• Manowar (Credicard Hall, São Paulo, 07/05/10)

    8. Mai. 2010, 16:53

    Fri 7 May – Manowar: Death to Infidels World Tour 2010 (publicado em 8/5/10 no site Whiplash!)

    Essa é, com a mais absoluta certeza, a resenha mais difícil que fiz até hoje em todos estes anos colaborando para o Whiplash. Porque escrever dentro do nicho underground, minha casa por excelência, é tranquilo, mas me endereçar a uma verdadeira nação de fãs, como a do Manowar, é bem mais complicado - ainda mais quando o resultado final é negativo. Vamos, portanto, destrinchar essa apresentação bem passo a passo…

    Antes de mais nada, todos sabem que eles são uma banda de extremos: você ama ou odeia com todas as forças. Eu era do segundo time, mas com o passar dos anos, escutando com atenção, lendo as letras e testemunhando a devoção emocionante de seus fãs, virei casaca e me tornei um grande admirador - e só depois das 2 vezes em que estiveram por aqui e não os vi. Posto isso, minha expectativa era enorme para com 2 fatores: primeiro, conferir o repertório que executariam (uma vez que o recente, na Alemanha, não era lá muito animador) e, segundo, ver como o Eric Adams se sairia ao vivo - uma vez que seu vocal, ao menos nos últimos DVDs, deixava bastante a desejar em comparação ao apresentado nas gravações de estúdio. Às 10 e pouco da noite, tive minhas respostas: o primeiro se confirmou, e o segundo, ufa, passou longe. Dissertemos, então!

    Para começar, perdi a banda de abertura - mas convenhamos, quando soube que era um Manowar cover tocando sons autorais, desacreditei. Não quero desmerecer o trabalho do Kings of Steel, mas como se coloca uma emulação abrindo para o original?!? Uma lambança quase risível, mas que sinceramente não vi por motivos alheios à minha vontade - e pelo que consultei com os presentes, aparentemente não perdi nada: era obviamente igual à sua fonte de inspiração mais dois covers bem tocados. Aí veio o show que eu (apesar de "tiozinho") e toda uma geração aguardamos por mais de uma década para assistir. Demos com os burros n'água. Por quê? Continue a ler, se não for um manowarrior fanático no último e, se lá esteve, surdo.

    Primeira coisa: não sei se devido ao extremo volume (ao menos na pista), a guitarra do Karl Logan soou embolada o show todo - e gente que estava nas arquibancadas do Credicard Hall, pelo contrário, disse que o som estava fraco lá em cima. Com essa cacofonia, demorava um tempinho para reconhecer que música tocavam. Próximo elemento técnico, desta vez a favor: o Eric cantou muito, mas muito mesmo. A afinação não estava tão baixa como nos últimos registros ao vivo, e mesmo assim ele cantou com toda sua garganta privilegiada: os agudos não deveram nada e ele demonstrou um pique pra lá de contagiante durante todo o decorrer da apresentação. Mas então, meu amigo, tem o setlist que escolheram: aí senta que lá vem história.

    Sendo cru ao extremo: não tocaram absolutamente nada do que sua enorme legião de fãs esperava - os clássicos que os colocaram entre as bandas mais cultuadas no panteão do Metal. Seu repertório inteirinho foi a partir do Warriors of the World, seu mediano álbum (comparado a toda sua produção anterior) de 2002. Começaram muitíssimo bem com Hand of Doom, incendiando a ansiosa platéia, emendando com a também animadora Call to Arms do mesmo álbum. Pensamos que era um bom aperitivo para o banquete, mas qual nada… Swords in the Wind, um solo de guitarra correto e abusando dos tappings do Karl (mostrando que velocidade também demonstra sentimento) e a recente Let the Gods Decide, que mostra ótimos horizontes para o desenvolvimento recente que o quarteto tem mostrado - afinal, quem quer ouvir mais ópera e inserções clássicas, como nos 2 últimos lançamentos? Onde está, oras, o que tantam prezam e louvam? OK, 5 sons e cadê, sei lá, Hail and Kill ou a esperadíssima Blood of My Enemies, praticamente um hino extra-oficial para seus fãs brasileiros? Nada.

    Aí chega a hora do longo discurso do Joey DeMaio, falando dos melhores fãs do mundo, não demoraremos tanto para voltar, fuck the world e por aí vai. Previsível, mas sempre divertido e sincero - com o detalhe de que a maior parte foi em um português muito bem decorado. Aí, chamando 3 moças digamos, extremamente "liberais" no palco - tá, confesso, para o público masculino foi excelente - e um fã para tocar guitarra no próximo som (Army Of Immortals, Brothers Of Metal, The Gods Made Heavy Metal? Esquece!), veio o erro mais fatal da noite. O sujeito subiu ao palco com uma camisa do Iron Maiden e o Joey pediu para ele tirar a mesma, para tocar com uma de . O cara tirou e o baixista jogou a mesma no chão, com total desprezo. Que conhecedor de Metal, em sã consciência, faz isso em território brasileiro - sem contar os conservadores fora de nosso barulhento meio? Eu, particularmente, me senti ofendido com essa atitude, pois afinal de contas a trupe de Harris e Dickinson é uma das que marcaram a ferro e fogo seu nome nos anais da história de nosso tão amado estilo musical, com integridade 100% intocável. E isso se confirmaria mais para a frente.

    Die for Metal, The Sons of Odin, um ensurdecedor solo de baixo do Joey, Thunder in the Sky… cadê UMA velharia, meus caros Kings of Metal?!? O público começa a perder a paciência e o negócio melhora com a grande Warriors of the World United, mas fica nisso. Vem mais e mais música desse século - com um interlúdio em que o sempre carismático Eric provou, de forma cabal, que ainda tem um dos pulmões mais fortes do estilo até hoje - e o show acaba, pasmem, com aquele sabor amargo na boca de que não escutamos simplesmente NADA do poderoso Louder Than Hell para trás. Um erro crasso para quem ficou longos 12 anos distante do nosso país, apesar de todo o discurso de que somos os melhores fãs do mundo.

    Aí veio o choque derradeiro. As luzes se acenderam e a maior parte da platéia, simplesmente, se pôs a vaiar os americanos. Eu JAMAIS esperaria isso de um público tão notoriamente fiel e apaixonado como o do Manowar. Pouco? Veio o golpe de misericórdia daqueles que pagaram caro para adentrar o Credicard Hall: muitos começaram a gritar "Maiden" incessantemente e a plenos pulmões, graças à infeliz (e, acredito, não intencionalmente difamatória) cena que relatei no parágrafo acima. Sem perdão MESMO do público - pois o Manowar pode ser considerado os Reis do Metal, mas está muito longe de ser unanimidade e ainda mais desrespeitando uma verdadeira e tão longeva instuição do estilo. Humildade, companheirismo e principalmente respeito, alô?

    Resumo da ópera: a banda toda foi tecnicamente perfeita, foi uma enorme satisfação ouvir o Eric cantando como há muito não fazia, Donnie Hamzik (que gravou o clássico debute da banda, e "ressuscitado" em 2009 em uma manobra muito bem sacada) mostrou que Scott Columbus não faz falta nos tambores, e um set que - no mínimo - deixou muito, demais a desejar para milhares de fãs. Não escutei absolutamente NINGUÉM elogiando o show (muito pelo contrário) na saída do recinto, e fiquei um bom tempo por lá para me certificar disso. Estratégia fracassada que ofuscou, de modo surpreendente e chocante, o que tinha tudo para ser uma celebração épica no sentido mais literal da palavra.

    Se efetivamente não demorarem para retornar a estas plagas, e torço para tal, que não repitam os dois lamentáveis erros cometidos nesta noite de maio de 2010 - e entreguem a seus tão fervorosos seguidores o que estes querem mais que tudo, não é pedir muito e lhes sobra competência para isso: uma aula do mais puro e clássico , algo que fizeram com classe ímpar desde 1980, sem deixar de lado a performance de composições da sua fase atual. Decepcionante, infelizmente.
  • Municipal Waste (Aram, Vinhedo, 12/3/10)

    30. Mär. 2010, 5:31

    Fri 12 Mar – Municipal Waste +3 em Vinhedo (publicado no site Whiplash! em 31/3/10)

    A turma do /thrash, apesar de ser uma das mais fiéis e - ao pé da letra mesmo - fanáticas platéias, é um tanto injustiçada em termos de show gringo aqui no Brasil. Temos representantes de talento inquestionável aqui na terrinha (bandanos, Violator, Blastrash, DEVIL ON EARTH, megatherio, Sactor, são dezenas) mas poucos são os artistas internacionais nessa linha trazidos recentemente: tivemos em 2008 o Maquinaria com um show emocionante do Suicidal Tendencies, e no ano passado os suecos do Dr.Livingdead! quase puseram o Inferno Club abaixo - algo ínfimo se comparado aos medalhões heavy, death e thrash "tradicional" que nos visitam.

    Mas a qualidade tem compensado com sobras a quantidade, e no dia 12 começou um pequeno giro nacional da banda que é, provavelmente, a ponta-de-lança do retro-thrash/crossover: os americanos do Municipal Waste. Formado em 2001 na Virgínia, com 4 álbuns - os 3 últimos lançados pela lendária Earache da Inglaterra, que escarrou no mundo desgraças como Napalm Death, Carcass, Terrorizer, Entombed e Morbid Angel - e uma série de splits e demos, o quarteto provaria o porque de ser um dos xodós da nova geração de thrashers, acompanhado de 2 tratores nacionais e mais uma atração internacional.

    Quem abriu a noite foram os Muzzarelas, que considero uma das barulheiras mais criminalmente injustiçadas na história recente do barulho no Brasil. Já são quase 20 anos de puro /crossover sem concessão ou frescura alguma, regados a oceanos de cerveja e pura dedicação ao underground. O show deles é, desde que os conheci no Ilustrada e em festas da Unicamp como Ramones cover, algo inacreditável: uma pancada atrás da outra, caos total no palco e na frente desse, e o incrível fator cerveja chovendo - em todo show que assisti deles. Mandaram uma porrada de sons de seus seis álbuns, ligados no 220 o tempo todo, e essa mistura de Ramones com D.R.I. sempre pega os bangers e punks pelas tripas, convidando instintivamente ao mosh. Mais um p*ta show dos celerados de Campinas, com direito a uma ameaça do folclórico baixista Ete dar um mergulho do alto dos PAs, no melhor estilo Billy Milano - não rolou, mas com certeza não iam deixar ele acertar o chão com seu Rickenbacker!

    Muita gente veio só pra sacar mais uma passagem do Violator por estas plagas, uma vez que toda apresentação deles (ao menos as 3 que vi) é explosiva - os caras fazem mais que jus de serem considerados a mais importante banda de (ao menos da geração mais recente) no underground brazuca, atraindo muito interesse mesmo da gringaiada. É algo novo? Nem. É original? Também não, muita gente faz similar. Mas o quarteto de Brasília tem aquele quê a mais difícil de identificar, e sua porradaria de thrash puríssimo, calcado na velha escolha teutônica, transformou o recinto num manicômio total - se nos Muzzarelas o pessoal agitava na roda ainda com um pouco de timidez, aqui os stagedives viraram uma verdadeira várzea. Contagioso como os temas de suas letras, mandaram quase o Chemical Assault todo, com a moçada gritando todas as letras... como dá gosto ver show assim, com interação absurda do público! Rendeu até mesmo elogios rasgados do pessoal do Municipal durante a apresentação desses, dizendo que iam sequestrar os candangos pra roubar uns riffs thrash. Precisão e carisma absurdos, não tem como errar no show dos caras!

    Na sequência vieram os americanos do Warcry, que eram uma grande incógnita para quase todos - o que me inclui. Dei uma pesquisada no MySpace e saquei que faziam um punk , nada mais, e um amigo de Belo Horizonte e o Bruno da Criminal Attack Records elogiando bastante. Como a maioria do público era thrasher e tínhamos ouvido um boato que os caras não tocariam, ficamos na expectativa. Felizmente subiram ao palco, plugaram os instrumentos e revelaram-se uma excelente surpresa nesta noite: forte pegada de hardcore finlandês, que logo incentivou o povo a pogar. Destaque total pra baixista, que toca com um punch surpreendente e com presença de palco tão marcante quanto a do vocal... com certeza agradaram e devem conquistar maior espaço em nossa terra, uma vez que a Criminal Attack está lançando o último petardo dos caras, When Comes The End?, aqui no Brasil - confira!

    Fechando a noite cercados de expectativa, os caras do Municipal Waste entraram no palco e cara, de boa: posso afirmar com absoluta convicção que esse foi um dos melhores shows que meus cansados olhos testemunharam nesses 22 anos dedicados ao Metal. Já tinha visto vídeos impressionantes no YouTube de shows do quarteto, mas estar lá no meio da guerra é outra coisa totalmente diferente. Foi uma "guerra" desenfreada, só faltaram mesmo pranchas de bodyboard como nos shows lá fora... a única comparação que consigo fazer é com o histórico show do D.R.I. em 1990, no finado Projeto SP: rodas incessantes, stagedives sem parar, o povo se esgoelando todos os sons, walls of death moedores,incrível. Sadistic Magician, Black Ice, Unleash the Bastards, The Thrashin' of the Christ, Headbanger Face Rip, Terror Shark, Blood Drive, mandaram um coice atrás do outro com um fôlego impressionante, sempre interagindo em total comunhão com a platéia - foi um show pra lavar a alma de qualquer thrasher!

    O saldo da noite foi mais do que positivo, até porque muita gente tinha dúvida se compareceria um público legal devido à mudança de local meio em cima da hora - e o pessoal de Vinhedo, Valinhos e região provou toda sua força, praticamente lotando a casa (que aliás, estava com um som excelente) e fazendo uma verdadeira festa, intensa e sem violência alguma. Quem compareceu pode se orgulhar de ter visto um espetáculo ímpar, feito por músicos e público extremamente apaixonados por sua música - provando uma vez mais que um show, para ser memorável, não precisa de fogos, luzes de Maracanã, toneladas de som e, muito menos, ser feito por medalhões - tanto que os americanos ficaram confraternizando com os fãs até tarde.

    Enfim, mais um ponto para o underground do interior paulista! Veja por si mesmo um dos momentos desta insana noite, no vídeo abaixo (com direito a um vôo deste redator aos 1:36)!

  • Master, Predator, Coldblood (Benjamin Rock Bar, Piracicaba, 19/2/10)

    22. Feb. 2010, 23:27

    Fri 19 Feb – Masters Of Hate Brazilian Tour 2010 (publicado no site Metal Rise em 22/2/2010)

    O ano começou causando taquicardia nos fãs de : ícones como Deicide, Cannibal Corpse, Benediction, Nile, Suffocation e outros já passaram ou têm datas próximas agendadas para breve em nosso país. E entre estes desponta o mais veterano, um dos pais bastardos do estilo – o Master, fundado em Chicago (EUA, mas hoje radicado na República Tcheca) pelo lendário baixista/vocalista Paul Speckmann há nada menos que vinte e sete anos atrás. Poucas vezes a expressão "old school" foi usada com tanta propriedade!

    Conforme muito bem documentado pela mídia sensacionalista (até mesmo no exterior), a Masters Of Hate Tour 2010 sofreu um grave entrevero com a baixa dos ingleses do After Death, que perdeu dois de seus integrantes em um trágico incidente em Sergipe, no fim de janeiro. Como é de se esperar, os abutres só aparecem na hora que corpos aparecem, caso contrário jornais e TVs de cadeia nacional jamais colocariam em destaque esta turnê em horário nobre, como ocorreu... mas convenhamos, até aí nada de novo.

    Uma das últimas etapas do giro nacional ocorreria em Campinas, mas nosso tradicional local para tais celebrações, o Hammer Rock Bar, infelizmente encontra-se com as portas cerradas desde uma fiscalização "pente-fino" que a prefeitura fez no mês passado, e que fechou casas noturnas nos mais diversos segmentos. Enquanto a situação não é normalizada, shows têm migrado para outras casas e cidades do interior – como neste caso, em que o velho Benjamin, em Piracicaba, recebeu o evento.

    Em um primeiro momento, o headbanger familiarizado com o local deve, como eu, ter ficado com a pulga atrás da orelha, dada a notória precariedade do equipamento da casa. Será que ia dar certo, comportaria o público, o som estaria legal, a divulgação funcionaria com uma transferência tão em cima da hora? Num daqueles raros casos em que tudo conspira para dar certo, a resposta pra todas essas indagações foi positiva, e o Benjamin Rock Bar (ou leia-se Baron Von Causatan, o grande guerreiro que agenda a imensa maioria dos eventos lá) nos proporcionou uma noite de shows memoráveis e profissionalismo exemplar.

    A noite começou com um pequeno atraso devido a dificuldades técnicas, logo sanadas para que o Coldblood adentrassem o palco. Fã confesso do (agora) quarteto carioca, desde que adquiri seu excelente CD e assisti sua abertura para o Cannibal Corpse em 2007, estava um pouco apreensivo para ver como se sairiam com os substitutos do guitar/vocal Alan Silva. A surpresa não poderia ter sido melhor: os guitars Julio Cesar e Artur Círio (do Statik Majik, também vocal) preencheram a lacuna com sobras, apoiados pela sólida cozinha de Vitor Esteves (B) e M. Kult (D), guerreiros com anos de estrada forjada no Metal em bandas notórias como Mysteriis, Unearthly, e Darkest Hate Warfront entre outros.

    Quem esteve no Hammer em 2007 lembra que eles tiveram seu set severamente abreviado por problemas no baixo do Vitor, mas nessa sexta tudo deu certo, e puderam entregar um show à altura de suas composições: sem nenhum cover, tocaram a maior parte das tijoladas old school do Under The Blade I Die, contando com participação pra lá de entusiasmada do público – algo que realmente me causou grande satisfação, uma vez que na maior parte das vezes as bandas de abertura são prejudicadas pela apatia da platéia. Segurança total no palco, energia absurda fluindo entre eles e o moshpit, qualidade de som ótima: não tinha como algo dar errado. Saíram, claro, vencedores e ovacionados!

    Pequeno intervalo e os gaúchos do Predator, que têm acompanhados os americanos durante todo o rolê nacional, entraram no palco para mostrar serviço. Tal qual na vez em que os assisti ano passado no Plebe, em Indaiatuba, o trio pegou a audiência "quente" e novamente matou a pau com suas músicas super intrincadas, misturando partes de brutalidade incondicional com cadência contagiante, que convidam ao headbanging automático. O set foi, claro, baseado no seu bom álbum de estréia Homo Infimus, lançado de forma totalmente independente em 2007, mais uma execução estricnada de Troops of Doom do... bom, você está cansado de saber quem. Além dos trampos nas 4 cordas do Luciano Hoffmann, o destaque inquestionável foi pro cavalo Roberto Ceccato, cujas porradas precisas, velocíssimas e quebradas impressionam qualquer baterista veterano!

    Não demora muito – ainda bem, porque a noite avançava e o povo ainda estava num pique ótimo – e os headliners entram no palco. Envergando uma barba que mataria de inveja o Kerry King e os pessoal do ZZ Top, o igualmente lendário mestre Speckmann começa o show aos acordes de Master, levando o pessoal ao delírio. Foi aproximadamente uma hora do mais puro Death Metal, tocando faixas desde o clássico debute auto-entitulado até o mais recentes, deram uma bela geral na carreira que já, já alcança a assustadora marca de três décadas. Chega a ser emocionante ver tanto "tiozinho do Metal" (a média de idade do – considerável até – público, não era nem de longe baixa) agitando sem cansar com as pauladas que Paul, Alex Nejezchleba (G) e Peter (D) apresentaram, compensando com sobras tanto tempo de espera para presenciar seu show. Apresentação ótima, em que não demonstraram em nenhum momento o cansaço que li em algumas resenhas desta tour Brasil afora.

    Só acho válido deixar aqui um registro, pra fechar de forma categórica essa resenha – tomei a liberdade de "emprestar" essa foto do Orkut do meu amigo Vitor (Coldblood), cuja legenda resume tudo, com o perdão do palavrão usado - HUMILDADE é a palavra. O que diferencia os FODÕES dos fanfarrões:



    Não deixe de assistir também ao vídeo feito pela fotógrafa Salua de Moura, com exclusividade para o Metal Rise:

  • Obituary e Belphegor (Hammer Rock Bar, Campinas, 6/12/09)

    19. Dez. 2009, 16:13

    Sun 6 Dec – Obituary + Belphegor
    (publicado no site Whiplash! em 22/12/09)

    Os deathbangers do interior estavam em polvorosa com o anúncio deste show há cerca de um mês, pois o evento original trazia, além dos americanos e austríacos, o lendário Benediction. Como se sabe, problemas de imigração levaram os ingleses a adiar a turnê brasileira, o que foi uma ducha de água fria para a maioria do pessoal (uma vez que os demais já se apresentaram por aqui recentemente, e mais de uma vez). Mas a organização tinha alguns trunfos na manga...

    Dado meu desânimo com há algum tempinho, não fiquei muito exultante com a inclusão do Equinoxio, mas estava bem curioso pra conhecer o som do trio panamenho. Acabaram sendo a mais surpreendente atração da noite: devidamente paramentados com o figurino do estilo, mandaram um black furioso e muito bem executado - felizmente, pois a linha raw/old school se faz presente em trechos de sua música, mas o que predomina mesmo é a pancadaria incessante à la Marduk / Dark Funeral. Apresentaram músicas de seu debute Punishment Of Souls e agradaram o ainda reduzido público... destaque pro baterista Cadáver, um verdadeiro cavalo nos tambores. Vale a pena correr atrás e conhecer o som do grupo!

    A segunda banda era uma velha conhecida do nosso underground: o brutal death do longevo (quinze anos!) Queiron. Já assisti muitos shows deles, e queria ver como se saíam com a nova fomação - a última vez que os vi foi em 2007, ainda com Furlan e Neil, que depois fundou o Laconist. Com a entrada de Ricardo na guitarra e Lauro (Incinerad) no baixo, a banda não perdeu seu poderio de fogo - aliás, a injeção de sangue novo fez bem aos paulistas. Se os novos membros perdem um pouco no quesito técnico, comparando a seus antecessores, isso é bem compensado pelo suor que derramam no palco, em especial Lauro, que se encaixou muitíssimo bem. Mandaram sons de toda sua discografia, em especial do último The Shepherd of Tophet, e algo que me chamou a atenção é como o vocal do Marcelo mudou: está bem mais rasgado do que acostumei a ouvir - o que acho excelente, pois seu gutural tendia a cansar após muitas audições. Saíram, mais uma vez, aclamados pelo grande show.

    A metade internacional começou com o Belphegor, que está quase virando brasileiro - esso foi o terceiro show deles que assisti em Campinas. Mesmo assim era provavelmente a banda mais aguardada, e esta performance não foi diferente das anteriores (com exceção, claro, da incessante dança do banquinho de bateria): Helmuth continua um completo celerado com seus riffs cortantes e vocal assombroso, o baixista Serpenth e Morluch como asseclas perfeitamente sincronizados, e o demolidor baterista Robert Kovačić. A ênfase foi dada aos álbuns mais recentes como Bondage Goat Zombie (a execução da faixa-título e Justine: Soaked In Blood foi de arrepiar) e Walpurgis Rites - Hexenwahn, já lançados aqui, mas não faltaram clássicos como Lucifer Incestus. Realmente mataram a pau, apresentação impecável tanto no quesito nitroglicerina como na integração com o público, que já tinha aumentado significativamente. Sem dúvida e, para minha sincera surpresa, foi disparado a melhor banda da noite - que voltem sempre!

    Aí o fechamento veio com o Obituary, da qual sou fã há quase vinte anos e aguardava com expectativa enorme, pois não consegui assistí-los em suas duas passagens anteriores pelo Brasil. Mas essa mesma me frustrou: tal qual quando assisti ao Sadus em 2007, fizeram um show impecável, mas só tocando material novo. Por mais que sejam o Motörhead do (nunca mudam o som de peso monolítico e é sempre excelente), queria escutar mais clássicos. O público obviamente discordou da minha opinião, pois a roda enorme que se abriu assim permaneceu até o fim da apresentação. Energia transbordando tanto fora como em cima do palco, e é um verdadeiro privilégio ver Ralph Santolla exibindo sua técnica impressionante nas seis cordas.

    Mas de meter medo é ver o que o pioneiro John Tardy faz com sua garganta infecta. Uma vez li que o death metal tem três vozes inconfundíveis, inimitáveis e definitivas: o saudoso Chuck Schuldiner (Death), Martin Van Drunen (Hail of Bullets, Asphyx) e o John. Depois do que vi e ouvi nesta noite, não dá pra questionar essa frase: a certa altura do show, ele tirava o microfone da frente da boca e soltava aqueles grunhidos cavernosos que são sua marca registrada, e juro: devia estar a uns dez metros de distância e consegui ouvir claramente sua "voz". Chega a ser assustadora mesmo a potência dos urros do cara, só por ele já valeria a pena investir no ingresso.

    Encerraram a apresentação entregando o ouro que tanto esperei: o hino Dying (a cena de centenas de cabeças sincronizadas com os bumbos cadenciados do Donald Tardy foi inesquecível) e o clássico à la Celtic Frost - de quem aliás mandaram o cover Dethroned Emperor, animal - Slowly We Rot, onde tive que mandar a compostura às favas e entrar na roda de mosh. Saí do Hammer dolorido, mas satisfeitíssimo com a excelente seqüência de shows. Na porta, como já é de saudável praxe no Hammer, a gringaiada toda confraternizava com os fãs, atendendo de boa a todos os pedidos de foto e autógrafo. Ah, se houvessem mais artistas assim solícitos e humildes com quem compra seus CDs...
  • Dismember - Dismember

    15. Jul. 2009, 6:18

    (publicado no site Whiplash! em 20/7/09)



    Apesar de serem uma das mais incensadas bandas no meio death, o Dismember sempre teve um grave porém (em minha opinião): a falta de alma. Vinte anos depois de começarem a carreira, é com enorme satisfação que vejo finalmente resolveram esse aspecto - o auto-intitulado álbum (que saiu por aqui via Hellion) é, possivelmente, o melhor que lançaram até hoje.

    Veja bem: a característica que apontei acima nunca foi um demérito, sempre fui fã e possuo muitos CDs deles, mas como uma das bandas seminais do que veio a ser conhecido como death sueco, pra mim sempre ficaram atrás do Entombed. Porém, enquanto L-G Petrov e sua turma enveredaram por caminhos perigosos com o desenvolver da carreira, deixando aquele som cáustico para trás, estes "primos" mantiveram fidelidade absoluta ao puro (tal qual o grande Unleashed), evoluindo mas nunca dando um passo em falso… e a epítome dessa evolução é o álbum que tenho em mãos: uma agressão madura, inteligente, melódica e - o mais importante - com muita personalidade.

    São onze faixas relativamente curtas, mantendo a densidade no ponto e trazendo bem aquilo que o fã de barulho quer: pancadaria incessante, aqueles riffs hipnotizantes (com aquela leve e eventual puxada pro , que sempre funcionou) característicos, partes em que o peso convida instintivamente ao headbanging… mas não tem como não destacar o vocal do Matti: o cara está um ogro absurdamente raivoso, toda faixa é vociferada com um ódio incontido - ô coisa linda de se escutar! O resto do time mostra um entrosamento de idéias surpreendente, nem parece que só Mr. Karki e o guitar David são os membros originais remanescentes…

    As que mais me chamaram a atenção - e isso desde a "aula" que deram em Sampa, outubro passado) foram a de abertura (que lembra bastante seu clássico debut), a porrada Legion, o peso absurdo de No Honour in Death - capaz de causar enxaquecas brabas aos desavisados -, e principalmente a maravilhosa Under A Blood Red Sky, que começa brutal e termina cem por cento Iron Maiden à la Killers (também, olha como começaram seu último show em São Paulo:)



    Não há altos e baixos, Dismember apresenta-se como um álbum extremamente coeso e com zero encheção de lingüiça: é colocar o volume no talo, abrir uma cerveja e agitar… é só morbidez correndo solta e o reinando. Se esse CD sobrar na sua frente, em alguma loja, não titubeie em levar pro caixa… e sabe o melhor de tudo? Esse álbum devolve o entusiasmo quanto a futuras produções destes mestres suecos… obrigatório!

    Faixas:
    1. Death Conquers All [3:48]
    2. Europa Burns [3:33]
    3. Under A Blood Red Sky [5:24]
    4. The Hills Have Eyes [3:15]
    5. Legion [3:22]
    6. Tide Of Blood [3:35]
    7. Combat Fatigue [4:06]
    8. No Honour in Death [2:29]
    9. To End It All [3:51]
    10. Dark Depths [3:47]
    11. Black Sun [6:25]

    Selo: Hellion, 2008 (BR)
  • Fate Breed - Planeshift

    12. Jun. 2009, 0:33

    (publicado originalmente no site Metal Rise, 15/jun/09)



    A moçada do Planeshift liberou, em primeira mão para o Metal Rise, a audição de seu álbum de estréia Fate Breed - e o resultado me agradou demais, mesmo eu não sendo exatamente fã de , dada a qualidade do trabalho deste quinteto campineiro ser de tão alto nível.

    Começando pelo lado técnico, a produção ficou a cargo do Ricardo Piccoli, que cada dia mais firma seu nome entre os melhores profissionais disponíveis no mercado: já gravou inúmeras bandas da região (em estilos variados: Ariel n' Caliban, ADRAMMA, Thriven, Under Death, Kamala, o próprio Laconist em que toco) em seu Piccoli Studio, e o resultado é sempre de cair o queixo… produção cristalina e pesadíssima, nivelamento perfeito, dá pra falar fácil que é produtor gringo operando a mesa. A parte gráfica, embora só tenha apreciado na tela do PC pois não tenho CD prensado, é de autoria do tecladista Kevin Fontolan: uma arte de bom gosto, capricho e beleza ímpares - dá pra conferir uma amostra disso no layout do MySpace da banda, e estas mesmas qualidades se repetem em abundância quando se coloca o disquinho pra rodar.

    Como disse na abertura da resenha, não sou fã do estilo que o grupo domina, nem tenho condições da avaliar tão a fundo quanto um expert em , mas coincidentemente um fator ajudou muito na melhor assimilação de suas músicas: fazia mais de mês que eu estava escutando só extremo no PC do trampo, sem alternar com estilos mais leves como normalmente faço, e meus ouvidos andavam um tanto maltratados (no bom sentido, claro). Assim sendo, os sons deles serviram pra eu relaxar e poder desfrutar melhor a obra… são muitas minúcias, abundância de arranjos caprichados, abordagens que vão do instrumental puro e quase-baladas a sons de fúria incontida.

    Quem já viu qualquer banda ao vivo sentiu que 2 características imperam: desenvoltura instrumental apuradíssima e, se não houver cuidado (o que geralmente acontece, infelizmente), tédio devido à exibição gratuita e desnecessária de técnica. Espertos, os caras do Planeshift fazem bonito no 1º e passam beeeeem longe do 2º, acredito até que por uma característica marcante: não se metem a besta de fazer o que não sabem, evitando escorregadas embaraçosas. No vocal, então, isso é praticamente lei no Brasil: aparentemente, nunca vão aprender que só existe UM Dickinson, UM Kiske, UM Andre Matos, UM Coverdale. E, justamente nessa, a belíssima voz de Eduardo Albert acerta em cheio: seu timbre soa extremamente agradável aos ouvidos, não se esganiça (apesar de atingir notas realmente altas) e tem ótima pronúncia em inglês - só por aí já ganham muito no diferencial, pois o vocal invariavelmente arruina com chororôs e gralhas arrogantes.

    Além de dominar a arte digital, o Kevin faz um trabalho não menos que exemplar com suas camas de teclados, alternando com sabedoria temas climáticos de fundo e soltando solos afiados, complementando o desempenho sempre excepcional de Mike Rossinholi nas seis cordas. Gabriel Vacari na bateria e o baixista Jonathas Peschiera (que parece muito mais à vontade aqui que no Exordium) formam uma cozinha que agrada em cheio aos fãs de Dream Theater e afins: mais quebradeira que na Bolsa de Valores de NY em 1929, precisão e entrosamento rítmicos muito fortes. Resumindo, é um time pra ninguém botar defeito, demonstrando enorme técnica, segurança - e o melhor, sem um pingo de pretensão.

    As 9 faixas agradam em cheio, mas podem eventualmente cansar o ouvinte regular - como eu, não acostumado com o estilo - devido à sua grande extensão (a mais curta, fora a intro, tem 5:14!): só que os apreciadores de vão gozar litros com as músicas apresentadas. Difícil apontar um destaque, mas a longa faixa que dá título ao debut, Blindfold e as duas partes de Cage têm um brilho peculiar. Originalidade e talento a toda prova coroam este grande lançamento, que desde já consta como item obrigatório entre os melhores plays de 2009, independente do gosto musical do leitor. Recomendadíssimo a quem aprecia MÚSICA de verdade, e não masturbação instrumental… vida longa aos caras!

    Faixas:

    1. In This Light (0:58)
    2. Outcast (6:34)
    3. Cage Pt.1: The Encounter (6:02)
    4. Cage Pt.2: Serpents (7:02)
    5. Death of Our Days (5:14)
    6. Blindfold (6:27)
    7. My No (7:41)
    8. Self Machinery (7:52)
    9. Fate Breed (9:34)

    Website - http://www.myspace.com/planeshift
  • W:O:A Metal Battle (Hammer Rock Bar, Campinas, 3/5/09)

    4. Mai. 2009, 6:42

    Sat 2 May – W:O:A - Metal Battle Brasil 2009
    (publicado originalmente em http://metalrise.net/resenhas020509woa.html)

    Na bucólica manhã de sábado fui convidado pelo Adriano, um dos sócios do Hammer, para ser um dos jurados para a etapa campineira do Metal Battle, concurso realizado anualmente pela revista Roadie Crew e a empresa alemã ICS, que indica representantes regionais (em 2008, o Voodoo Shyne faturou) para a grande final no Rio, dia 24/5. Quem vence esta é o representante brazuca no, possivelmente, maior festival de contemporâneo: o Wacken Open Air, que rola em 30/7 e 1/8 na cidade alemã homônima… uma enorme responsabilidade tanto pra mim como para os que dominariam ao palco da casa à noite.

    Nunca fui fã de batalhas de bandas porque isso fatalmente gera competição e, muitas vezes, atritos entre bandas - e o que a gente menos precisa no underground é desunião. Mas dada minha experiência algumas semanas antes com o Battle of the Bands no Woodstock, evento que particularmente me agradou demais tanto pela proposta como pela boa organização e premiação (o War Mind de Itu ganhou horas de estúdio), topei participar desta porque refleti que isso, antes de qualquer coisa, é um estímulo concreto às bandas para saírem da garagem e/ou darem aquele pouco mais de energia em seus ensaios, composições e shows - e convenhamos, somos expostos diariamente a uma competição ferrenha no trabalho, faculdade ou escola.

    Só de entrar no Hammer já se sente uma eletricidade, uma ansiedade no ar diferente dos dias usuais de show. Se antes de subir no palco quase todos sentem aquele friozinho na barriga, estar numa competição aberta deve colocar um iceberg no estômago do músico. Fui recebido pelo representante da Overload Records e apresentado aos demais jurados (de morte, como bem brincou o Adriano): o Fabiano Negri (vocal do longevo Rei Lagarto), meu amigo André Boonen (um dos guitars do Mortage) e uma figura que admiro há muitos anos - Antonio Carlos Monteiro, redator da Roadie Crew e Rock Brigade… além de ídolos na música, tenho também alguns como críticos musicais, e ele praticamente moldou meus conhecimentos roqueiros em todos estes anos escrevendo sobre música pesada. Enorme honra e uma grande pessoa, só por essa já teria valido minha noite!

    Antes de entrar na resenha em si, cabe citar alguns aspectos que desconhecia da produção, e que considero importantes partilhar com o leitor. Como disse o Tony em meio a risadas de todos, não devíamos julgar as bandas como escola de , dando nota pra vários quesitos: escolhemos as três melhores em ordem de preferência, como se fosse alguém que contrataríamos pra uma festa ou show. A primeira leva 3 pontos, e segunda 2 e a terceira 1, sendo que os votos somados eram um de cada do júri mais a eleita do público, totalizando 6. Só a vencedora é anunciada, algo presente no contrato e no concurso original da Alemanha, para não ter demérito entre as que não se sobressaíram à vencedora - o que considerei corretíssimo.

    Pra quem suscitava dúvidas quanto a favoritismo de banda apoiada por revista, gravadora ou algum outro fator externo, a idéia vem abaixo pois a variedade de estilos dos jurados é bem heterogênea, e ao menos o meu voto se baseia exclusivamente na competência de uma banda. Todos que me conhecem e acompanham meus escritos sabem que tenho preferência por , mas gosto pessoal some totalmente nessa hora: só avalio quem foi o melhor em sua praia, independente de ser , , ou - e tenho a plena convicção que meus companheiros se utilizaram da mesma ponderação para avaliar.

    Mas afinal de contas eu tava lá pra ver quem se sobressaía despejando seus decibéis, certo? Assim sendo, quem subiu ao palco primeiro foi o Exordium, alterando a ordem original pois alguns de seus membros ainda tocariam em outro lugar nessa mesma noite. O sexteto está com uma boa estrada nas costas e isso agora se reflete também na postura da vocalista Talita, cuja primeira apresentação resenhei aqui mesmo no site (http://www.metalrise.net/resenhas220608.html). Só achei a presença de palco (ou falta dessa) do baixista Jo e do tecladista um tanto inerte, até se comparada com a dos demais membros. Músicas bens construídas e pesadas, sem muito do chororô que impera no em geral - gostei bastante da apresentação.

    Aí veio o do Slippery, também aqui de Campinas, e pra mim foi a melhor da noite. Os caras felizmente estão deixando de lado as afetações e figurinos glamorosos bem típicos do estilo, e se focando exclusivamente na música, que está muito pesada. Transpareceram uma tranqüilidade quase surreal no palco, com presença surpreendente boa do baixista Erico, os guitars Dragão e Kiko (esse tá um verdadeiro demônio nas 6 cordas, nossa) voando alucinadamente nos frets, e a segurança que Rod e Fabiano transmitem respectivamente na batera e vocal. Bem mais maduros e coesos, ganharam fácil o público - que, diga-se de passagem, não era nem de longe a platéia habitual que os acompanha.

    De São Carlos veio o MothercoW, e seu mezzo deu uma bela sacudida na parte da platéia que buscava mais fúria na música apresentada até então. Não conhecia o som dos caras e demonstraram muita raça, agitando sem parar com seu visual bem sui generis de cowboys - aliás, engraçado que a caveira de boi que o vocal levou pro palco lembrou eu e uns amigos do finado Bestymator, banda de do interior extremamente hermética e cultuada no meio underground. O único senão é que a música deles é muito linear… deu a sincera impressão que tocaram o mesmo som diversas vezes seguidas, além de ser calcada em excesso no Pantera, o que infelizmente chega mesmo a mascarar a identidade da banda. Dão o sangue no palco e têm um espaço enorme para explorar com a criatividade já presente, embora tímida.

    Chega a vez do Goatlove, cujo som realmente não me atrevo a rotular, e foram competentes em sua apresentação, mas não conseguiram prender a atenção dos presentes. Sua sonoridade é alternativa no sentido mais restrito da palavra, um de muita identidade com pitadas de , e que em quase nada lembra o Sunseth Midnight, notória banda gótica da qual o ótimo vocalista Roger Lombardi é egresso. Esse pessoal de Guarulhos, na real, só tem bons predicados: música madura apesar de nova, performers extremamente profissionais e talentosos, carisma, personalidade e segurança - só que essa noite não conseguiram canalizar isso de forma eficiente pra moçada… e não há dúvida alguma que crescerão no meio /!

    Fechando a festa veio o Gestos Grosseiros, que deleitou os que aguardavam uma pancadaria sonora mais contundente. Conterrâneos do Goatlove, mandaram o virulento com o qual sou familiarizado pois tenho o CD deles há alguns meses - mas tal qual em seu álbum de estréia, soam um tanto genéricos apesar dos 13 anos de carreira. A presença de palco dos caras é excelente, além de mostrarem pleno domínio de suas armas - com destaque ao preciso batera Anderson e ao ótimo baixista/vocal (cujo nome desconheço: o Metal Archives e MySpace da banda estão desatualizados), mas precisam tomar um chá de originalidade urgente, pois mostram um potencial latente e são inquestionavelmente bons músicos. Afinal, um bom não é feito única e exclusivamente de brutalidade… ah sim: vale registrar também a solidariedade deles, que gentilmente cederam sua 1ª posição no cast ao Exordium.

    Bom, nos reunimos e apresentamos nossas avaliações e parecer final ao Tony, aguardamos um pouco a apuração dos votos na urna que ficou à disposição do público, e chegamos à quase unânime conclusão que o Slippery apresentou o melhor conjunto, fora aquele pingo a mais de energia e talento que fez a diferença entre todas as competentíssimas bandas (claro, senão nem na eliminatória estariam) que se apresentaram. Parabéns aos caras, cujo incrível crescimento acompanhei desde que o Hammer abriu suas portas pela 1ª vez, ao público que prestigiou todas as atrações e agüentou bravamente até o fim do evento, e à produção que se mostrou muito atenciosa nesta agradável e ruidosa noite. E que o Slippery faça assim bonito na final!
  • Motörhead (Via Funchal, São Paulo, 18/4/09)

    24. Apr. 2009, 17:09

    Sat 18 Apr – Motörhead
    (originalmente publicado em http://whiplash.net/materias/shows/088169-motorhead.html)

    Quantos sexagenários você conhece que sobem em um palco, tocam com os amps no talo, bebem e fumam como condenados, e ainda levam à loucura milhares de fãs ensandecidos? Posto isso, assistir de novo a uma apresentação do Motörhead não é apenas divertido, insano e energético: trata-se, antes de qualquer coisa, de um verdadeiro privilégio.

    Apesar de retornarem com uma mais que saudável freqüência à terra brasilis, ainda é impressionante ver como Lemmy, Phil e Mikkey sempre arrastam gigantescas hordas de seguidores encantados com a música e atitude do longevo trio britânico. No Via Funchal cheio (e arredores) dava pra ver de tudo: headbangers, s, casais, crianças, coroas, bêbados, caretas… todos em harmonia e esperando ansiosamente - e com surpreendente paciência - para terem seus tímpanos impiedosamente estourados.

    Explicando a questão paciência: o show da atração principal foi adiado em cerca de uma hora, devido ao atraso na liberação alfandegária do equipamento que veio de Recife (onde se apresentaram na noite anterior)… a mim, particularmente, veio a calhar pois infelizmente não consegui chegar à capital a tempo de ver o Baranga - que, faço questão de registrar, teve um desempenho correto e bem elogiado segundo testemunhos que colhi, com destaque ao guitarrista.

    Às 23h30min as luzes se apagam, e a lendária trupe inglesa adentra o palco: Mikkey primeiro, Phil e finalmente mestre Ian Kilmister, a quem muitos chamam de "deus" - e este escriba se inclui entre os que crêem fielmente. O arrepio é inevitável quando, empunhando seu Rickenbacker, Lemmy se aproxima do microfone ao alto e anuncia, com aquela voz inconfundível: "We are Motörhead… and we play rock 'n' roll!" - mesmo já tendo presenciado essa cena mais de uma vez ao vivo. Já começam quebrando tudo com a clássica Iron Fist e, como era de se esperar, uma gigantesca roda se abre no meio do povo. Sem tempo pra respirar, já mandam outra favorita de seu arsenal de hinos: Stay Clean, perfeita e já dando pra sacar algo que rolou durante toda a apresentação: a mudança no andamento, um pouco mais lenta que nas gravações originais.

    Seria demérito ou truque para mascarar a inabilidade/cansaço da banda? De forma alguma: ao contrário de muitos que abusam deste expediente (não convém citar nomes, o leitor atento saberá identificar um bom punhado), o Motör conseguiu através dessa sacada tornar sua música AINDA MAIS pesada, chegando a ser quase claustrofóbico algumas vezes. Após Be My Baby e mister Campbell dar um belo grau em seus Marshalls (o som ainda não estava no volume ensurdecedor que sempre caracterizou sua carreira), mostram na nova Rock Out que fazem s de primeiríssima: afinal, o que são 34 anos de estrada sem dar o menor sinal de cansaço ou estagnação? Impressionante, pra dizer o mínimo.

    Aí mandaram a deliciosa Metropolis pra fervura subir novamente na platéia, e desenterraram a pequena pérola Another Perfect Day, do álbum homônimo de 83, que só de uns tempos pra cá tem tido seu devido reconhecimento. Lemmy já mostrava não estar lá muito satisfeito com a sonorização, e o motivo de sua irritação ficou evidente após uma falha técnica que sabotou o início de Over the Top. O frontman contornou de boa conversando com o povo, e rapidamente o som foi normalizado para a seqüência com One Night Stand, You Better Run e a contagiante I Got Mine.

    Aí veio o primeiro solo da noite, e o Phil mandou ver com algo meio em falta no mercado: feeling puro. A última vez que assisti os caras foi no Monsters de 96, e então senti mesmo a falta do contraste com o alucinado Würzel na segunda guitarra - mas isso agora se tornou uma vaga reminiscência. Pra quem acha que tocar muito guitarra é fritar em milhares de notas por minuto, a lição de classe, segurança e precisão do titular das seis cordas há 25 anos foi memorável - e emendada na bela The Thousand Names of God, que fecha o mais recente álbum do grupo.

    Outro clássico recente, a grande In the Name Of Tragedy, precede um solo fenomenal do Mikkey Dee: ainda é impressionante o quanto o sueco desce o braço em sua Sonor, e desde seus dias com o King Diamond! Não pára um segundo de agitar durante o show, brinca com o público, faz chover baquetas, esbanja e força e agilidade tal qual um garoto… quaaase dá pra esquecer que um dia o grande Philty 'Animal' Taylor já se sentou naquele glorioso trono de pratos e peles no fundo do palco.

    Falando nos velhos tempos, mandaram então a surpresa de Just 'Cos You Got the Power do EP 'Eat The Rich', que trouxe saborosas memórias sobre o primeiro show de Metal que assisti na vida, deles mesmo, no Ginásio do Ibirapuera no já longínquo 1989 (show que, aliás, só foi completado uma semana depois, no Projeto SP, pois os geradores não agüentaram!). A desaceleração que mencionei no início desta resenha atingiu seu ápice nesse belo cutucão aos políticos, fazendo com que a longa canção atingisse uma proporção quase épica - até pelo inspiradíssimo solo do Phil… que peso monolítico, pra mim foi disparado o destaque do repertório.

    Se o Lemmy já gostou de conversar/provocar o pessoal na intro da última, o deleite foi ainda maior na seqüência-apelação que seguiu: Going to Brazil (escrita quando voltavam da primeira excursão à nossa terra), Killed by Death e a locomotiva Bomber… ufa! Pausa pra respirar pro encore final, que começou bem light com a deliciosa Whorehouse Blues apresentando Mikkey e Phil no violão, Lemmy só cantando e ainda mandando uma respeitável canja na gaita. Aí veio o tiro de misericórdia, trazendo a casa abaixo com seu hino mais esperado: Ace of Spades. Clássico atemporal, que não perdeu sequer uma centelha de sua capacidade em incendiar platéias.

    Como era de se esperar, o coice Overkill encerrou o massacre com o pique lá em cima: lágrimas, hematomas (de quem fica nas rodas como eu) e enormes sorrisos estampados em cada uma das faces que populavam a casa paulistana. Um show magnífico, preciso, esgotante, liderado por mister Kilmister, nada menos que um exemplo de vida: bem-sucedido, saudável, com longevidade e integridade inquestionável em mais de três ininterruptas décadas de história nos anais do . Obrigado… e amém, Lemmy!
  • Morbid Angel (Santana Hall, São Paulo, 8/3/09)

    14. Mär. 2009, 22:32

    Sun 8 Mar – Morbid Angel
    (originalmente publicado em http://whiplash.net/materias/shows/085880-morbidangel.html)

    E os - com toda justiça, convenhamos - considerados reis do Death mais uma vez trouxeram seu circo de horrores a São Paulo, sendo esta a terceira passagem do Morbid Angel pela capital. Teve gente que achou que o intervalo entre as duas últimas visitas foi muito curto (pouco mais de três anos), e estes que não compareceram perderam um espetáculo de brutalidade e precisão como poucos proporcionam!

    O que mudou de 2005 pra cá? Pouca coisa, na verdade, e a mais significativa se revelou assim que as cortinas do quente Santana Hall se abriram: a presença de Destructhor, da máquina norueguesa Zyklon, ocupando o trono que já foi de Richard Brunelle, Erik Rutan e Tony Norman (que tocou no Parque Antarctica). Uma aquisição espertíssima, pois o cara é um animal com sua Dean Razorback… não deve absolutamente nada a seus antecessores tanto no complicadíssimo aspecto técnico - não é qualquer um que consegue seguir os rastros do Trey - como no de presença de palco.

    Aos primeiros acordes da devastadora Rapture, entram David Vincent, Pete Sandoval e Trey Azagthoth na arena, e a insanidade se espalha na pista rápida como fogo na gasolina. Em cerca de uma hora e meia, provaram por A mais B o porquê de ser, provavelmente, a mais influente banda de do planeta, atuando há nada menos que um ininterrupto quarto de século. Executaram seus clássicos rigorosamente idênticos aos arranjos dos álbuns, só tirando o pé do acelerador em algumas partes para evidenciar ainda mais o peso colossal.

    AINDA é algo de causar medo o que o Commando faz com as baquetas e bumbos… o mesmo maníaco que ajudou a aperfeiçoar e moldar os blastbeats com esse ícone eterno que é o Terrorizer. As décadas se passaram e ele evoluiu ainda mais sua técnica invejável - até pela competição que "polvos" como Tony Laureano, Max Kolesne e Derek Roddy, só pra citar alguns, impuseram com o desenvolvimento do Metal extremo. O cara continua relevante, e uma absoluta referência na brutalidade percussiva.

    Aí veio Pain Divine pra manter o pique, e o sempre aguardado retorno aos velhos tempos: Maze of Torment nos remete ao quintessencial álbum Altars of Madness, com os moshpits cada vez maiores no meio do público - estes sempre incentivados pelo David. O cara tem o público na mão o tempo todo, comandando a turba enquanto dedilha (incrível ele não usar palheta) seu baixo e vocifera suas blasfêmias inomináveis.

    Aliás, mister Vincent pelo jeito desceu de vez do salto: ao invés do jeito sisudo que demonstrou na plenitude de sua carreira, foi de uma surpreendente simpatia com o público durante todo o show… incentiva as rodas, o pessoal cantando (embora eu torça o nariz pra esses ô-ô-ô popularescos), agradecia muito a participação. E felizmente, como dá pra perceber nas fotos, não compareceu com nenhum modelito exótico como nos shows dos EUA e Europa!

    Após a respirada com Sworn to the Black, vem a segunda surpresa agradável da noite: detonam um som novo, intitulado "Nevermore". É da mesma identidade do que a banda andava fazendo pelos idos do Covenant, uma verdadeira tijolada que aumentou bastante a expectativa sobre o que deve vir no próximo álbum. Paradas estratégicas, riffs cáusticos e o David urrando com aquele vozeirão que só encontra paralelo, como já bem disse o Karl do Nile, no ator James Earl Jones (o Thulsa Doom de "Conan, o Bárbaro" e dono da voz robótica de Darth Vader) - perfeito!

    Aí seguiu um combo inacreditável, de levar o fã de a um estado catatônico: Lord of All Fevers and Plague, a eterna Immortal Rites (com a parte do teclado sendo emulada em uníssono pela platéia), uma execução inesquecível da - inexplicavelmente - meio abandonada Fall from Grace, e o tiro de misericórdia com um dos hinos que são sinônimos indissociáveis do : Chapel of Ghouls, que arrepiou este escriba até a medula.

    Tinha espaço pra mais? Ora, se tinha… senti falta do coice Day of Suffering, mas a turma do Trey (aliás, ele apagou mesmo as tattoos?) mandou a mais surpreendente e agradável surpresa do evento: tiraram da manga uma versão exata de Bil Ur-Sag, que para mim é - disparada - a melhor música da era Steve Tucker. Um míssil mais que certeiro, sacada muito inteligente e que até serve como emblema da humildade que estão demonstrando neste momento (ouvi relatos de muita gente que conheceu os caras, dizendo que foram de uma simpatia ímpar).

    Aí temos esse demente chamado Trey Azagthoth, a única pessoa que me atrevo a chamar de GÊNIO no Metal Extremo. Tudo nele é hipnotizante: o contorcionismo no palco, as escalas que definitivamente não são desse mundo, os riffs e bends grotescamente pesados, a dissonância que tira do nada… é sempre catártico assistir a esse genuíno mestre da guitarra, o cara é o Eddie Van Halen do Inferno!

    Dominate é mais uma exibição da ignorância e resistência do Pete na bateria, God of Emptiness é o quase-hit (teve alta rotação na antiga MTV) que vai fechando o encore com todos cantando seu final memorável e, ironicamente pelo título, "World of Shit" encerra a viagem. Chega a ser fácil relatar um show desses, aquela situação de quando se assiste aos mestres da arte esbanjando toda sua maestria com uma naturalidade inacreditável. Só torço pra que o intervalo para o próximo show seja de MENOS que 3 anos…
  • My top 50 albums (as of Feb. 5th, 2009)

    5. Feb. 2009, 6:57

    Glauco_Silva's top albums
    1. Acheron - Rites of the Black Mass (417)
    2. Opprobrium - Serpent Temptation (252)
    3. Treta - O Sangue, A Honra e A Verdade (240)
    4. Six Feet Under - Bringer of Blood (238)
    5. Suicidal Tendencies - Controlled by Hatred / Feel Like Shit... Deja-Vu (230)
    6. Terrorizer - World Downfall (224)
    7. Nile - Ithyphallic (204)
    8. Rotten Sound - Cycles (198)
    9. Suicidal Tendencies - Suicidal Tendencies (195)
    10. Green Day - 1,039/Smoothed Out Slappy Hours (190)
    11. Darkthrone - Soulside Journey (187)
    12. Queen - Greatest Hits (182)
    13. Severe Torture - Misanthropic Carnage (180)
    14. In Flames - Whoracle (180)
    15. Sepultura - Against (179)
    16. Clenched Fist - Tribute To The Brave Ones (178)
    17. Fear Factory - Soul of a New Machine (172)
    18. Massacre - Promise (170)
    19. Terrorizer - Darker Days Ahead (168)
    20. Brutality - In mourning (168)
    21. Rush - Retrospective II: 1981-1987 (165)
    22. Faith No More - King for a Day, Fool for a Lifetime (162)
    23. Napalm Death - Enemy of the Music Business (159)
    24. Krisiun - Works Of Carnage (157)
    25. Morbid Angel - Formulas Fatal To The Flesh (157)
    26. Blind Guardian - Nightfall in Middle-Earth (156)
    27. Daath - The Hinderers (156)
    28. Turisas - Battle Metal (156)
    29. Scorpions - Deadly Sting: The Mercury Years (disc 2) (156)
    30. Obituary - World Demise (156)
    31. Ação Direta - Massacre humano (154)
    32. Centurian - Liber Zarzax (154)
    33. Hypocrisy - The Fourth Dimension (146)
    34. King Diamond - "Them" (145)
    35. Annihilator - Metal (144)
    36. Benediction - Grind Bastard (144)
    37. Darkest Hate Warfront - The Aftermath (144)
    38. Pungent Stench - Club Mondo Bizarre (143)
    39. Exhumed - Slaughtercult (143)
    40. Rage - XIII/Digi Ltd. Edition (143)
    41. Venom - Black Metal (143)
    42. Unleashed - Sworn Allegiance (141)
    43. Entombed - DCLXVI - To Ride, Shoot Straight and Speak the Truth (140)
    44. Korzus - Ties Of Blood (139)
    45. Misfits - Box Set (disc 2: 3 Albums) (138)
    46. Destruction - Sentence of Death / Infernal Overkill (138)
    47. Hail of Bullets - ... Of Frost And War (136)
    48. Cannibal Corpse - Vile (136)
    49. Destruction - All Hell Breaks Loose (134)
    50. Venom - Old, New, Borrowed and Blue (134)