Rocking Brasília like a hurricane

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23. Okt. 2010, 2:56

Quarta 22 Set – Scorpions em Brasília

E então os Scorpions, as lendas do hard rock, passaram por Brasília depois de mais de 40 anos de carreira. Os alemães, em sua turnê de despedida, passam pelo Brasil na parte final de sua viagem pela América Latina para seis shows em cinco cidades brasilianas.

  1. Passaram primeiro por João Pessoa, no Sun Rock Festival, em um show que juntou mais de 18 mil pessoas e teve direito a Andreas Kisser juntando-se à banda durante o gran finale, com Rock You Like a Hurricane.
  2. Após isso e uma rápida visita ao Chile, Argentina e Bolívia, foi a vez dos paulistas serem agraciados com duas noites de rock.
  3. Dois dias depois, Curitiba dá as boas vindas ao grupo.
  4. No dia seguinte, a capital do país recebe o tão esperado show.
  5. Para finalizar com chave de ouro a visita ao Brasil, os Scorpions vão a São Luís.


Todos esses shows tiveram algo em comum: críticas à organização dos eventos. Foram empresas diferentes em cada local, mas todas com os mesmos problemas de logística e planejamento, e algumas mostrando uma séria incompetência no assunto. Foi o caso de Curitiba, cujo show começou, após uma inexplicável falta de energia durante o vídeo de abertura, com um... solo de bateria.


Brasília também não foi exceção, mas contarei tudo na ordem dos fatos.
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O ginásio Nilson Nelson foi o local escolhido pela produção para receber os Scorpions, com horário marcado de abertura para as 20:30. As pessoas começaram a chegar por volta das 10 horas da manhã, mas a maior parte dos fãs mostrou as caras a partir das 18h. As filas para todas as áreas (arquibancadas, pista/cadeiras e pista premium) estavam totalmente desorganizadas, parecendo mais apenas aglomerações de pessoas sem ordem alguma. Isso ficou ainda mais evidente quando a entrada no local foi liberada. Alguns seguranças, visivelmente mal informados, tinham problemas para ler ingressos, e outros não sabiam dar informações como localização de banheiros. Como as filas já estavam uma baderna várias horas antes de as pessoas poderem entrar, tudo virou um caos quando diversas pessoas começaram a furar fila. A fila da arquibancada, aliás, dava uma volta imensa no ginásio e andava a passos lentos.
Vencida essa etapa, adentrei a pista premium e garanti meu lugar na grade do palco. A banda de abertura, a gaúcha Tierramystica, já estava posicionada no palco, e antes mesmo que o local estivesse minimamente ocupado, iniciou sua apresentação.

A banda segue uma trajetória de sucesso: um ano após sua formação, já estão com um CD recém-lançado, A New Horizon, e, claro, abrindo o show de uma banda do porte dos Scorpions. Eles tocam uma mistura de heavy metal com instrumentos andinos, assemelhando-se ao estilo folk metal, mas com uma sonoridade bem peculiar. As músicas tocadas agradaram ao público, incluindo um excelente cover de Fear of the Dark. As obras originais também não deixaram a desejar, com Spiritual Song encerrando a apresentação.

O maior problema foi que, devido à desorganização das filas, pelo menos metade dos presentes, principalmente na arquibancada, entraram apenas depois do show dos brasileiros, uma grande falta de respeito tanto com o público quanto com os artistas.
Então, após um tempo, todas as mais 12 mil pessoas estavam em seus lugares. Tanta gente que a produção teve problemas com a movimentação dos refletores, localizados logo nas próprias arquibancadas, que já estavam bem cheias.
Devo fazer uma menção ao palco. Ele tinha uma passarela que o conferia uma forma de "T" achatado, e tanto as plataformas que compunham o palco quanto todo seu fundo eram cobertos de telas de LED. Nada tão extravagante quanto no caso do show do Guns 'n Roses que ocorreu anteriormente este ano, mas conferiram uma beleza à estrutura.
Às 22h35, finalmente, as luzes se apagam para que comece o show de uma das maiores bandas de heavy rock de todos os tempos.

O grupo, formado pelo vocalista Klaus Meine, os guitarristas Matthias Jabs e Rudolf Schenker, o baixista Paweł Mąciwoda e o baterista James Kottak, começou tocando uma versão ligeiramente acelerada de Sting In The Tail, faixa-título de seu mais recente álbum. Desde já, era visível a empolgação e simpatia dos artistas, pulando, girando e interagindo com o público. Esse público também respondeu com grande animação, cantando o refrão e ovacionando o grupo do início ao fim da música.
Em seguida, veio a morna Make It Real, que mesmo sendo integrante do clássico de 1980 Animal Magnetism, é menos conhecida do público em geral e acalmou um pouco os ânimos.
Depois, a poderosa Bad Boys Running Wild assumiu o comando. O riff que marca essa faixa é extremamente impactante, e isso, somado à capacidade vocal marcante de Klaus, mesmo aos 62 anos de idade, mostrou que de modo algum os Scorpions estão "velhos".
The Zoo. Qualquer um que conheça essa faixa sabe que ela é um grande sucesso da banda há décadas. Vários versos e o refrão foram cantados com grande intensidade pelo público. O grande destaque da faixa, além da melodia brilhantemente conduzida por Rudolf, é o famoso solo que Matthias toca com a voicebox, que modula o som de sua guitarra e dá um toque único e inconfundível a sua performance.
Chegou a vez da instrumental Coast To Coast, que teve imagens marcantes, como os quatro guitarristas (claro que Klaus, para não perder o costume, deu suas palhetadas também) reunidos em volta da bateria de James. Após isso, o momento Lovedrive prosseguiu com a divertida Loving You Sunday Morning, faixa que ficou mais conhecida por ser a abertura do DVD Acoustica.
Ela deu lugar à emocionante The Best Is Yet To Come, faixa de encerramento do álbum de despedida da banda. Todos cantaram o refrão, que foi composto para levantar multidões. O grito de "Heya-eh-oh!" soa como um hino de adoração e agradecimento a uma banda que marcou a vida de tantas pessoas com sua sonoridade pesada e marcante, mas não agressiva e nem com letras ofensivas. Entre "Heya-eh-oh"s e gritos de "Scorpions!", foi difícil não se emocionar. E, a título de curiosidade, para tocar uma guitarra adicional nessa faixa, subiu no palco o técnico de instrumentos de Matthias Jabs, Ingo Powitzer.
A parte mais calma do show continuou com uma das favoritas dos fãs, Send Me An Angel, cantada incrivelmente alto por todos no ginásio como um hino. Depois foi a vez de Holiday, também cantada pela plateia a plenos pulmões. O fato de eles também terem tocado a parte elétrica da música foi uma bela surpresa. Para finalizar o momento de descanso, Wind of Change levou todos ao delírio. O primeiro refrão, claro, foi cantado pelos brasilienses (e todos que vieram de outras cidades e regiões), sendo uma das músicas mais marcantes da apresentação.
Essa foi a transição para o último terço do show. Tease Me Please Me, faixa animada, foi inesperada e muito bem-vinda. Foi seguida pela agressiva, e também inesperada, Dynamite. Kottak mostrou seu talento para modernizar a batida de músicas antigas com um delicioso pedal duplo usado na abertura, durante o solo e o refrão final, fazendo com que fosse praticamente impossível achar alguém parado na pista. Destaque para Klaus, que cantou o refrão com a mesma facilidade que tinha nos velhos tempos.
Kottak, aliás, foi a estrela do próximo segmento, o solo Kottak Attack, de mais de 10 minutos de duração. A batucada acompanhava um filme nos telões da parte de trás do palco, que mostravam o baterista interpretando, de maneira bem humorada, capas de álbuns famosos dos Scorpions, tendo como destaque sua impagável paródia da psicodélica capa de Fly To The Rainbow. Também foram integrados ao solo trechos de músicas que não figuraram na setlist do show, mas fizeram a história da banda, sendo eles I'm Leaving You, Animal Magnetism e Hour I. O solo completo pode ser conferido neste vídeo do YouTube.
Após essa pausa, os outros integrantes da banda voltaram com a energética Blackout, com direito a Rudolf com a máscara representando a capa do álbum que deu nome à música e sua guitarra com cano de escapamento soltando fumaça de gelo seco.
Mais um solo. Desta vez foi Matthias que mostrou seu virtuosismo com o Six String Sting. Ele teve a duração ideal para que ninguém perdesse a empolgação. E esse solo foi integrado diretamente à abertura de Big City Nights, música que também dispensa comentários. O que merece comentários foi um misterioso apagão que deixou o palco por metade da música no escuro, como se pode ver neste meu vídeo. No encerramento, ainda tivemos a épica pirâmide humana formada pelos dois guitarristas e o vocalista.

Após a já tradicional despedida falsa, os Scorpions retornam ao palco para tocar a lendária Still Loving You. Vi várias pessoas chorando enquanto Klaus cantava o refrão intercalando os versos com o solo emocionante de Rudolf.
E, para terminar, a arrasa-quarteirão, literalmente. Rock You Like a Hurricane foi cantada em alto e bom som por cada indivíduo presente, e a empolgação foi total do início ao fim. O encerramento perfeito para uma noite histórica.

E assim encerrou-se a apresentação dos Scorpions em Brasília, a capital nacional do Rock. A setlist poderia ser mais longa e incluir mais músicas dos primórdios da banda, principalmente da era Uli Jon Roth, mas considerando a idade de Klaus e Rudolf, e também o simples fato de eles terem se apresentado na cidade em sua última turnê, tornam essa uma reclamação inválida. Esse foi o dia em que os sonhos de mais de 10 mil brasilienses/brasileiros foram realizados. E, apesar das falhas da empresa organizadora, foi difícil achar alguém que estivesse saindo sem um grande sorriso estampado na cara.

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