Review #4: Radiohead - In Rainbows (2007) [Portuguese]

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28. Jun. 2009, 6:43


In Rainbows - Radiohead
"O fenômeno Radiohead: A revolução de uma das maiores bandas da atualidade"

Detalhes do Álbum:

Nome/Músico: Radiohead (Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke)
Nome/Álbum: In Rainbows
Lançado: 10 de Outubro de 2007
Gênero: Rock/Alternativo
Duração: 42:34
Gravadora: XL Recordings
Produtor: Nigel Godrich

Avaliação Faixa a Faixa:

1. 15 Step
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

Um dos álbuns de 2007 mais aguardados pela imprensa se inicia com sons eletrônicos desorientados ao fundo, assemelhando-se a batidas secas e abafadas. Logo Thom toma a posse dos vocais e nos apresenta os primeiros trechos do sétimo álbum de estúdio dos roqueiros britânicos. "15 Steps" parece ser uma música romântica à la Radiohead, com um narrador no início se questionando como ele pôde terminar aonde havia começado e como permanece cometendo os mesmos erros. Ele ainda acrescenta que sua suposta companheira, o enrola porém ao final corta o fio, isto é, interrompe a relação, o impossibilitando de chegar até o seu objetivo final: ficar ao lado dela e terem de fato uma união. As letras do Radiohead permanecem, como sempre, incrivelmente metafóricas e ambíguas, portanto, livre para quaisquer interpretações, apesar de reter-se muitas vezes a uma abordagem central. Nesse caso, parece ser uma relação insatisfatória entre o narrador e essa segunda pessoa, em que o diálogo aparenta ser escasso e debilitado entre eles e o vigor da interação, decadente. No ínterim da faixa, o instrumental transgride em uma ambientação sonora sombria, com uivos ao fundo, enquanto as mesmas pronuncias do começo da música são repetidas, entretanto agora, com maior intensidade vocálica e certa poluição melódica. Sem dúvida é uma das tantas faixas experimentais do grupo e uma das particulares favoritas de seu crescente público.
Nota: 4.0/5.0



2. Bodysnatchers
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

A extasia toma temporariamente conta do grupo a partir daqui. Com Thom anunciando, com um ar surreal e dizendo desconhecer até mesmo sobre o que está falando, que tem provocado muitos erros e atos falhos com frequência. Ele diz que está preso em seu corpo e que não consegue se libertar. A euforia é contínua e mostra um narrador suficientemente histérico, propondo algumas teorias provindas, como ele mesmo afirma, do século 21. O lírico, mais uma vez, abusa das metáforas, mas, ao que tudo indica, Thom comenta sobre a hipocrisia que muitas vezes prevalece na sociedade moderna, incluindo óbvio, ele próprio. Ao final, por meio de alguns agressivos berros e uma congestão sonora ríspida, Thom diz que o colocaram sob uma nova pele e estava escrito em seu rosto, para todos verem, que ele era uma mentira. Esse é o tipo de música que realmente podemos compreender da maneira como convimos. Apesar disso, alguns fãs notaram que talvez ela se refira ao Radiohead e a indústria fonográfica, que geralmente os rotulam e impõem a eles posturas e tendências a serem adotadas (Briga com a antiga gravadora não é mera coincidência). Também é perceptível a alteração emocional do interprete da canção, que parece descontroladamente cantarolar os versos em conjunto a brutos e cortantes sons de guitarra. Essa mostra o lado descontraído dos britânicos, sem omitir o perturbador clima que acompanha o Radiohead desde seus primórdios. Talvez seja uma espécie de resposta em que mostram, da maneira artística que bem quiserem, que estão soltos para criar a obra que desejarem. "Bodysnatchers", em tradução para o português, significa alguém que rouba corpos mortos ilicitamente. Será que quiseram dizer que algo os roubaram? Algo tentou mostrá-los como não genuinamente são? A conclusão fica por você, ouvinte.
Nota: 3.0/5.0

3. Nude
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

O estado de transe anteriormente exprimido cessa nessa agradável e serena balada, com uma atmosfera languidamente tenebrosa, complementada a sutis sussurros de Thom. "Nude" que, em português, significa nudez, parece estabelecer referência ao pecado e, sumariamente, à sexualidade. As letras são mais uma vez imprecisas e abarrotadas em metáforas poéticas, mas nesse caso, foram reduzidas a uma composição minimalista. Embora difícil decifrá-las com exatidão, o narrador no começo diz que não se deve fazer planos muito grandes acerca daquilo, pois eles não irão acontecer. Outro trecho interessante é quando ele diz, para o receptor da mensagem, que ele irá para o inferno devido a sua mente suja. Aparentemente, a música trata da tentação mediante uma condição onde não há realmente paixão entre os dois indivíduos, mas sim, atração exclusivamente carnal. E, por causa disso, o narrador acaba por nos aconselhar a não se deixar levar por isso que, ao final, apenas traz efeitos negativos a nós mesmos. Ele parece ser mais romântico e ambicionar um relacionamento sério e duradouro com essa outra pessoa que, ao contrário dele, está a fim de diversão e acaba por consequentemente desvalorizar o momento que ambos compartilham juntos. Em outras palavras, pra ele é um instante único e inesquecível. Para a outra, algo casual e banal. A mensagem é, apesar do sexo ser prazeroso e satisfazer momentaneamente, que nada se sustenta por muito tempo sem amor e mútua devoção. Muitas vezes não vale a pena se aprofundar em algo, mesmo se muito desejado por nós, que claramente não terá progressos e nosso amor provavelmente não será recompensado. A melodia é relaxante, em sintonia com a calma e aguda voz que Thom incorpora por aqui.
Nota: 4.0/5.0



4. Weird Fishes/Arpeggi
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

Minha segunda favorita do álbum inicia, após alguns toques de baquetas de bateria, com leves batidas de tambores ao fundo, permeando adentro a um instrumental linear brando e confortador. Dentro de poucos segundos a guitarra é introduzida à melodia, juntamente à bucólica voz de Thom, proferindo sobre o fundo do mar, peixes estranhos e a iminente sedução de outrem, para com ele. A faixa começa com o narrador confessando estar relativamente hipnotizado por alguma outra pessoa, se perguntando por que ele deveria continuar ali, naquela perceptível desagradável condição. Ao que parece, ele está completamente iludido por essa outra pessoa. E mesmo quando tenta se libertar e fugir dessa obsessão, que notavelmente lhe traz malefícios, ele admite fracassar e não conseguir. Thom também cita acerca de vermes e peixes estranhos que, no contexto da faixa, significariam todos os agentes que o aterrorizam e deprimem, oriundos da circunstância a qual ele está submetido, estático sob a obstinação a alguém. Assim que são propagados os últimos versos da quarta estrofe, a música submerge a um ritmo mais intenso e dinâmico, acompanhados de gemidos ao fundo fundidos à sublime harmonia. A conclusão de Thom é a de que ele irá bater no solo do fundo do mar e escapar, isto é, a meu ver, tomar impulso e saltar em direção à superfície marítima, atingindo a margem da terra e conseguindo, como resultado, respirar ar fresco e puro, se livrando da sufocante e dolorosa experiência, obtendo a sua objetivada liberdade.No entanto, ainda que ele afirme com veemência a sua tentativa escapatória, a impressão que temos, e que a voz dele denota, é que ele ainda possui laços e fixação àquela pessoa que lhe fornece constante mal, ao não corresponder o amor que ele sente por ela. A música já agrupa entre os inúmeros clássicos do Radiohead e é um dos melhores e mais envolventes momentos do álbum.
Nota: 5.0/5.0



5. All I Need
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

Um som severamente apático e melancólico surge inicialmente nessa, antes do eletrônico em conjunto com a bateria se apresentarem. "All I Need" é mais uma música que exacerba o romantismo à moda Radiohead. Particularmente, a minha favorita da gravação. Os versos poéticos de Thom também são louváveis, em que ele diz a sua amada, que ela é tudo o que ele precisa, utilizando-se de metáforas como "eu sou um animal trancado no seu carro quente" (Aqui, talvez sua intenção tenha sido se referir à contenção que ela exerce sobre ele, deixando-o preso) e "eu estou no meio da sua foto" (Referência à ausente notoriedade que ela obtêm dele). A música prossegue numa invariância instrumental estável, em um ritmo angustiante e desesperançoso. Até que na ponte, após os dizeres do refrão, um crescendo do piano que antes era timidamente sobreposto aos demais instrumentos na canção, é magistralmente executado de forma ágil unido a barulhos agressivos e ensurdecedores provindos da bateria, gerando o momento ápice e mais dramático da gravação, em que Thom diz, interceptado periodicamente pelo contundente e viril complemento sônico de fundo, que está tudo certo e ao mesmo tempo, tudo errado. Certamente a música é um dos melhores instantes da obra e um dos melhores momentos no catálogo da banda. Ela é objetiva, breve e passageira, em comparação às demais do álbum. Poderíamos dizer até mesmo que é uma das mais radiofônicas e acessíveis deles. Arrisco até a dizer talvez que este é um dos marcos do "In Rainbows", que consequentemente será memorável a qualquer apreciador do Radiohead. Um clipe para a música foi desenvolvido pela MTV na época de lançamento, com ilustrações comparativas em tempo real entre o cotidiano e a realidade de um jovem de classe alta/média de ascendência europeia e um jovem asiático de classe baixa, que era submetido ao trabalho infantil e com frequência abusado fisicamente pelos seus responsáveis. Pra mim, o significado original da faixa permanece imutável, ainda considerando esse secundário contexto.
Nota: 5.0/5.0

6. Faust Arp
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

Acordes orquestrais são mais observáveis nesse parcial interlúdio entre o primeiro lado do álbum e o segundo. O violoncelo garante sua presença juntamente ao acústico de um violão no plano melódico da música. O título, em tradução para o português, significa "Arpejo do Fausto". Nela Thom recorre à lenda alemã e um personagem chamado Fausto que, segundo a história, fez um pacto com o diabo em troca de dinheiro, poder e astúcia. Entretanto, acabou em decadência tomado pelo seu egocentrismo irredutível e sua ganância exacerbada. As letras de Thom estão ligeiramente abstratas e subjetivas por aqui, produzindo pontos de reflexões inacabadas, nutridos de devaneios constantes e trechos com diretas conclusões. É notável, considerando a totalidade lírica, que o narrador seja observador à ruína do personagem o qual sucumbiu em meio à riqueza e sua incontrolável ambição munida por arrogância e individualidade. A principal meta da música é relatar sequencialmente a partir da fase de riqueza e fortuna de alguém, antecedida pelo posterior período de queda e degradação causado pelo egoísmo difundido pelo próprio. A música é explicitamente direcionada àqueles que cultivam uma vida superficial, materialista e inescrupulosamente consumista. Segundo a moral proposta na letra, essas pessoas, que ignoram e desprezam seus semelhantes e mantêm uma visão centrada em si, cedo ou tarde pagarão pelos seus atrozes e desumanos atos. A mensagem é ótima, melodia agradável, mas as letras de Thom estão visivelmente vagas e em partes confusas/insólitas.
Nota: 3.5/5.0



7. Reckoner
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

Uma das minhas favoritas do álbum, esta traz ecoantes batidas secas que rapidamente são acompanhadas pelo som esporádico de guitarra ao fundo. Quanto ao lírico, indubitavelmente é um dos mais abstratos do In Rainbows. Thom expressa como se estivesse falando com um calculista/pensador que, adicionalmente, é a tradução para "Reckoner". Muitos de seus fãs citaram, em suas interpretações, que essa música se refira a um narrador que esteja se comunicando com Deus. Em variados trechos ele solicita a este dito poder superior, que o leve junto com ele, compartilhando este emancipador desejo, com todos os seres humanos. Adiante, um piano é melancolicamente inserido sob as constantes batidas no instrumental. A música é abarrotada em mistério e possui um tom bastante enigmático, tanto reproduzido por meio sonoro quanto lírico. Embora seja difícil precisar com exatidão qual o verdadeiro sentido e significado da faixa, algo é verificável: há uma interação entre um ser inferior (o próprio narrador o qual emite as mensagens) e um ser superior (o receptor, o qual recebe as mensagens enviadas pelo emissor); porém, apesar da expressiva dissonância entre eles, parece haver uma pequena imploração por parte do primeiro, que pede para que seja salvo e ao final, inteiramente amado. Na ponte, a orquestra novamente aparece, mutuamente a brandos e gélidos gemidos de Thom e os outros integrantes da banda, para no final, formarem longínquos uivos, assemelhando-se ao barulho de sirenes. Parece que por aqui a intenção é que seja algo obscuro e exorbitante, realmente. A música é bela e apreciável. Um dos melhores e imperdíveis momentos do In Rainbows. Melodicamente, é uma das minhas favoritas.
Nota: 5.0/5.0

8. House of Cards
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

"House of Cards", que já é um hino entre os adoradores do Radiohead, possui uma das letras mais abrangentes e diretas do álbum. O primeiro fragmento lírico (Eu não quero ser seu amigo / Eu só quero ser seu amor / Não importa como isso termina / Não importa como isso começa), por exemplo, tornou-se instantaneamente um dos bordões mais utilizados dentre aqueles que aderem à banda. O instrumental segue linear, com alguns sons eletrônicos de fundo em sintonia com o acústico constante de uma guitarra. A música trata sobre a sujeita rejeição que estamos todos impostos quando em interação com um outro alguém. Thom utiliza a metáfora "Casa de Cartas" para realizar uma analogia com a formulação de um relacionamento afetivo entre duas pessoas, em que uma não ama suficientemente a outra e acaba fazendo desse envolvimento, algo difícil de se manter. Em situações como essa, paulatinamente vamos construindo com delicadeza e cautela nossa casa de cartas, em meio a uma profunda vulnerabilidade dele poder ruir a qualquer momento, seja quão mínima for a razão para tal. O narrador pede para que a pessoa que ele supostamente ama, que é comprometida igual a ele e está na batalha para firmar sua casa de cartas com seu outro companheiro, esqueça ela de uma vez, e que ele também fará o mesmo. Ao que tudo indica, a construção dessa casa de carta é árdua a ambos e ela pode sofrer um colapso a qualquer instante. Para eles, manter o relacionamento (manter suas casas de cartas) com seus respectivos parceiros é algo doloroso e antes de mais nada, frágil, pois carece de amor. Portanto, diante desse fato, Thom diz para essa pessoa esquecer tudo (isto é, sua antiga vida e companheiro) e que se entregue a ele. Após o ponto intermediário da faixa, Thom repete incessantemente a palavra "rejeição", com uma voz estremecida e exausta, seguido por vocais de fundo suspirando os dizeres "Sua orelha deve estar queimando". A melodia também é invariavelmente melancólica, representando talvez uma das faixas mais deprimentes e desoladas do álbum.
Nota: 4.5/5.0



9. Jigsaw Falling into Place
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

A penúltima faixa do brilhante In Rainbows mistura um pouco seu ritmo dançante com sua tensa sonoridade e ambientação. Em tradução para o português, o título significa algo mais ou menos como "Quebra-cabeça Caindo Nas Posições Certas". Ela é uma faixa bastante dinâmica, com vocais sintéticos e imediatos de Thom. Gradualmente sua melodia vai crescendo, à medida que o narrador diz uma série de fatos (Assim que você pega na minha mão / Assim que você escreve meu número / Assim que as bebidas chegam / Assim que eles tocam sua música favorita) que, conforme são realizados, em tese, o quebra-cabeça vai se encaixando. A analogia que a banda arquiteta nessa, é a de que o quebra-cabeça, na realidade, seja algo que a pessoa somente estará apta a completá-lo, quando realmente encontrar quem ela ama e for correspondida, para assim, dessa forma, o seu quebra-cabeça (que antes estava espalhado e incompleto) se encaixe, forme algo consistente e faça completo sentido. A faixa apresenta um conteúdo mais descontraído, enérgico e, quem diria, dançante do Radiohead. Também é uma das minhas favoritas (Talvez a terceira, ao lado de "All I Need" e "Reckoner"). Ela parece de alguma forma decretar o fim da repressão emocional transmitida por todo o disco, provocando uma sensação bastante lúdica, libertária e instintiva. Realmente agradável, principalmente o invejável e harmônico instrumental que cresce compulsivamente assim que a música chega à meados do seu fim. Vale a pena sair do chão e se animar um pouco com essa...
Nota: 5.0/5.0

10. Videotape
Colin Greenwood; Ed O'Brien; Jonny Greenwood; Phil Selway; Thom Yorke

Provavelmente a mais esbelta e dócil faixa do In Rainbows. Ouvindo ela você tem um nostálgico sentimento como se tudo tivesse sido cumprido, a guerra passado e o relaxamento como recompensa retribuído. Como se a tormenta e tempestade tivessem cessado, e o arco-íris aparecido. Ela possui apenas um piano acompanhado de efeitos eletrônicos de fundo. Thom diz que chegou ao paraíso e que todos os seus bons momentos estão e foram registrados em sua memória. A metáfora aqui é entre "fita de vídeo", em que conseguimos gravar algum acontecimento, e as nossas recordações em vida. Ele diz que tem tudo capturado, em vermelho, azul e verde (as três cores primárias) e que essa é a forma dele dizer adeus ao receptor da mensagem contida na música (Adeus pois, ao que parece, ele está indo para o paraíso e deixando essa vida que conhecemos por aqui como tal). É um ótimo jeito de se encerrar o álbum: de forma prazerosa e compensatória. Apesar de um pouco tristonha, como boa parte da maioria das obras do Radiohead enfatizam, ela é bela e gostosa de se escutar. Já, assim como muitas outras, um hino entre seus fãs, esta defintivamente crava o apoteótico e prolífico período do Radiohead como uma das maiores e mais influentes bandas rock do século 21.
Nota: 5.0/5.0

Considerações Finais:



Nota do Álbum: 4.5/5.0
Escolhas do Álbum: Weird Fishes/Arpeggi; All I Need; Reckoner; Jigsaw Falling into Place; Videotape

Comentário Pessoal:

O alvoroço começou em 2007, quando Radiohead anunciou que o lançamento do seu sétimo álbum de estúdio seria realizado de forma gratuita, por meio da Internet, em que o próprio ouvinte poderia escolher qual o valor que gostaria de pagar pelo disco. Teoricamente, Radiohead foi a primeira banda popular que se dispôs a adotar este método que até então era basicamente realizado por grupos de menor expressividade e comum entre os chamados indie (abreviatura para independente). Esta técnica, que foi criticada por diversos músicos cujos quais relataram arrogância e desrespeito por parte do Radiohead às novas bandas que não possuem condições para gerar lucro com seus trabalhos, foi utilizada principalmente, acredita-se, em virtude da briga dos integrantes da banda com sua antiga gravadora, EMI, que aparentemente interferia de forma abusiva em questões pessoais e particulares dos britânicos. Muitos viam como arriscada a medida que o grupo estipulou, mas ao final o saldo foi muito mais positivo do que qualquer fã do Radiohead pudesse imaginar: o sucesso foi tão estrondoso em vias de comunicação digitais chegando ao ponto até mesmo da banda ser uma das mais notórias em sites de relacionamento com ênfase em música como o próprio LastFM, por exemplo. O Radiohead crescia de forma exponencial na Internet, adquirindo fãs de todos os lados do planeta, com sua sonoridade melancolicamente morosa, mesclada a letras criativas e absolutamente metafóricas, abstratas e subjetivas. O "In Rainbows" veio para, nada mais, nada menos, confirmar a supremacia aderente juvenil que o grupo ostentava desde o lançamento do seu aclamado "OK Computer" e seu experimental "Kid A". É necessário também relembrar que eles são um dos pioneiros na elaboração dessa nova vertente do rock alternativo, na qual a angustia muitas vezes é focada tanto em termos líricos quanto melódicos e a ambiguidade interpretativa é deliberadamente almejada em cada composição que efetuam. Essa nova postura e técnica, é visível em muitos dos artistas atuais que claramente tomaram rumos distintos, mas possuem resquícios artísticos do Radiohead, tais como Coldplay, Muse, Keane, The Killers e tantos outros que emergiram baseados, não só nos britânicos aqui avaliados, mas na somatória dos aspectos disseminados por cada um dos mencionado anteriormente.

O "In Rainbows" foi gravado oficialmente durante o período de fevereiro de 2005 a Junho de 2007. Nigel Godrich, mais conhecido pelos seus trabalhos com o próprio Radiohead, apesar de ter colaborado com nomes como Paul McCartney, Beck, U2 e R.E.M., foi também o produtor do álbum juntamente com a banda (Ele é até mesmo referido, em virtude de sua longa estadia com eles, como o sexto membro do grupo). O resultado dessa combinação e velha fórmula que já tinha surtido benéfico efeito antecedemente, foi um dos melhores álbuns de 2007, sendo inclusive consagrado por diversos críticos respeitados pelo mundo. A grande verdade é que "In Rainbows" é sim um álbum diferente, humano e acima de tudo, reflete a tendência musical alternativa a qual estamos convivendo atualmente. Por meio dele, Radiohead conseguiu associar todos as atributos que inevitavelmente geram apelo e comoção social: o amor e o ódio. "All I Need" é uma das canções mais românticas deles, explorando a dependência e retenção que possuímos quando apaixonado por alguém. Além disso, detêm um dos crescendos em piano mais belos que escutei na minha vida. "Weird Fishes/Arpeggi" denota um lírico apaixonante e figuradamente criativo, com um instrumental cativante e envolvente: realmente temos a impressão de estarmos em uma jornada no fundo do mar. "Reckoner" tem uma melodia rítmica única e viajante, provando ser certamente um dos momentos mais agradáveis e confortadores do disco. "Jigsaw Falling Into Place" é maravilhosa do início ao fim, tornando quase indescritível as múltiplas belas e excitantes variações sonoras incumbidas nela; talvez seja a maior responsável, entre todas do álbum, no oferecimento de extasia enquanto a escutamos. "Videotape" é clássica e estonteante, um instante para calmamente reduzir o estresse e relaxar-se. Apesar de ser um álbum reverenciável do início ao fim, sou obrigado a ressaltar que o grupo ainda sofre de uma pequena ambivalência em suas letras, em que lacunas e porções vagas são diagnosticáveis, mostrando uma parcial debilidade lírica. Embora o alternativo seja mesmo marcado pela subjetividade e pelo implícito em suas obras, ela é por vezes feita de forma irregular e deficitária no álbum. Entretanto, isso não ofusca de forma alguma o brilho dele, que permanece, claro, como um dos melhores na carreira dos britânicos desde então.

Radiohead se destaca, senão mais, como uma das maiores e mais influentes bandas na música rock do mundo. A aprovação foi tamanha que chegou a atingir até mesmo um público atípico que antes não se interessava tão assiduamente pelos trabalhos da banda. A imprensa, críticos e demais jornalistas parecem mesmo ter escolhido, finalmente, um novo representante e herdeiro do velho rock/alternativo antes produzido por bandas como The Smiths, Joy Division e Sonic Youth. Uma das principais e mais eminentes preocupações do Radiohead, é em não se tornar algo demasiadamente público e popular. O que, para muitos é sinônimo ou consequência à banalidade. O Radiohead tem uma proposta em ser único e singular no cenário da música contemporânea, o que ele consegue realizar dignamente bem e até mesmo é bastante fortalecido por sua audiência devido a esta posição que acatam. Obviamente sabemos que há uma ocorrente rixa entre o gênero alternativo, isto é, músicas que contrariam o pop, e o gênero pop que, como contraposição, opõe o alternativo. Criou-se uma mística grande e amplamente corroborada por muitas pessoas, em generalizações de estereótipos, de que a música alternativa é inteligente e a música pop é burra. No meu honesto e pessoal conceito, discordo com veemência desta proposição. Como já disse incansáveis vezes, a música é um reflexo emocional do ouvinte. E como todos sabemos, somos providos dos mais distintivos tipos de emoções, sejam elas alegres, tristes, brumosas ou extravagantes. Os britânicos do Radiohead, por exemplo, somente exprimem um estilo e comportamento que se dizem condizentes a eles, mas não que isso seja exemplo ou verdadeira forma para se fazer música ou se agir ou pensar em sociedade. Como sabemos, música é uma celebração à diversidade entre os seres humanos. Sendo assim, Radiohead tem sim sua genuína e condolente importância em seu nicho, assim como, do outro lado da montanha, Lady Gaga contribui similarmente ao seu.

E viva a música!

Raul Gonçalves Roque
São Paulo/Brasil

Confira!

Radiohead - Jigsaw Falling into Place


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Akzeptierte Übermittlungen
Alternative, We Love British Bands

Kommentare

  • AndreRBreton

    Wow! Nice but.. 15 Step and Nude are very amazing song they deserve 5 starz xD

    28. Jun. 2009, 8:46
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