'Franky Knight': O Luto de Émilie Simon

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10. Dez. 2011, 21:55

Émilie Simon está sozinha, veste o próprio luto. Seu olhar é distante e, em meio a um desolado estúdio de gravação, há de se prever o quão triste é a mensagem de Franky Knight. O título é a tradução para o inglês de François Chevallier, nome do noivo de Émilie, que morreu em meados de 2009 vitimado pelas complicações da Influenza A (H1N1). Nada poderia se encaixar tão bem neste novo trabalho: é uma obra-prima e a declaração máxima de amor do maior talento francês da atualidade.




A faixa de abertura e também primeiro single, Mon chevalier (“Meu Cavaleiro”), dá tom às tortuosas confidências de Simon. Versos como You took my soul away with you, the night you went, you gave me yours (“você levou minha alma junto a você, e na noite em que você se foi, você me deu a sua”) são de uma sensibilidade ímpar e alertam ao ouvinte de que tudo em ‘Franky Knight’ é em homenagem a François, afinal, I wrote some songs, they're all for you. There's nothing else that I can do ("Eu escrevi algumas canções, todas são para você. Não há nada mais que eu possa fazer”).

Destaca-se que, apesar das letras carregadas de sentimentalismo, o álbum não é de todo melancólico. Exemplo disso é a romântica I Call It Love, cuja sonoridade em muito se assemelha a clássicos do Jazz dos anos 50 e embala os apreciadores da boa e velha música. Baby, can't you see how much you meant to me? I call it love! ("Querido, você não consegue ver o quanto significa para mim? Eu chamo isso de amor!").

Na sequência, os ritmos experimentados em Holy Pool of Memories e Something More remontam aos primeiros trabalhos de Émilie. A primeira, belíssima, soa como uma descrição exata dos eventos que seguiram a morte de François, e se firma como o momento mais triste de todo o álbum. Em Something More, por sua vez, a mensagem passa a ser embargada por uma pequena esperança e pelo conformismo: I know there's something more. Tell me, why do I see you everywhere, every step that I take... ("Eu sei que há algo além. Diga-me, por que eu vejo você em todo lugar, a cada passo que eu dou?").

Franky's Princess é o ápice do álbum, que considero ser um verdadeiro tributo ao amor. Foi essa a música que me levou às lágrimas, ainda que claramente seja a mais eletrônica. É aqui que se atinge o ponto de maior pessoalidade - Émilie se declara apaixonada a Franky/François e expõe sua luta contra a solidão, concluindo ainda ser "a princesa do Franky": I don't want you to go, I tried so hard, but I miss you so! Still your princess, still your princess ("Eu não quero que você se vá, eu tentei tanto, mas eu sinto a sua falta por demais! Ainda sou sua princesa").

Em Walking With You se ouvem os vocais mais urgentes e as batidas mais apressadas do álbum, representando o momento em que a ingenuidade se esvai e a esta nova versão de Julieta caibam os restos dos momentos que se foram, mas que sempre povoarão os sonhos da Princesa do Franky.

Émilie continua a empreender busca por novos públicos e, tal qual fez no excelente The Big Machine, não são muitas as canções em francês incluídas no 'Franky Knight', embora todas excelentes: Bel amour ("Belo Amor"), Sous Les Etoiles ("Sob As Estrelas") e o encerramento Jetaimejetaimejetaime ("Euteamoeuteamoeuteamo"). Há também a singela Les amants du même jour ("Os Amantes do Mesmo Dia"), instrumental.




Franky Knight é, sem dúvidas, a mais bela e íntima expressão musical que se ouviu em 2011. Uma perfeita união entre as lembranças e os fatídicos sentimentos de um dos grandes expoentes artísticos deste novo século. Um realce afligente aos já magníficos contornos da discografia de Émilie Simon. 10/10

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