• Negrito

    6. Feb. 2013, 0:00

    Brincadeira besta, porque estou sem paciência para elaborar textos dramáticos. Basta colocar em negrito o que for verdade.

    É noite agora.
    Tem alguma coisa que você deveria estar fazendo agora.
    Você comeu carne hoje.
    Há uma televisão próxima a você.
    Você se dá bem com seus vizinhos.
    Você está com fome agora.
    Você trabalhou hoje.
    Você acordou antes das 11:00 hoje.
    Você sempre dorme tarde
    Gatos são melhores que cachorros.
    Crepúsculo é uma saga horrível.
    Harry Potter é uma saga horrível.
    As Crônicas de Nárnia têm mensagens cristãs
    Seu celular está perto de você.
    Sua cor preferida é azul ou roxo.
    Seu cabelo é curto.
    Você está sozinho agora.
    A última coisa que você bebeu foi água.
    Seu cabelo é da cor natural.
    Você não bebe refrigerante.
    Você tem pelo menos 50 reais na sua carteira.
    Você leu pelo menos 5 livros esse ano.
    Você conhece alguém que está no hospital agora.
    Você conhece alguém que venceu o câncer.
    Você prefere usar tênis.
    Chocolate é melhor que baunilha.
    Você é alérgico a amendoim.
    Você nunca foi a Londres.
    Você quer ir à Europa.
    Você está usando um notebook agora.
    Cirurgia plástica é uma boa idéia.
    Seus amigos usam drogas.
    Você está usando algum esmalte agora.
    Você já fez uma dieta.
    Você está usando meias agora.
    Você cortou seu cabelo no último mês.
    Seu aniversário é nos próximos 3 meses.
    Filmes de comédia são melhores que de ação.
    Você é horrível em matemática.
    Você é fluente em mais de uma língua.
    Você adora salada.
    Você tem 3 ou mais travesseiros na sua cama.
    Você vive com seus pais.
    Você está feliz agora.
    Você já se formou no colégio.
    Você tem um animal de estimação.
    Você tem olhos claros.
    Seu nome tem mais de 5 letras.
    Você está em um relacionamento.
    Você consegue contar até 50 em outra língua.
    Você já dirigiu um carro.
    Você vive fora do Brasil.
    Você tem mais de 18 anos.
    Você tem algum parente no exército.
    Você é filho único.
    Você é vegetariano.
    Você já foi aos Estados Unidos.
    Você tem uma tatuagem.
    Você tem um piercing.
    Você usa aparelho.
    Você usa óculos ou lentes.
    Você tem cabelo cacheado.
    Faz escova.
    Você saiu para comer na última semana.
    Você esteve bêbado alguma vez no último mês.
    Você é bissexual ou homossexual.
    Você foi ao cinema no último mês.
    Você se interessa em política.
    Você beijou 2 ou mais pessoas esse ano.
    Você beijou alguém no último mês.
    Você foi abraçado hoje.
    Você já pagou mais de 250 reais em alguma roupa.
    Você ama rock.
    Você ama música eletrônica.
    Você ama rap ou hip hop.
    Você ama MPB.
    Você ama música antiga.
    Você já tirou fotos de si mesmo só porque estava entediado.
    Você já esteve em um acidente de carro.
    Você já fumou cigarro.
    Você já experimentou algum tipo de droga.
    Você acredita em horas iguais.
    Você já ficou com alguém 5 anos mais novo que você.
    Você já ficou com alguém 10 anos mais velho que você.
    Você já terminou com alguém para ficar com outra pessoa.
    Alguém já terminou com outra pessoa para ficar com você.
    Você já teve o coração partido.
    Você já partiu o coração de alguém.
    Você é cristão.
    Você é espírita.
    Você já passou 48 horas acordado.
    Você está sentindo saudades de alguém agora.
    Você ficou triste recentemente.
    Você já traiu alguém.
    Você já foi traído.
    Você tem um coração partido nesse momento
  • Príncipe

    13. Nov. 2012, 2:21

    Há tempos que eu venho pensando nisso. Que minha busca interminável por alguém que me sirva não vai me levar a lugar algum. Que eu devo aprender a ficar bem como estou, procurando por maneiras de aproveitar a mim mesmo, sem me preocupar onde está essa parte que me falta. Cultivar o tal do jardim para que as borboletas venham até ele ao invés de sair correndo feito louco com uma rede na mão.

    O grande problema é que eu ainda não consegui enxergar outra maneira de ser feliz.

    Nesse entrave, talvez o mais difícil não seja ouvir todos falando para você não esperar por algo que não existe. Difícil mesmo é ouvir que você deve desistir dos seus sonhos. Isso é o que mais machuca.

    É provável que ninguém saiba o peso do que diz. Creio que não saibam da relevância que isso realmente tem, da importância que eu realmente dou. Levo como aquele comentário inconveniente que você faz sem querer quando acaba de conhecer alguém. Não culpo, apenas sorrio concordando com o absurdo de se sonhar com algo tão singelo e surreal ao mesmo tempo.

    Mas o vento gelado que uiva na janela faz passar mais uma noite, faz mais um dia ser vivido sem cor, sem entusiasmo. E quando se nota o calendário ali no canto da mesa, já se foram semanas, meses, se foram anos, se foi a vida inteira esperando por algo que nunca chegou.

    Esse é o meu maior medo.
  • Título

    5. Nov. 2012, 3:27

    Eu odeio títulos. Títulos devem ser perfeitos, sintetizar o que está em todo o texto, ter personalidade, servir de manchete, instigar a curiosidade, chamar a sua atenção. Detesto eles. Você precisa pensar demais neles. Muitas vezes só quero escrever, mas a droga do título me cansa antes mesmo de eu começar.

    Não só títulos, eu detesto textos. Eles precisam fazer sentido, ter começo, meio e fim. Precisam impressionar, fisgar seus olhos no primeiro parágrafo, manter sua alienação nos seguintes e ter um desfecho incrível, surpreendente, algo que você não deduza, não adivinhe que vai acontecer. Textos têm de ser algo surpreendente. Senão não toca sua alma, você não gosta, não curte, não compartilha. Muitas vezes só quero escrever, mas a porra do texto me cansa antes mesmo de eu começar.

    Também detesto assuntos. Eles precisam delinear a conversa, você não pode fugir do tópico, da proposta, daquele universo. Eles limitam sua conversa. Porquê não falar sobre diversos assuntos, aleatoriamente, sem nenhuma conexão? Ninguém precisa entender, talvez só eu e você. Muitas vezes só quero escrever, mas a falta de assunto me cansa antes mesmo de eu começar.

    Na verdade, detesto essa minha mania de engessar as coisas. Detesto meu perfeccionismo que diz que as coisas tem que ser assim. Não tem que ser assim. Não precisa ser assim pra ser perfeito. Não precisa nem ser perfeito, pode estar cheio de defeitos mesmo. Mas se não for assim, eu não gosto, não me dá orgulho, não quero nem assinar. Não quero dar título, não quero escrever texto, não quero nem pensar no assunto.
  • Incógnita

    16. Okt. 2012, 2:32

    Eu tive uma infância tão feliz que me pego quase todos os dias divagando na nostalgia de imaginar como poderia ter sido se as amarguras que a vida nos traz não tivessem surgido.

    Se eu tivesse uma, digamos, vida linear como a maioria têm, como teria sido? Uma vida que não tivesse sido marcada por desligamentos abruptos, fora do meu controle... Ter de volta aquela vida sem grandes preocupações, aquela vida de amizades verdadeiras, poder sentar na mureta do campo de futebol suíço ou na escadaria do colégio esperando a aula começar, poder jogar vôlei novamente na quadra escura do ginásio, poder correr dez quadras para alugar um jogo de videogame disputado...

    Ter de volta uma vida onde o meu maior esforço não é o de se desapegar das pessoas e das coisas.

    Aquela interrupção foi diferente das demais. Foi um marco que separou o doce do amargo, a felicidade quase plena das desilusões que a vida coloca bem ao nosso lado.

    Teria eu conseguido prolongar a felicidade?
    Teria eu postergado o confronto com a solidão que me acompanha até hoje?
    Teria eu permanecido ingênuo, talvez, por mais tempo?
    Teria eu me tornado menos ansioso, menos competitivo, menos desesperado?
    Teria eu me tornado o que eu sou hoje?

    Nunca saberei a resposta. Mas é divertido montar cenários hipotéticos onde eu mudo aqueles momentos cruciais na minha vida e driblo o meu destino, seguindo por outro caminho. O caminho de deixar tudo como estava, sem precisar chacoalhar as coisas de tal maneira que elas virassem do avesso.

    Talvez eu ainda esteja tentando me adaptar àquela mudança. Tentando me encontrar em meio às caixas e móveis bagunçados que ficaram por ali, esperando a arrumação. Mas parece que eu perdi algo nessa mudança, que deixei alguma coisa na casa antiga. Na verdade, o mais provável é que tal coisa não coubesse no caminhão. Porque eu resolvi levar outra coisa: a incerteza, o medo e a insegurança que eu encontrei abandonados ali naquela esquina.

    O grande problema, talvez, seja o referencial. Recomeçar tudo do zero para tentar chegar aonde eu estava, naquele momento. Era algo, como eu disse antes, pleno. Talvez eu só esteja buscando me aproximar daquela vida onde eu era feliz de verdade. Mas jamais consegui, jamais cheguei perto. A não ser divagando dentro da minha própria mente, imaginando como tudo poderia ter sido diferente.

    É verdade que eu só amadureci por causa dessa tormenta, mas não poderia eu ter crescido de outra maneira? Quem eu seria hoje? Seria, talvez, o eu de verdade? Ou seria este mesmo eu que continua tentando procurar quem realmente é?
  • Culpa

    23. Apr. 2012, 3:17

    Ainda tenho dificuldades em conseguir dizer não. Tenho pena de te machucar com essa negativa, tenho medo que você sofra, mesmo que seja só por um instante, mesmo que seja por algo desimportante. Fazer sofrer, mesmo que de leve, não me faz bem, me sinto muito culpado proporcionando isso.

    Por mais que eu tenha aceitado em formato de insegurança o rótulo de egoísta que uma ou duas pessoas imprimiram em mim com tanta veemência, ainda tenho forte o sentimento de não querer machucar os outros. Eu prezo por isso, acho nobre, e por mais que você fale que lá no fundo eu não sou assim de verdade, que eu só discurso pensando em mim mesmo, eu acredito que isso seja verdadeiro.

    Eu me sinto responsável por você. Pela sua busca ter esbarrado em mim, e por você não ter encontrado o que você procurava. Porque eu não encontrei o que eu procurava. Talvez isso seja egoísmo da minha parte? É que acredito que nós só podemos encontrar isso juntos, infelizmente.

    O fato controverso é que, para eu resolver isso, eu preciso pensar mais em mim. Aprender a dizer não, não me privando da minha própria liberdade em virtude dos outros. Como posso ser egoísta se meu problema é pensar demais nos outros?

    Talvez as pessoas projetem nos outros o que está dentro delas. E acabamos acreditando nisso mesmo não fazendo parte da gente. Acabamos acreditando que somos o que os outros dizem que somos. Seria isso insegurança?

    Quem sabe? Já que me sinto inseguro pois talvez as coisas das qual eu estou seguro que sou, na verdade não sou, apenas penso que sou. Nessa falta de visão que temos de nós mesmos, talvez eu não seja realmente aquilo que eu pense, e a visão do outro muitas vezes me cai melhor do que o meu provável olhar deturpado sobre mim mesmo, desvirtuado pelas minhas próprias convicções...

    Então eu tenho um bom coração? Tenho por acreditar que tenho ou tenho de verdade? Mas se eu te machuquei, como posso ter um bom coração? Se você disse que eu sou especial, então é porque talvez eu tenha um bom coração... Mas como você não serviu pra mim, então sou vil, mau, impiedoso? Não seria isso egoísmo da sua parte, pensar assim?

    Só sei que me preocupo, mesmo depois que você vai embora. Por mais que você não sirva, fico pensando em você. Em como você vai levar sua vida, no que você vai fazer para seguir em frente, se vai demorar muito para você ficar bem... Eu posso não lembrar direito seu nome ou da silhueta do seu rosto, mas eu lembro do momento em que tentamos. Do momento em que estivemos juntos e a sua expressão de esperança acreditando que você poderia ter encontrado, mesmo comigo já sabendo que não tinha, só faltando pensar em uma maneira de como eu iria contar para você.

    Mas não estaria eu simplesmente inventando uma desculpa para tornar esse momento importante para mim mesmo, com intuito de não ter que lidar com a culpa da desimportância que eu dei para você? E assim me tornar bonzinho aos meus próprios olhos? Assim eu não estaria sendo egoísta?

    Já não sei se devo pensar em mim ou em você...
  • Desapego

    2. Apr. 2012, 3:48

    Estou vivendo um processo curioso de apegos e desapegos.

    Andei voltando a ter contato com coisas das quais eu já havia me desapegado há tempos. Não foi por intenção própria, mas sim por uma força maior que foi capaz de quebrar aquele orgulho que se dizia indestrutível. E toda essa improbabilidade me intrigou, me fez pensar que tal apego era digno de voltar a existir. Mas revendo o que motivou o processo de desligamento anterior, é triste acreditar que nada mudou. O mesmo sentimento que me fez praticar o desapego está aqui novamente: saber que você não deve dar importância a coisas que não são importantes, a pessoas que não dão a importância que você dá a elas.

    Também finalmente me desfiz de outras coisas das quais eu era apegado. Não totalmente, algumas amarras ainda permanecem, mas em alguns meses o último fio que segura isso tudo irá se romper. É melhor deixar ir e tentar ficar apenas com as boas lembranças ao invés de todo o rancor e ressentimento gerado por algo que deveria ter sido bom, mas não foi. É inevitável: você sente quando um ciclo se fecha, quando algo termina. Prolongar a vida do que já se foi não faz sentido, tem sabor de coma induzido, de algo moribundo.

    E ainda estou para me desfazer de algo que não consegui me apegar. É um sentimento estranho, pois vou terminar algo em que eu ainda estava apenas começando. Mas saber que é um apego forçado faz desistir não soar bem como uma desitência. É apenas parar de tentar forçar algo que deveria seria natural, embora todos insistam em colocar a culpa em mim pelo apego ainda não ter acontecido. Só que se fosse mágico como dizem ser, tal apego não teria simplesmente acontecido? Não teria sido extraordinário? Não teria sido automático, se sobrepondo aos demais apegos e desapegos? Pois lhes digo que não foi. Quem sabe não é tão mágico assim.

    Interessante ver que estes apegos e desapegos não pareçam estar relacionados, quando na verdade estão mais juntos que unha e carne. O primeiro foi um dos principais motivos para o terceiro acontecer, enquanto o segundo foi justamente responsável pelo terceiro desandar. E isso tudo vem acompanhado de um sentimento de tempo perdido, de foco sinuoso, de objetivos mal traçados. Três coisas aparentemente sem relação são responsáveis pela falha de todo o conjunto. Quem sabe o erro foi não perceber a relação que essas coisas possuíam? Quem sabe o erro foi tentar separar as coisas de maneira lógica, enquanto na prática, uma coisa sobrepõe a outra?

    Talvez eu realmente deva escolher um lugar onde eu não tenha apegos nem desapegos. Se o destino ajudar, irei arriscar. Arriscar uma mudança ao invés de arriscar consertar a última mudança da qual eu me esforcei para que tudo continuasse igual.
  • Profundidade

    6. Dez. 2011, 1:58

    Nenhuma outra atividade me parece mais prazerosa no momento do que escrever. Embora quase todo o álcool disponível tenha acabado por aqui, resolvi encarar a garrafa de vinho quente que eu insisti em deixar fora da geladeira, imaginando que não iria precisar dela quando a solidão batesse na calada da noite...

    Na verdade eu já deveria ter escrito aqui noutras ocasiões. Alguns assuntos já me derrubaram de tal forma que eram dignos de uma dissertação, mas algo me incapacitava toda vez em que a Metáfora dos títulos passados acenava para mim. Seria o medo da verbalização? Ou seria a incapacidade de verbalizar o turbilhão que varria o meu peito naqueles momentos?

    Que dramático...

    Acho que foi um misto dos dois. Esses sentimentos sempre me fazem de idiota na hora da revelação. Não pelo medo de desabafar, mas pelo medo de não transmitir a intensidade da dor que me aperta. Inúmeras vezes expus meus sentimentos para alguém e eles pareceram inúteis, sem relevância alguma. Mas acredito que não seja pela falta de importância do assunto, erroneamente percebida por mim ao ouvir aquelas palavras proferidas pela minha própria boca, mas sim pela frustração de não conseguir dimensionar a intensidade do que eu realmente sinto...

    Divagar sobre coisas que não precisam ser divagadas... Já me chamaram de misterioso por isso, por eu não ir direto ao ponto. Realmente, confesso que não faz meu tipo. Mas isso me torna misterioso? Ou me torna enrolado, burocrático? Não seria só uma maneira de fingir a profundidade que eu não tenho? Ou seria profundeza em demasia, com o intuito de convidar alguém a mergulhar, testando se esse alguém é bom o suficiente para mim? E isso, não seria isso egoísmo? Egoísmo é um sentimento de pessoas profundas?

    Tenho medo disso tudo. Hoje também tive medo de dizer abertamente que tenho medo da profundidade das pessoas. Irônico, não? Mesmo sabendo que a maioria usa isso como auto-proteção, assim como eu, que não são profundas de verdade. São preto no branco, simplérrimas. Mas que se escondem no meio da música indie, do gosto inconsistente pela arte moderna, da literatura pseudo-erudita, dos textos em locais obscuros. Tenho medo de não ser profundo?

    Acho que responder tudo isso seria dar as cartas do jogo de maneira muito aberta. Ou, quem sabe, seria a solução que eu procuro?

    Acho complicado arriscar e descobrir.

    Mas fico pensando no motivo dessa busca por alguém que desvende nossos mistérios... Sou só eu que penso assim? Eu que nunca tive alguém que desvendasse as pequenas charadas criadas por mim mesmo que não fossem aquelas pessoas pelas quais a paixão era impossível?

    Vai ficar dificil organizar todos estes pensamentos em uma linha de raciocínio coerente. Embora na minha cabeça faça pleno sentido. Na sua faz?

    Acho que preciso de mais vinho.

    PS: Fui profundo o suficiente?
  • Metáfora

    19. Jul. 2011, 23:50

    Vamos imaginar que você tenha uma namorada há um tempo considerável e vocês estão passando por uma crise conjugal intensa. É aquele momento crucial onde se pode escolher entre terminar tudo ou continuar em frente, apesar de todas as controvérsias.

    Você, muito racional, para e analisa a situação. E se dá conta de que já sabia do suicídio que seria se meter nesse relacionamento, que o amor nunca havia sido recíproco. Tudo sempre esteve bastante claro, inúmeras evidências. Mas mesmo consciente, isso não diminui a sua dor, pois o amor é sempre doloroso quando é sentido apenas por um lado.

    Ela te proporcionou diversos momentos de prazer. Tão bons que você se perde em meio aos devaneios, às lembranças. Só de pensar em terminar, na possibilidade destes momentos não existirem mais, você tem calafrios. E um dos principais problemas é que, mantendo o namoro, você tem certeza que ela vai continuar te proporcionando esses momentos, mesmo não tendo o mesmo peso na vida dela como tem na sua.

    Só que manter esse relacionamento vivo não depende só de você, pois toda relação é feita de dois lados. A felicidade que a união te proporciona é falsa pois ela não sente os mesmos sentimentos que você. E felicidade que é sentida apenas por um lado recebe o nome de ilusão.

    Ela não parece levar em consideração tudo o que você já fez, tudo o que aconteceu. Você já se doou tanto por ela: juras de amor, planos para o futuro, aquele colar que ela queria, aquela roupa que ela precisava... Mas nada disso era relevante, existiam coisas mais importantes na vida dela do que você e as suas palavras, ambições e presentes.

    E mesmo com as inúmeras discussões da relação, com todas as tentativas mal sucedidas de colocar os pingos nos is, terminar nunca passou pela cabeça dela. Mesmo com o desinteresse visível e corrosivo, que destruía a relação aos poucos, ela te diz que quer deixar tudo vivo. E isso te pressiona, pois assim ela se isenta de toda a responsabilidade. O peso da decisão está toda nas suas costas, você é o carrasco.

    Manter tudo será complicadíssmo, mais complicado do que tudo o que você já fez por ela. Só que você já está cansado. O tempo esgotou suas forças, só as memórias dos momentos felizes já não são suficientes para manter tudo de pé...

    E ela já deixou claro que o futuro de vocês é incerto. Amanhã ou depois, não se sabe, pode ser que tudo acabe de repente. Se aparecer alguém mais interessante, algo mais importante, alguma coisa maior... Você não é um algarismo de valor nessa equação.

    O mais sensato é a separação, sua cabeça sabe disso. Sabe tão bem que sempre tentou dizer ao seu coração que não daria certo se aproximar da menina que não te amava, que precisaria aprender a te amar. Mas o coração é burro, não ouve a razão. E cabe agora à cabeça consertar os erros, mesmo ela não tendo nada a ver com a história.

    Você já passou por essa situação?
  • Teste

    4. Apr. 2011, 16:09

    Você tem grande dificuldade de aceitar quem você é e vive tentando amenizar este conflito interno com mentiras que te distanciam ainda mais de sua personalidade. "Existem pessoas que vivem tentando ser o que não são porque criaram um ideal de perfeição que não existe. Seja por pressão do meio em que vive ou por idealizações pessoais, esta prática sempre causa sofrimento, e em casos mais extremos, quando a pessoa deixa de viver sua realidade para viver uma vida que criou ou trava um conflito interno tão profundo de não aceitação, leva a transtornos alimentares, como anorexia e de personalidade, como a psicopatia", explica a psicóloga da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, Áurea Caetano.

    Será?
  • Coadjuvância

    3. Dez. 2010, 1:14

    Será que eu ainda lembro como se escreve?

    Faz tanto tempo que eu não posto aqui que até parece que alguma coisa de errado aconteceu. Mas não, nada aconteceu. Na verdade, eu estava esperando algo interessante surgir fazem algumas semanas, só para ter um motivo para divagar aqui. Mas não não consigo encontrar relevância nos acontecimentos mundanos... Então, resolvi escrever sobre acontecimentos mundanos!

    Eu ando meio noiado. Descobri uma característica que eu sempre tive, mas nunca havia percebido - o imediatismo, o urgentismo, a impaciência. Aquelas coisas da geração Y. Percebi que isso anda do meu lado todos os dias, me intimando com aquele sorrisinho sarcástico de canto de boca.

    Essa semana minha avó morreu. Nada de tristezas da minha parte, não era apegado àquela senhora. Para mim, ela sempre foi a mulher que cozinhava e rezava na frente da TV. Nunca tivemos laços profundos. Mas ir com a cabeça de 23 anos ao enterro, reencontrando os estimados parentes depois de 5 anos sem se ver, me fez perceber algumas coisas novas. Família é uma tristeza né? Um falando mal do outro, sempre procurando com o olhar, antes de destilar o veneno, alguém para compactuar com as idéias perversas que trafegam em sua mente. Eu fui alvo desses olhares várias vezes, pois agora sou moço, bonito, crescido... Mas na maioria do tempo, me restava ficar só ouvindo a conversa alheia. Pois é isso o que você faz no enterro de quem você não conhece - apesar dela ser minha avó, não conheço ela de verdade, não sabia das histórias paralelas que, naquele mórbido evento, se entrelaçavam. Netos são coadjuvantes na família, resultados de uma novela que já se desenrolou. A gente fica de fora dos acontecimentos, pois eles já aconteceram ou acontecem em momentos em que as crianças estão longe. Para nós só resta a projeção de um destino diferente do que eles tiveram. E ai de nós se divergermos dessas projeções.

    Aquela situação do imediatismo me perturba, como já comentei. Depois de descobrir há alguns meses o que significa procrastinar, me peguei fazendo isso dezenas de vezes. É que não tenho mais desafios nem situações motivadoras. Preciso fazer uma pós, preciso fazer outra faculdade, preciso fazer intercâmbio, preciso isso, preciso aquilo. Mas calma: ninguém está me cobrando. Sou eu quem cobra de mim mesmo, desde sempre. Só que resolvi parar um pouco, decidi que precisava parar um pouco com a pressão interna. Só que isso vai contra a primeira necessidade. Necessidade versus necessidade. Batalha épica!

    Netos são apenas instrumentos. Sejam eles da satisfação pessoal, da projeção familiar ou da necessidade de comunicação interpessoal. A gente percebe isso quando o seio da família desaparece.
    1) A satisfação pessoal vem quando você os usa para serem o que você não foi. E eles conseguem, aí você fica satisfeito. É aquela falsa satisfação, pois você queria estar no lugar deles. Mas eles fazem parte de você. Então tudo bem.
    2) A projeção familiar vem quando você os utiliza para se vangloriar, se colocar numa posição acima dos demais membros do clã. Afinal, o neto mais bem criado é um trofeu a ser exibido nas reuniões familiares de outrora. O melhor currículo, a melhor cutis, o melhor palavreado, o melhor emprego. Juntar a satisfação pessoal com a projeção familiar então, nem se fala: é o ego em ebulição.
    3) A necessidade de comunicação interpessoal é usá-los para dar recados. Pombos-correio. Afinal, é difícil falar cara a cara quando existem diversos espinhos no caminho. Nada melhor que um interlocutor para lavar a roupa suja por você.

    Netos são coadjuvantes na novela que tem como título o seu sobrenome.

    Aquela batalha épica das necessidades está perto do fim. Pelo menos, no fim do do prazo que eu dei para uma das necessidades terminar. O problema agora é outro: a constante cobrança me fez pular algumas fases da vida. A adolescência, especialmente. Apesar dela ser um inferno, ela tem sua função. Mas, no meu caso, ela não existiu, somente dentro dos meus devaneios. Minha adolescência está sendo agora, até porque não tinha como ser antes, por razões da própria adolescência. Mas o prazo está acabando. E eu fico aqui, coadjuvante da minha própria vida.

    O que eu preciso mesmo é deixar de ser coajduvante. Da história dos outros e das minhas necessidades. Preciso começar a escrever o meu próprio roteiro.

    Atashi wo sukuu... JUST 1 LOVE!