Master, Predator, Coldblood (Benjamin Rock Bar, Piracicaba, 19/2/10)

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22. Feb. 2010, 23:27

Fri 19 Feb – Masters Of Hate Brazilian Tour 2010 (publicado no site Metal Rise em 22/2/2010)

O ano começou causando taquicardia nos fãs de : ícones como Deicide, Cannibal Corpse, Benediction, Nile, Suffocation e outros já passaram ou têm datas próximas agendadas para breve em nosso país. E entre estes desponta o mais veterano, um dos pais bastardos do estilo – o Master, fundado em Chicago (EUA, mas hoje radicado na República Tcheca) pelo lendário baixista/vocalista Paul Speckmann há nada menos que vinte e sete anos atrás. Poucas vezes a expressão "old school" foi usada com tanta propriedade!

Conforme muito bem documentado pela mídia sensacionalista (até mesmo no exterior), a Masters Of Hate Tour 2010 sofreu um grave entrevero com a baixa dos ingleses do After Death, que perdeu dois de seus integrantes em um trágico incidente em Sergipe, no fim de janeiro. Como é de se esperar, os abutres só aparecem na hora que corpos aparecem, caso contrário jornais e TVs de cadeia nacional jamais colocariam em destaque esta turnê em horário nobre, como ocorreu... mas convenhamos, até aí nada de novo.

Uma das últimas etapas do giro nacional ocorreria em Campinas, mas nosso tradicional local para tais celebrações, o Hammer Rock Bar, infelizmente encontra-se com as portas cerradas desde uma fiscalização "pente-fino" que a prefeitura fez no mês passado, e que fechou casas noturnas nos mais diversos segmentos. Enquanto a situação não é normalizada, shows têm migrado para outras casas e cidades do interior – como neste caso, em que o velho Benjamin, em Piracicaba, recebeu o evento.

Em um primeiro momento, o headbanger familiarizado com o local deve, como eu, ter ficado com a pulga atrás da orelha, dada a notória precariedade do equipamento da casa. Será que ia dar certo, comportaria o público, o som estaria legal, a divulgação funcionaria com uma transferência tão em cima da hora? Num daqueles raros casos em que tudo conspira para dar certo, a resposta pra todas essas indagações foi positiva, e o Benjamin Rock Bar (ou leia-se Baron Von Causatan, o grande guerreiro que agenda a imensa maioria dos eventos lá) nos proporcionou uma noite de shows memoráveis e profissionalismo exemplar.

A noite começou com um pequeno atraso devido a dificuldades técnicas, logo sanadas para que o Coldblood adentrassem o palco. Fã confesso do (agora) quarteto carioca, desde que adquiri seu excelente CD e assisti sua abertura para o Cannibal Corpse em 2007, estava um pouco apreensivo para ver como se sairiam com os substitutos do guitar/vocal Alan Silva. A surpresa não poderia ter sido melhor: os guitars Julio Cesar e Artur Círio (do Statik Majik, também vocal) preencheram a lacuna com sobras, apoiados pela sólida cozinha de Vitor Esteves (B) e M. Kult (D), guerreiros com anos de estrada forjada no Metal em bandas notórias como Mysteriis, Unearthly, e Darkest Hate Warfront entre outros.

Quem esteve no Hammer em 2007 lembra que eles tiveram seu set severamente abreviado por problemas no baixo do Vitor, mas nessa sexta tudo deu certo, e puderam entregar um show à altura de suas composições: sem nenhum cover, tocaram a maior parte das tijoladas old school do Under The Blade I Die, contando com participação pra lá de entusiasmada do público – algo que realmente me causou grande satisfação, uma vez que na maior parte das vezes as bandas de abertura são prejudicadas pela apatia da platéia. Segurança total no palco, energia absurda fluindo entre eles e o moshpit, qualidade de som ótima: não tinha como algo dar errado. Saíram, claro, vencedores e ovacionados!

Pequeno intervalo e os gaúchos do Predator, que têm acompanhados os americanos durante todo o rolê nacional, entraram no palco para mostrar serviço. Tal qual na vez em que os assisti ano passado no Plebe, em Indaiatuba, o trio pegou a audiência "quente" e novamente matou a pau com suas músicas super intrincadas, misturando partes de brutalidade incondicional com cadência contagiante, que convidam ao headbanging automático. O set foi, claro, baseado no seu bom álbum de estréia Homo Infimus, lançado de forma totalmente independente em 2007, mais uma execução estricnada de Troops of Doom do... bom, você está cansado de saber quem. Além dos trampos nas 4 cordas do Luciano Hoffmann, o destaque inquestionável foi pro cavalo Roberto Ceccato, cujas porradas precisas, velocíssimas e quebradas impressionam qualquer baterista veterano!

Não demora muito – ainda bem, porque a noite avançava e o povo ainda estava num pique ótimo – e os headliners entram no palco. Envergando uma barba que mataria de inveja o Kerry King e os pessoal do ZZ Top, o igualmente lendário mestre Speckmann começa o show aos acordes de Master, levando o pessoal ao delírio. Foi aproximadamente uma hora do mais puro Death Metal, tocando faixas desde o clássico debute auto-entitulado até o mais recentes, deram uma bela geral na carreira que já, já alcança a assustadora marca de três décadas. Chega a ser emocionante ver tanto "tiozinho do Metal" (a média de idade do – considerável até – público, não era nem de longe baixa) agitando sem cansar com as pauladas que Paul, Alex Nejezchleba (G) e Peter (D) apresentaram, compensando com sobras tanto tempo de espera para presenciar seu show. Apresentação ótima, em que não demonstraram em nenhum momento o cansaço que li em algumas resenhas desta tour Brasil afora.

Só acho válido deixar aqui um registro, pra fechar de forma categórica essa resenha – tomei a liberdade de "emprestar" essa foto do Orkut do meu amigo Vitor (Coldblood), cuja legenda resume tudo, com o perdão do palavrão usado - HUMILDADE é a palavra. O que diferencia os FODÕES dos fanfarrões:



Não deixe de assistir também ao vídeo feito pela fotógrafa Salua de Moura, com exclusividade para o Metal Rise:

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