecavelmente construído por trás de cada faixa, com um cuidado extremo digno de nota. E por fim, refrões feitos para serem gravados e cantados após a primeira ouvida. Todos esses ingredientes fazem de Buffalo um álbum a lá sorvete com creme, nunca te enjoa, e toda vez que você experimenta de novo, dá-te aquela aquela sensação de primeira vez; de "como essa porra é boa". A imensidão sonora de cada música é um sentimento de que entre nós e o céu não existe nada além do que uma questão de ponto de vista. Transcedência é a palavra adequada para as guitarras marcantes de músicas como Bitte Bitte e Pot. Este álbum é algo perdido nos vales do Colorado e reconstruído por essa digna representante da kiwi music. Só pode, eu creio.

    Destaques: Flock of Hearts, Buffalo e Bitte Bitte.


    13) Best Coast- Crazy for You



    Caras, eu nunca vi um hype tão grande como o que envolveu e envolve o Best Coast. Antes mesmo do álbum sair, era um buxixo só sobre ele. De certa forma, toda a crítica positiva em torno do cd já foi forjada antes mesmo dele sair. A banda já tinha a meiuca alternativa aos seus pés. Muitos modernuxos já tinham eles como seus favoritos da última semana sem ter escutado nem meia dúzia de músicas. Todavia, contudo, entretanto, tudo isso não retira o fato de que Crazy For You é pica. É o que todo álbum “indie” desprentensioso deve ser, apesar de todo o aparato midiático em torno de seu lançamento. Simples, cativante, radiofônico, memorável e que sempre merece um repeteco. Na vibração de um som praiano, com cara de que saiu de uma garagem qualquer de Huntington Beach e daquele encontro casual de amigos e seus instrumentos, o disco nos transporta para aquele sol de cair da tarde, com o som do mar e as gatas andando na beira-mar. Tire uma cerveja do isopor, ponha seus óculos escuros, vista teu shorts vermelho stilo anos 60 e embarque em mais um excelente modismo indiano. O amor existe, e ele pode ser comprado na quitanda do fim da rua.

    Destaques: Crazy For You, Bratty B e The End

    12) Apparatjik - We Are Here



    10.434 ouvintes. Esse é o marcador do last.fm enquanto escrevo. Caras, eu luto, mas não consigo entender. Enquanto tem tanto projeto paralelo lixo por aí fazendo uma caralhada de sucesso, essa estupenda reunião de cabeças, que soa melhor que as bandas originais (flaaame), não passa de algo relativamente desconhecido. Ta bom que 10k é algo até grande (hipsters motherfuckers), mas ainda é baixo para o que fizeram em We Are Here, ainda mais que um dos membros vem do chiquérrimo Coldplay (blergh) e outro do A-ha (quantos novos fãs deles vocês não descobriram com a passagem deles pelo Brasil? hahaha, não podia deixar passar essa). Bom, mas pra muitos, nem tudo são flores. Talvez Apparatjik tenha um toque brega, algo perdido e mal achado em um passado não enterrado da música eletrônica, ressaltado pelos vocais de Jonas Bjerre e algumas passagens mal explicadas (ou não) do disco. Pouco importa, o álbum é alucinante e, pra mim, de ótimo bom gosto, indo da música pra tocar na tua festinha de fim de ano - Supersonic Sound - a um som mais ameno e tranqüilizador - In a Quiet Corner -. Talvez reúna um pouco das coisas boas de cada uma das bandas mãe, como o vocal único, pop e marcante do Mew (mas eu não acabei de falar mal dele?), o eletrônico de caixa, aberto e radiofônico do A-há e o....bem, do Coldplay nós podemos dizer que só o fato de a gente não percebê-lo no trabalho já é um elogio.

    Destaques: Datascroller, Snow Crystals e Josie.

    11) The Tallest Man on Earth - The Wild Hunt



    "O novo Bob Dylan". É assim que a imprensa sacana trata Kristian Matsson. É pra foder, não? mas diferentemente de jogadores de futebol, esse tipo de comparação não afeta o trabalho de nosso pequeno grande homem, pois o que vemos em The Wild Hunt é a melhora do que já havia sido feito extraordinariamente no primeiro álbum. Folk de raiz, embora sueco, voz rasgada e melodias encaixadas perfeitamente em cada letra, ou o inverso. Este grande álbum de um único homem é o melhor do que a música interiorana pode e já nos demonstrou. Sem rodeios; apenas a velha viola com acordes rústicos, corantes e arrepiantes; e com cara de feito agorinha e debaixo de uma varanda aos goles de um bom bourbon. Nos remonta a uma vida simples, recheada apenas dos tormentos que o homem do campo tem, ou seja, dos tormentos verdadeiramente necessários. É quase um convite para você botar a mochila nas costas e colocar o pé na estrada. É um impulso para o desprendimento. Uma despedida para não mais voltar. A trilha sonora do adeus.

    Destaques: The Wild Hunt, Troubles Will Be Gone e The Drying of The Lawns.

    10) Kanye WestMy Beautiful Dark Twisted Fantasy



    O negão tá com tudo. Se levarmos em consideração o apelo midiático que o homem tem, sim, Kanye merece todos os prêmios que recebeu como personalidade do ano. Sendo o verdadeiro showman dos nossos tempos, ele faz o que poucos conseguem fazer ao chegar no topo, que é juntar toda a experiência adquirida no tempo e dar um salto além no trabalho desenvolvido até então, e não estagnar na mesmice do que produziu até então. E assim foi feito durante toda sua carreira, desde o aclamado debut, até este último álbum, com raros pontos baixos, e que mesmo assim, foram pequenos. Enquanto todo o hip-hop atual sempre caminhou para o ridículo extremismo engolidor de qualquer inovação, Kanye sempre se mostrou andando para o outro lado da corrente. Aproximando-se com o pop e com outros estilos, e não sentando em cima dos louros produzidos pela música negra até o momento, Kanye sempre abriu o mercado para novas experiências, em um verdadeiro intercâmbio de visões, em que a cosmopolita cultura estadunidense é visceralmente cuspida na cara da sociedade ociental pelos seus novos marinees colonizadores. Poucos gestos de reprovação. Aclamo geral. Nunca foi um rapper excepcional, melhores do que ele existem aos montes, seu mérito está na sua invetividade, no seu apelo visual e cultural. Um clipe é uma obra de arte, um álbum é um trabalho completo e extremamente pensado, em que o apelo emocional fica explícito. A alma canta. O detalhe não é apenas um detalhe, é condição da perfeição. Kanye é o “boss” da música ocidental atual, se isso é bom ou ruim, fica a questão. My Beautiful Twisted Dark Love me diz que não.

    09) The Radio Dept.Clinging to a Scheme



    Neste exato momento eu acabei de colocar o álbum para tocar. Domestic Scene começa. Nome bastante apropriado para a relação afetuosa que tenho com este álbum. Acho que foi o último grande álbum que tive o prazer de escutar e compartilhar idéias com meu irmão. Pega forte. Vem a segunda música, Heaven’s on Fire. Começa com uma pequena conversa, uma pequena conversa quase tautológica e, de certa forma, cômica para uns dias tão apáticos e alienantes. De juventude alienada. Vai bem, vem a calhar. Vem This Time Around, sua bateria pegada e suas guitarras simbólicas. Paro por aqui, isso não é um guia do álbum, de um álbum que diz por si só, de uma banda que diz por si só. Assim como Deerhunter, The Radio Dept. circula no universo abençoado das bandas (excelentes) que são capazes de produzirem uma imagem devidamente apropriada para o “cenário alternativo”. São mais um produto dos grandes negócios, mas não por isso são algo ruim. O shoegaze (um pouco distante ou na sua forma mais pop neste álbum) ainda faz eco e canta como a grande fonte de boas bandas da atualidade.

    Destaques: Heaven’s on Fire, Never Follow Suit e The Video Dept

    08) Avi Buffalo - Avi Buffalo



    Ali em cima, devo ter dito que o álbum do The Phoenix Foundation era o mais bonito do ano. Uhm, pode até ser, mas empatado com o debut dessa foderástica banda californiana. Beijando o indie-pop, com um toque caipira e folkeado, Avi Buffalo é um escorrer de paisagens campesinas, de primaveras e do solares de casinhas de madeira. Feito para tocar na radiozinha da pequena cidade ou do campus universitário, é um convite para se apaixonar descompromissadamente. Melodias perfeitamente construídas rebatem no coração e produzem os melhores prazeres. Aberto com Truths Sets In e suas guitarras, acompanhadas de um violão meloso ao fundo; passando por Five Little Sluts, minha preferida, em que o piano dita um ritmo mais do que gostoso e o refrão nos abre aquele sorriso faceiro; e finalizando com Where’s Your Dirty Mind, com uma melodia que quase faz papai chorar. Esse é Avi Buffalo, esse caldeirão de sensações e emoções, algo que você não consegue viver sem depois de conhecer. Ainda dá tempo de você viciar nesse remédio para dias que a falta de afeto lhe consome (ô piegas, haha). Uma pena ser tão curto.

    Destaques: One Last, Remember Last Time e Jessica

    07) Fang Island - Fang Island



    Mais um debut do caralho. Menos uma banda de math-rock (?) e post-rock (??) que não se resume aos clichês desses estilos, e que com isso não acaba sendo chata pra caralho (haters gonna hate). Até eu que não curto muito música instrumental, acabei me rendendo ao som de Fang Island, e não foi por causa dos esparsos vocais no meio de tanto ruído sonoro. Falando neles, é o som que saí de nossas cordas vocais que abre o álbum, logo já seguido por uma porradaça de guitarras típicas do math-rock, acompanhada da bateria quebradiça, que é de praxe e de bom grado. Os instrumentos dançam, os acordes cantam, as guitarras assobiam e gritam e a percussão come. Vem Daisy. Daisy, ah Daisy, quase um apêndice das duas primeiras músicas, um ser indissociável da abertura do álbum, que lhe serve de prelúdio e abre-alas. Frenética e recheada de adrenalina, Daisy é a representatividade desse puta álbum, o marco potencial do que essa banda pode fazer no resto do álbum e em discos vindouros. Arrepiante, que não deixa o pior dos sedentários parar de correr. Uma injeção de heroína capaz de fazer um cadáver dançar. Essa é Daisy, a mulher dona da melhor trepada do ano. O resto do álbum? Pouco importa, só as três primeiras faixas já lhe renderiam esta sétima posição. Mas não chorem, o restante vale muito a pena, pois ainda há os riffs mnemônicos de Sideswiper, ou a anunciada subida épica de Davey Crockett. Escutem e não me culpem. Há braços.

    Destaques: Daisy (uma das 5 melhores músicas do ano), Careful Crossers e Sideswiper.

    06) Shearwater - The Golden Archipelago



    Um teste para o gênio (de) Jonathan Meiburg. Seria o primeiro álbum sem o seu parceiro inseparável de Okkervil River, Will Sheff. Por mais que Rook e Palo Santo sejam feitos quase por uma única mão, Sheff ainda estava ali, o seu toque pop e piegas ainda influenciaria de alguma forma. Agora, finalmente, Mailburg estaria só. Era o mais importante e mais difícil passo de sua carreira. Para encanto geral e um salve de todos, o passo não só foi bem executado, como foi perfeito, arrebatou tudo o que já tinha sido feito até então pelo Shearwater. Visceral, soturnamente visceral, visceral soturnamente, delicadamente visceral. Todo o cuidado dos dois álbuns anteriores é repetido aqui, a mística selvagem novamente se faz presente, o específico transcedental da vida no campo e longe da civilização é mais uma vez tratado. Mas agora de forma mais contudente, de forma mais direta e perfeccionista. Um álbum que acaba te transportando para os mais longes confins desse mundo, mesmo feito com o melhor de nossa cultura ocidental conquistadora. John, que visitou e pesquisou ilhas e povos esquecidos do pacífico para fazer este álbum, consegue reproduzir de forma esmagadora a atmosfera das intempéries e belezas únicas da vida longe do processo civilizatório. Um canto raro de pureza libertadora. Uma ode à natureza. O gênio selvagem libertado.

    Destaques: Black Eyes, Castaways e Landscape at Speed.

    05) Arcade Fire - The Suburbs



    Pra quem está no topo, a vida é mais difícil. Arcade Fire experimentou isso com o cambaleante Neon Bible. Excelente álbum, mas que esbarra no excesso de pretensão, levando a uma falta de fluidez lamentável para aqueles que tiveram o melhor debut da década. A expectativa para The Suburbs era imensa, o burburinho da alta roda do mundo alternativo já tinha preparado o salão. O álbum, antes mesmo de sair, já era o centro das atenções. O palco estava armado para uma queda monumental. Dentes ferozes estavam doidos para caírem nas jugulares dos canadenses. Vem o vazamento/lançamento, vem a blindagem pelo próprio resultado alcançado. Vem o impecável. Vem a retomada de rumo. Vem o alívio dos fãs. Não teve pra ninguém. Ninguém pode se lamentar. Arcade Fire volta para o posto de melhor banda da atualidade, lugar de onde nunca devia ter saído. Recuperam, se é que perderam, o espaço de cabeças-de-chave da nova música que sempre acreditamos. O álbum? The Suburbs é o mais despretensioso de todos os álbuns da banda, fluente do começo ao fim, nos leva em um embalo de paixões e memórias, que vão da infância a adolescência, às casualidades bairristas que são problemas gigantescos no nosso limitado perspectivismo mundano. Os questionamentos característicos da banda ainda se fazem presente, as perguntas ainda sem respostas são formuladas. Mas menos desesperadas, mais conscientes do seu lugar no estado de coisas. De certa forma, isso é o que representa The Suburbs, um Arcade Fire consciente de seu papel no cenário musical.

    Destaques: The Suburbs, Suburban War e Sprawl II

    04) John Grant - Queen Of Denmark



    Talvez este lugar estivesse reservado para o Midlake. Talvez. Mas graças ao bom deus, John Grant supriu fenomenalmente esta ausência (até porque o Midlake ajudou na produção desse álbum), com um álbum magnífico e emocionante, que só podia ser feito por alguém com uma carga de experiências tão forte e avassaladora. Ex-líder do injustiçado The Czars, desde cedo John deve ter convivido com os dissabores dessa vida, entre eles o preconceito e a dificudade de autoafirmação (ele é homossexual) e as drogas. Em Queen of Denmark, transborda a dor, o sofrimento, a alegria passageira e uma depressão desoladora. Feito para os solitários e soturnos, para aqueles que mais preferem viver a sós a querer viver, o âmago despedaçado é exposto em uma porção de músicas perfurantes. Toda idiossincrasia de um ser sem destino é catapultado por um folk soturno e dilacerante, com melodias que batem e despertam os mais profundos desejos e sentimentos, em que a bucolicidade e os problemas psicológicos da vida moderna se trespassam e se confundem em um soterrador cântico reflexivo e mortal. John se abre, John parece clamar por um socorro, John, nessas 12 faixas, transforma-nos em seu amigo íntimo. Tememos e rezamos por ele. Compartilhamos de sua dor, sofremos por ele. Um álbum único, um sentimento único ele desperta. Um manifesto dos desvalidos e aterrorizados solitários desse mundo. Queen of Denmark é muito mais que um substituto do Midlake, é injusto tratá-lo assim, é um grito de todos nós, que assim como John, acordam e dormem com fantasmas que teimam em nunca deixar a felicidade irradiar em nossos corpos. É o registro daqueles que não nasceram para o sol.

    Destaques: I Wanna Go to Marz, Where Dreams Go to Die, Sigourney Weaver e Outer Space (único álbum que merece mais de três destaques. Um clássico)

    03) The National - High Violet




    Como eu esperei por esse álbum. Com certeza foi o cd que mais aguardei em todo ano. Estremeço toda vez que escuto os primeiros ruídos de Terrible Love. The National desperta uma profusão de sensações em mim que eu dificilmente conseguiria descrevê-las com palavras. Parece que a banda, suas músicas, suas letras se encaixam perfeitamente em todos os fatos que aconteceram nos meus últimos três anos. Por tudo isso, High Violet era o álbum que eu tinha mais medo de me decepcionar. Felizmente, veio melhor que a encomenda. Não barrando só o insuperável Boxer, o trabalho de 2010 é mais uma representação da tormentosa vida comum de um homem médio, seus problemas, seus medos, suas paixões, suas idas e seus retornos, tudo isso imaculado e unificado na pessoa e na voz de Matt Berninger. Fundador de uma ceita, este homem é o responsável pela materialização da consciência coletiva de uma geração sem rumo e norte, perdida na vastidão de seus sentimentos e prazeres fugazes, mas que nem por isso deixa de dar sua opinião, de mostrar seus desapontamentos e tomar partido nas discussões de sua época. Uma geração em que a dúvida é o seu lema, e a incerteza o dogma. Tudo balizado por uma atmosfera post-punk, ambientes etéreos criados por uma orquestração ímpar, guitarras esparsadas, baterias militares e a voz potente, contagiante e sentimental de Matt. High Violet é o retorno para casa de alguém que saiu para o mundo, não o venceu, muito menos o conquistou, que viu seus sonhos se despedaçando e a crueza da realidade sendo pior que o mais terrível de seus pesadelos. Mas é o canto da esperança, de uma esperança triste, mas que ainda busca aquele lampejo de felicidade no mais normal dos fatos eventuais. É a delicadeza e a genialidade da vida comum o objeto de trabalho desta que é uma das grandes bandas dessa década. A tomada de consciência é só conseqüência de nossos hábitos.

    Destaques: Bloodbuzz Ohio (uma das 5 melhores faixas do ano), Terrible Love e Vaderlyle Crybaby Geeks

    02) Ariel Pink’s Haunted Graffiti - Before Today



    “My chances of sleeping with Ariel Pink have increased immensely! That is, If this wasn't staged. I can hope can't I?”. Esse é um exemplo de reação habitual causada por este gênio contemporâneo, que finalmente caiu no gosto de todos, incluindo da crítica. Somente chegamos a este ponto com o magnífico Before Today, que é uma explosão única de criatividade, feita, aparentemente, com os mais básicos artifícios. Menos lo-fi que seus antecessores, o álbum mistura uma aproximação perfeita entre o pop e o underground avant-garde da cena indie, tendo como resultado um álbum radiofônico, ainda que bizarro; artificialmente apaixonante como a prostituta da noite anterior. Em cada faixa, a inventividade brilha e passeia entre os mais diferentes níveis de no sense e seriedade. Sendo feito para tocar desde o culto da igreja evangélica ali da esquina ao bailinho do bar gay da rua do teu primo, Before Today destoa de toda a mesmice que paira o cume das bandas mais hypadas da “cena alternativa”. Entre as “tracks”, destacam-se, entre outras, o hino chiclete dos índios neste ano, Round and Round, faixa dançante, com o melhor refrão do ano, com um q de festa hipster no ar e um ritmo que conduz a alma para aspirações transcendentais no altiplano andino; Bervely Kills, que parece até ter saído de um comercial b da Barbie, com seu ritmo boggie nights semibrega; e o hit radiofônico da jovempan das madrugadas alternativas, Bright Lit Blue Skies, que se não fosse pela bizarrice comum de Ariel Pink, assemelharia-se àquela sua bandinha manjada que tu carrega no ipod para mostrar pro teus parceiro da quebrada com tom de novidads. Rebolando entre o extremo bom gosto e o travesti mal vestido que você vê da sacada do hotel em Copa, esse é Before Today, sem dúvida mais um suspiro de inspiração pura produzida pelos pequenos gênios perdidos nos confins de garagens apertadas ou quartos solitários, trespassados pela cultura pop de massa que mais mata que a fome na África, mas que mesmo assim produz torres de glitter e brilhantes, e isto é o que importa, convenhamos. Ariel Pink apóia e beija sua boca com batom.

    Destaques: Round and Round (uma das 5 melhores faixas do ano), Fright Night (Nevermore) e Menopause Man.

    01) Menomena - Mines



    Chegamos, finalmente, a ele, o primeiro da lista, ao meu álbum preferido deste ano. Mines. Mais uma obra-prima de uma das minhas bandas prediletas, mais um tiro certeiro desse trio que, ao meu ver, representa tudo que a música desse novo início de século fez e pode fazer. Congregam um certo experimentalismo com o regresso acertado ao público, com faixas que são um petardo de criatividade e radiofonia. Em 2010, o Menomena não conseguiu superar o meu álbum da década passada, que é deles - Friend and Foe -, mas isso não é demérito algum, pois Mines faz absolutamente o que dele se esperava, ou seja, que ele não deixasse a peteca cair. E faz isso com louvor único. Com uma pegada forte no indie mainstream e de fácil acesso, o álbum consegue passear, com uma facilidade impressionante, por uma diversidade de ritmos, experiências e sensações, num experimentalismo calcado numa criatividade que não parece ter fim. TAOS, minha faixa do ano, com sua estrutura quebradiça, que quase me lembra um improvisadíssimo jazz, é o sumário do que vai ser distribuído nas demais músicas. O libertar, a demonstração de que para o Menomena não há estruturas presas, que as correntes quebradas em Friend and Foe realmente foram esquecidas e não mais vão voltar. Um verdadeiro foda-se para quem esperava uma coisa mais contida ou direcionada. Apesar de toda acessibilidade, o Menomena não faz isso propositadamente. No típico bordão de fã retard, “não se vendem”. Mas aí que está a essência de tamanha vitória, fazer algo extremamente complexo e criativo, mas mesmo assim aberto a todos os gostos e ouvidos. É a música pela música, independentemente de qual objetivo eles vão alcançar. Menomena sempre me soa como um sopro para a autonomia e a tomada de rédeas, e Mines, entre tantos condicionamentos em que vivemos, parece-me o álbum mais honesto do ano, no qual pretensões e despretensões são facilmente percebidas e reconhecidas. Recheado de subidas e descidas, o álbum é um passeio de montanha russa no que de melhor a música ocidental de calçada nos presenteia. Para ir além, Mines, para mim, é a amálgama musical representativa desse fantástico 2010, é o álbum que resume o ano para mim. Ta aí o porquê dessa primeira posição.

    Destaques: TAOS (faixa do ano), Dirty Cartoons e Five Little Rooms.


    A lista completa de tudo que ouvi.


    01) Menomena - Mines
    02) Ariel Pink's Haunted Graffiti - Before Today
    03) The National - High Violet
    04) John Grant - Queen of Denmark
    05) Arcade Fire - The Suburbs
    06) Shearwater - The Golden Archipelago
    07) Fang Island - Fang Island
    08) Avi Buffalo - Avi Buffalo
    09) The Radio Dept. - Clinging To A Scheme
    10) Kanye West – My Beatiful Dark Twisted Love
    11) The Tallest Man on Earth - The Wild Hunt
    12) Apparatjik - We Are Here
    13) Best Coast - Crazy For You
    14) The Phoenix Foundation – Buffalo
    15) Yeasayer - Odd Blood
    16) Band of Horses - Infinite Arms
    17) Two Door Cinema Club - Tourist History
    18) Kings of Leon - Come Around Sundown
    19) Deerhunter - Halcyon Digest
    20) Gorillaz - Plastic Beach
    21) Belle & Sebastian - Write AboutLove
    22) Tame Impala - Innerspeaker
    23) Joanna Newsom - Have One On Me
    24) Portugal. The Man - American Ghetto
    25) Broken Social Scene - Forgiveness Rock Record
    26) The Walkmen - Lisbon
    27) The Besnard Lakes - The Besnard Lakes Are The Roaring Night
    28) Local Natives - Gorilla Manor*
    29) Beach Fossils - Beach Fossils
    30) Hot Chip - One Life Stand
    31) Los Campesinos! - Romance is Boring
    32) Jaga Jazzist - One-Armed Bandit
    33) Dr. Dog - Shame, Shame
    34) She & Him - Volume Two
    35) Ceo - White Magic
    36) Big Boi - Sir Lucious Left Foot...The Son Of Chico Dusty
    37) Midnight Juggernauts - The Crystal Axis
    38) Stone Temple Pilots - Stone Temple Pilots
    39) The Black Keys - Brothers
    40) The Dillinger Escape Plan - Option Paralysis
    41) Broken Bells - Broken Bells
    42) MGMT – Congratulations
    43) Sufjan Stevens – The Age of Adz
    44) Ghastly City Sleep - Moondrifts
    45) The Foot. - Primary Colours
    46) Owen Pallet - Heartland
    47) Beach House - Teen Dream
    48) Vampire Weekend - Contra
    49) Interpol – Interpol
    50) Marina & the Diamonds - The Family Jewels
    51) Minus the Bear - Omni
    52) The Apples In Stereo - Travellers in Space and Time
    53) Delorean - Subiza
    54) The Morning Benders - Big Echo
    55) Uffie - Sex Dreams and Denim Jeans
    56) Foxy Shazam - Foxy Shazam
    57) Circa Survive - Blue Sky Noise
    58) Sarah Jaffe - Suburban Nature
    59) The Futureheads - The Chaos
    60) Bullet for My Valentine - Fever
    61) Errors - Come Down With Me
    62) Elephant9 - Walk The Nile
    63) Evelyn Evelyn - Evelyn Evelyn
    64) The Miserable Rich - Of Flight & Fury
    65) The Mannish Boys - Shake For Me
    66) Ke$ha - Animal
    67) Darwin Deez - Darwin Deez
    68) Nazca - Out
    69) The Ocean - Heliocentric
    70) Hign On Fire - Snakes For The Divine
    71) Horse Feathers - Thistled Spring
    72) Behind Sapphire - Behind Sapphire
    73) Roky Erickson with Okkervil River - True Love Cast Out All Evil
    74) Wavves - King of the Beach
    75) Xiu Xiu - Dear God, I Hate Myself
    76) Seabear - We Built a Fire
    77) Gil Scott-Heron - I'm New Here
    78) Caribou - Swim
    79) Funeral Rape - Porn Afterlife
    80) LCD Soundsystem - This Is Happening
    81) Balkan Beat Box - Blue Eyed Black Boy
    82) Soulfly - Omen
    83) Voodoo Band - Hooray! Here Is Coming Voodoo Band
    84) Aqualung - Magnetic North
    85) Bass Cleff - May The Bridges I Burn Light The Way
    86) Alcest - Écailles de Lune
    87) Kate Nash - My Best Friend Is You
    88) Surfer Blood - Astrocoast
    89) Ellie Goulding - Lights
    90) Spoon - Transference
    91) The Magnetic Fields - Realism
    92) Jónsi - Go
    93) Coheed and Cambria - Year Of The Black Rainbow
    94) FramePictures - Remember It
    95) Rafter - Animal Feelings
    96) Goldfrapp - Head First
    97) Corinne Bailey Rae - The Sea
    98) Massive Attack - Heligoland
    99) Midlake - The Courage of Others
    100) White Hinterland - Kairos
    101) Dum Dum Girls - I Will Be
    102) A Day to Remember - What Separates Me From You
    103) The Weepies - Be My Thrill
    104) Victoire - Cathedral City
    105) Husky Rescue - Ship Of Light
    106) Sleigh Bells - Treats
    107) CocoRosie - Grey Oceans
    108) Foals - Total Life Forever
    109) Doug Burr - O Ye Devastador
    110) Freelance Whales - Freelance Whales
    111) Crystal Castles - Crystal Castles
    112) Field Music - Measure
    113) Scissor Sisters - Night Work
    114) Janelle Monáe - The ArchAndroid
    115) Martha Tilston - Lucy And The Wolves
    116) Hadouken! - For The Masses
    117) Deftones - Diamond Eyes
    118) The Freudian Slip - Positive-Negative
    119) Here We Go Magic - Pigeons
    120) Peter Gabriel - Scratch my Back
  • Top 10 Internacional - 2009

    26. Dez. 2009, 21:23

    Mais um ano se passou, uma década chega ao fim, e mais do que nunca a história da música passa a ser escrita por várias mãos. A democratização do espaço musical, em um ambiente de mão dupla, é o cerne das mudanças que se operam tanto no lado de quem faz e divulga a música, como no lado daqueles que somente ouvem.

    E assim, criar qualquer ranking que se refira a música se torna cada vez mais complicado, não só pela enorme quantidade de informações que recebemos diariamente, em um contexto em que praticamente tudo está ao nosso alcance, mas também pela perda de objetividade do objeto musical, em que o nosso subjetivo, cada vez mais inclinado a aceitar todo tipo de tendência, ganha novos refinamentos, justamente pela abertura de novos canais de comunicação, que contribuem não para uma nova história da música despositivada, mas por uma história positiva da música realizada por várias partes.

    Nessa conjuntura de bombardeamento de informações, foi dificílimo criar um top10 de 2009, pensei até em criar um ranking com mais posições, mas acho que perderia um pouco da graça, tornando-se enfadonho. Fico pesaroso em deixar álbuns como o début do Mayer Hawthorne, A Strange Arrangement, e os trabalhos do Omar Rodriguez de fora, mas nada mais inerente a um ranking do que injustiças.

    Vamos acabar com esse papo mole e ir ao que realmente interessa, a lista:




    10) Dananananaykroyd - Hey Everyone!

    Não só o nome que chama a atenção, mas a sonoridade pesada e forte, mas que ao mesmo tempo consegue ser extremamente pop e pagajosa, é o que faz de Dananananaykroyd uma das bandas mais interessantes de 2009. Hey Everyone!, álbum de estréia desses escoceses, vária da gritaria insana, digna de um álbum de metal, a guitarras dançantes, como aquelas que se costuma ouvir em festas indies.

    Destaques: Black Wax, Infinity Milk e Song One Puzzle.



    09) Dirty Projectors - Bitte Orca

    Assim como Veckatimest (Grizzly Bear), não foi amor à primeira vista o que senti por Bitte Orca. O som confuso, construído de forma não convencional e quebrado não tornam Dirty Projectors uma banda tão amada. Mas é justamente nestas suas peculiaridades que se descobre o quão interessante, genioso e gostoso é o som feito por esse quarteto americano. Sendo uma das grande pérolas do folk experimental, e encontrando criatividade no estranho, Bitte Orca merece ser apreciado.

    Destaques: Stillness Is the Move, Two Doves (na minha opinião, a mais "acessível" , e uma das melhores músicas do ano) e Fluorescent Half-Dome.

    obs: eles estiveram no Brasil, bem perto aqui de Brasília, em Goiânia, e eu não fui vê-los. Mereço as pedras.



    08) The Whitest Boy Alive - Rules

    O gênio de Erlend Oye não pode parar. O segundo álbum do The Whitest Boy Alive mostra que sua criatividade está mais afiada do que nunca. O som simples, dançante e com toques criativos de música eletrônica é a marca de Rules, que consegue ser mais viciante que o disco de estréia da banda, Dreams. O único porém é você não conseguir parar de escutar, um clichê, mas que é a mais pura verdade.

    Destaques: High on the Hells, 1517 e Dead End.



    07) Julian Casablancas - Phrazes For The Young

    Muita expectativa em torno desse álbum, que no fim se mostraram justificadas. Julian conseguiu se afastar do que fez no Strokes, mesmo que o som de Phrazes For The Young, em determinados momentos, ainda lembre os seus antigos trabalhos, e fazer um trabalho autêntico e original. Embora com músicas relativamente grandes, para o padrão de Julian, a mistura do rock do novo século com sonoridades das décadas de 70 e 80 não se torna cansativa, pelo contrário, o álbum é grudento como chiclete, algo que o bom e velho Casablancas sabe fazer bem.

    Destaques: Left & Right in the Dark, 11th Dimension e Tourist.



    06) Passion Pit - Manners

    Na minha opinião, junto com Wolfgang Amadeus Phoenix, o álbum mais viciante do ano. Perfeito e feito para as pistas de dança, Manners é o indie pop, com electro, na sua forma mais contagiante. O falsete de Michael Angelakos, que o faz até parecer com uma mulher cantando, é talvez um dos aspectos mais marcantes da banda, e com certeza o que mais nos faz dar vontade de sair cantando músicas como Sleepyhead na primeira ouvida. Passion Pit se tornou requisito necessário de uma boa festa.

    Destaques: Swimming In The Flood, Folds In Your Hands e Seaweed Song.



    05) Phoenix - Wolfgang Amadeus Phoenix

    Um salto para a fama, talvez isso represente o que foi esse álbum para a banda Phoenix. De grupo relativamente pouco conhecido, para um dos grandes fenômenos do ano, Wolfgang Amadeus Phoenix é um marco na carreira da banda. No álbum, os franceses apresentam uma sonoridade indie rock, com uma leve tendência eletrônica, resultando em um som extremamente pop, viciante, dançante, contagiante, gostoso e amável. Adjetivos não faltam para um dos grandes petardos do ano. Uns disseram que eles se tornaram uma banda indie comum, já acho o contrário, deixaram de ser uma banda indie comum para realizar toda sua potencialidade. Mozart não deve estar se revirando no túmulo por ter "emprestado" seu nome.

    Destaques: Lisztomania, 1901 e Girlfriend.



    04) Animal Collective - Merriweather Post Pavilion

    O clipe de My Girls é intuitivo, é muito ácido lisérgico. A capa de Merriweather Post Pavillion é intuitiva, vamos brincar com a cabeça de vocês. Logo no dia 20 de janeiro teriamos um dos álbums mais falados do ano, e que na minha opinião, de maior importância pode ter para o futuro da música. O maior mérito dele é conseguir fazer com que uma sonoridade extremamente psicodélica e cheia de camadas se torne acessível aos mais diferentes ouvidos. É como você transformar um ônibus espacial em um ônibus popular. É você possibilitar a todos uma viagem interestelar. É você conseguir se drogar sem precisar usar drogas. Merriweather Post Pavillion é uma experiência única. Talvez se ele já tivesse sido feito em 1967, Brian Wilson não precisaria usar lsd para fugir do mundo, e ainda se sentiria lisonjeado por encontrar tantas referências aos Garotos da Praia.

    Destaques: My Girls, Summertime Clothes e Lion in a Coma.




    03) Kasabian - West Ryder Pauper Lunatic Asylum

    Com West Ryder Pauper Lunatic Asylum, os britânicos do Kasabian atingiram seu auge. Mostraram que o britpop ainda pode viver, mesmo que de forma reciclada, e que a mistura rock e música eletrônica nunca conviveu tão bem. O potencial apresentando no disco de estréia e que não foi concretizado em Empire, tornou-se realidade neste álbum, que varia desde algo perto do gospel, como em Happines e seus excelentes backing vocals, ao som interiorano de Ladies and Gentleman, sem perder as características marcantes do primeiro álbum, como em Underdog e Fast Fuse.

    Destaques: Where Did All The Love Go?, Vlad the Impaler e Fire.



    02) fun. - Aim and Ignite

    Imagine vocais a lá Freddie Mercury, falsetes e melodias intrincadas no melhor estilo Beach Boys e o melhor que o pop bem feito pode oferecer. Isso é algo que resume uma das muitas facetas de fun.. Emocionante e inspirador, Aim and Ignite é um dos álbuns mais bonitos de 2009, faz ficar apaixonado sem motivos, nos abre um sorriso no rosto espontaneamente. Como diz um grande amigo meu, é grandioso sem ser exageradamente pretensioso. É complexo e cheio de reviravoltas sem perder o charme do som de massas e alegre. Viciante do começo ao fim, todos devem dar uma oportunidade a esse grande álbum. Potencial ele tem para marcar a vida de quem o ouve.

    Destaques: Light a Roman Candle With Me, Walking the Dogs e Barlights.



    01) Grizzly Bear - Veckatimest

    Finalmente, o meu grande álbum do ano, e finalmente o mundo se abriu a eles. Com Veckatimest, todos viraram os olhos para uma das bandas que faz um dos trabalhos mais interessantes da última década. Um folk experimental, que é a característica principal da banda, calcado nas bases abstratas do indie, é a tônica do álbum. Músicas perfeitamente construídas, vocais inspiradíssimos, pequenos detalhes, que dão um toque especial a cada faixa, bem pensados e um som introspectivo, com leve sabor psicodélico. Mas o que, para alguns, se tornava arrastados nos outros álbuns, em Veckatimest não há de ser, músicas como Two Weeks (minha música do ano) e While You Wait for the Others servem para quebrar o gelo e aprimorar a condução do álbum. Em Veckatimest, não só a banda alcançou o seu auge, mas o próprio movimento em que ela está inserida, nos quais aparecem Beach House, Dirty Projectors, Departament of Eagles (da qual, um dos integrantes faz parte do Grizzly Bear) e outras mais, como a nova Here We Go Magic, ganhou seu exponencial máximo. Veckatimest, em uma metáfora, pode representar o teto que faltava para a casa, e um alicerce para a construção do segundo andar.

    Destaques: Two Weeks, Cheerleader e About Face.


    E que venha 2010!